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Wladmir Pinheiro
Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 11:08
A Beija-Flor de Nilópolis levou na madrugada desta terça-feira (17) para a Marquês de Sapucaí o enredo “Candomblé de rua, Bembé do Mercado” e apostou na força da tradição do Recôncavo Baiano para tentar o bicampeonato no Carnaval do Rio. A proposta foi transformar o Sambódromo em extensão simbólica das ruas de Santo Amaro da Purificação, na Bahia. >
Criado em 1889, um ano após a abolição da escravidão, o Bembé reúne mais de 60 terreiros em cinco dias de celebrações públicas. O ápice é o xirê, seguido por cortejos e oferendas a Iemanjá e Oxum. Reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia (2012) e do Brasil (2019), o evento agora busca o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.>
Na Sapucaí, o desfile apresentou referências à africanidade e à cultura afro-brasileira. Um dos versos do samba destacou a intenção de transformar o espaço da festa: “isso aqui vai virar macumba”, em alusão à presença das religiões de matriz africana no centro do espetáculo.>
O carnavalesco João Vitor Araújo, responsável pelo desfile da Beija-Flor neste ano, explicou um dos efeitos visuais que chamaram atenção na avenida. Bolhas que pareciam de sabão saíam de alguns carros alegóricos e, ao estourarem, exalavam essência de alfazema, erva sagrada utilizada em rituais de limpeza espiritual, paz e proteção nas religiões afro-brasileiras.>
Segundo ele, a tecnologia não é inédita para a escola, que já havia utilizado o recurso há dois anos. As bolhas eram feitas com nitrogênio e carregavam a fragrância, criando uma experiência sensorial que ampliava o conceito do enredo e reforçava a atmosfera ritualística proposta para o desfile.>
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