Ilê Aiyê traz beleza ancestral para a avenida na segunda feira de Carnaval

Bloco afro celebrou seu 50 anos em desfile no Campo Grande

Publicado em 12 de fevereiro de 2024 às 23:35

Rainha do ébano Crédito: Luiza Gonçalves/ CORREIO

Depois de sua tradicional saída da Senzala do Barro Preto no sábado de carnaval, o Bloco Afro Ilê Aiyê chegou para seu segundo dia de desfile no circuito Osmar, no Campo Grande, em que celebrou seus 50 anos de atuação no carnaval de Salvador. O desfile começou por volta das 21:30 quando o mar amarelo, vermelho e preto tomou as ruas em todo brilho digno do Mais Belo dos Belos. "Nós estamos aqui para homenagear o Ilê Aiyê, Olodum, Malê Debalê, Muzenza, Cortejo Afro e também aos blocos afros do Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e de todo o Brasil. Estamos fazendo uma celebração da música dos blocos afro. Um axé para todos vocês", disse a Banda Aiyê ao iniciar o desfile.

Ao som de “Ilê Aiyê Bodas de Ouro”, a banda Aiyê composta por Graça Onasilê,Iana Marucha, Juarez, Valter Puro e Jiauncy Ojú Bará, iniciou os trabalhos no trio principal. O abre alas do desfile no chão foi composto por Vovô do Ilê, os fundadores e membros mais antigos, como Arany Santana e Dete Lima, além de baianas e um grupo em pernas de pau. No primeiro trio, adornado com as estampas do bloco e as imagens de Popó, Vovô e Mãe Hilda Jitolu, estavam em destaque Larissa Valéria, Deusa do Ébano 2024 e outras quatro deusas. No chão a bateria da Banda Aiyê fazia a vibração e dava o tom da galera.

Casais apaixonados, crianças, idosos, famílias inteiras acompanharam e vibraram pela avenida. Um grupo de senhoras, que mesmo em meio aos tambores pulsantes, fizeram questão de me afirmar: "O Ilê é nossa tradição, nossa paixão e se tiver por mais 50 anos, a gente vai estar aqui. Tá duvidando?", brincaram bem humoradas.

"Aqui no Ilê Aiyê a preferência é ser chamado de negão". Expresso na letra de Alienação, o orgulho do perfil azeviche e da estética afro em suas estampas, adornos, tranças e dreads ganha o Carnaval. É impossível não admirar a beleza dos foliões do Ilê. Nesse ano, vestidos com estampas de máscaras e punhos negros, babados e turbantes amarelos e batas com calça compuseram as fantasias criadas por Dete Lima. Mas cada uma dá seu toque especial, como foi o caso da Fernanda Guedes, que incluiu tecidos metalizados, palhas e búzios na roupa. Assídua no Ilê a quase 20 anos, ela partilha: " Vir ao Ilê no carnaval, além de demarcar nosso espaço, nossa resistência de povo preto, é um evento de autoestima para mim enquanto mulher negra. É o dia que eu me sinto mais linda, poderosa e que recarrega minhas energias para ano que temos pela frente."

Com meio século de atuação em 2024, o tema escolhido para a festa “Vovô e Popó, com o Axé de Mãe Hilda Jitolu, a Invenção do Bloco Afro - Ah, se não Fosse o Ilê Aiyê” foi reverenciado pelos cantores. O desfile teve sequência dos maiores sucessos do Ilê como: Depois que o Ilê Passar; O Mais Belo dos Belos e Negrume da Noite e a participação de convidados como Tiganá Santana, que interpretou “Ilê de Luz”. Um momento de arrepiar, foi quando Graça Onasilê convocou todas as mulheres a levantarem seus leques e acompanharem no coro a canção “Negras Perfumadas”, sintetizando a beleza, a dança e a alegria do começo de novas décadas de história.

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