Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Não existe “jogar fora” em um planeta finito

O problema do lixo vai além da coleta e disposição em aterros sanitários. Ele começa muito antes, na forma como produzimos e consumimos

Publicado em 1 de abril de 2026 às 05:00

Todos os dias produzimos lixo. Muito lixo. Embalagens que duram minutos nas nossas mãos podem permanecer décadas ou séculos no ambiente. Objetos feitos com recursos naturais extraídos do planeta são usados por pouco tempo e depois descartados como se não tivessem mais valor. A pergunta que precisamos fazer é simples e incômoda: até quando o planeta vai suportar esse modelo?

Durante muito tempo nos acostumamos a acreditar que existe um lugar chamado “fora”. Compramos, usamos e, quando algo deixa de servir, simplesmente jogamos fora. Mas esse “fora” não existe.

Tudo o que consumimos vem da natureza, incluindo água, minerais presentes em dispositivos eletrônicos, plástico, papel, alimentos e energia.  Esses recursos, que muitas vezes levam milhares ou milhões de anos para se formar, podem ser esgotados em poucas décadas se continuarmos consumindo no ritmo atual.

Mesmo assim, construímos uma economia baseada em uma lógica linear: extrair, produzir, consumir e descartar. Quanto mais consumimos, mais recursos naturais são retirados do planeta. Quanto mais descartamos, maior é a quantidade de resíduos que precisamos administrar nas cidades.

O problema do lixo vai além da coleta e disposição em aterros sanitários. Ele começa muito antes, na forma como produzimos e consumimos.

Precisamos encarar uma verdade incômoda: o lixo é, na maioria das vezes, um erro de projeto. Significa que retiramos recursos da natureza, usamos por pouco tempo e depois descartamos algo que ainda poderia ter valor.

Por isso o mundo começa a discutir cada vez mais a chamada economia circular. Em vez de tratar resíduos como algo sem utilidade, esse modelo propõe manter materiais em uso pelo maior tempo possível, transformando resíduos em novos recursos.

Em um sistema verdadeiramente sustentável, o objetivo não é apenas reciclar mais. É gerar menos lixo.

Reduzir desperdícios, reutilizar materiais, repensar embalagens e separar corretamente os resíduos são atitudes fundamentais para mudar essa lógica. O que hoje chamamos de lixo pode — e deve — se tornar matéria-prima para novos produtos.

Essa mudança depende de governos, empresas e também de cada cidadão. Cada escolha de consumo influencia diretamente a quantidade de recursos naturais extraídos e a quantidade de resíduos gerados.

No fundo, a reflexão é simples: não existe “jogar fora” em um planeta finito.

Tudo o que descartamos continua existindo em algum lugar. O futuro depende da nossa capacidade de reconhecer que os recursos naturais que utilizamos hoje precisam permanecer disponíveis para as gerações futuras.

Ivan Euler Paiva, Mestre em engenharia ambiental urbana e Secretário de sustentabilidade, resiliência e bem-estar e proteção animal de Salvador