Sobre Guerra, Sobre Paz

Quanto antes as nações democráticas reconheçam a gravidade do momento atual, melhor. A Terceira Guerra Mundial não é uma possibilidade remota

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  • Matheus Oliva

Publicado em 5 de janeiro de 2024 às 23:16

No século passado ocorreram duas Guerras Mundiais. Somados os períodos das duas, viveu-se 10% do século XX em guerras mundiais. Os 90% restantes não foram de paz. Houve constantes guerras regionais, multilaterais, bilaterais e conflitos armados generalizados militares ou civis. Guerra e violência são uma constante da História humana. Fato. Paz e diálogo também. O movimento entre guerra e paz é menos pendular do que paralelo entre nações, regiões, povos e sociedades civis. Hoje está bem óbvio que vivemos multi-guerras, conflitos armados de Norte a Sul da América, de Leste a Oeste da Eurásia, em todos os eixos cardeais do Oriente Médio e em regiões espalhadas pela gigantesca África. Afora guerras e conflitos em terra, trava-se, nos mares de todo o mundo, batalhas sangrentas, letais, em torno da pesca, do óleo & gás e do latrocínio e sequestro de embarcações comerciais de grande porte para financiamento de atividades ilícitas.

As guerras oficiais competem em letalidade com os conflitos armados urbanos e rurais. Crises geopolíticas, regimes autocráticos em crescimento, populistas atacando preceitos democráticos, religiões fundamentalistas em corrida armamentista, Estados capturados por dinastias cleptocratas, pensadores ancorados em ideologias provadas disfuncionais, o inimaginável atroz apoio ao antissemitismo dado por instituições de importância internacional e por líderes de Nações, incapazes de condenar publicamente o Hamas e, por fim, mas não menos importante, a internacionalização do tráfico de drogas sustentado pelo vício humano e onipresente em todos os continentes e mares do mundo com violência, crueldade, corrupção de autoridades e subjugação de inocentes. Tempos sombrios, tempos humanos.

Na Europa, a Ucrânia resiste com coragem à Rússia. O conflito vai além de suas fronteiras. É um confronto entre ideais democráticos e ambições expansionistas do regime autoritário. A recente informação de que a Rússia utilizou mísseis balísticos fornecidos pela Coreia do Norte contra a Ucrânia é um sinal alarmante da escalada do conflito, a Polônia já se arma. O Irã fornece drones para Russos e financia e abriga líderes terroristas. A China não desautoriza a Rússia. Venezuela quer o Petróleo da Guiana, explorado pelos EUA. A situação em Gaza com o Hamas e o Hezbollah, bem como práticas terroristas do Estado Islâmico, indicam o caos desenfreado do terrorismo religioso. A repressão a dissidentes e a supressão da liberdade de expressão são apenas exemplos de como regimes autoritários buscam consolidar poder, sufocando vozes libertárias.

Na China, a política de “sinicização”, particularmente em relação ao Islã, é exemplo inquietante de como as liberdades religiosas e culturais estão sendo sistematicamente erradicadas em prol de uniformidade ideológica. Parte de uma estratégia mais ampla de controle e conformidade com os ideais do Partido Comunista Chinês.

Democracias ocidentais enfrentam um momento decisivo. O apoio da comunidade internacional à Ucrânia não é apenas uma questão de solidariedade, mas um posicionamento estratégico essencial. Cavalo de batalha cansado, EUA, enfraquece a posição democrática. Um líder senil no poder e um populista perigoso cobiçando-o. A OTAN se perde com lideranças hesitantes e ardilosas, também envia um sinal perigoso para os agressores, incentivando-os a prosseguir com suas ações desestabilizadoras.

Quanto antes as nações democráticas reconheçam a gravidade do momento atual, melhor. A Terceira Guerra Mundial não é uma possibilidade remota. A solidariedade internacional, a defesa intransigente dos valores democráticos e uma resposta coordenada e firme às agressões autocráticas são fundamentais para evitar que o mundo deslize para um conflito de proporções catastróficas. Em paralelo, boa parte da América Latina não oferece condições de se proteger sequer de seus próprios cidadãos, quanto mais de forças alienígenas.

Assim como no passado, a inação e o aviltamento intestino das democracias, a agressão e supressão de liberdades de regimes autoritários são o combustível para uma conflagração global.

O que está em jogo é o próprio conceito de liberdade e democracia. Embora todo dia seja diferente, debaixo do Sol não há nada novo.

Matheus Oliva

Criador da MO - Movimento & Oportunidade [email protected]

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