Maior nome do paradesporto do país, Daniel Dias rompe barreiras e supera o preconceito

“Lutamos para mostrar que a nossa deficiência física é uma característica nossa, mas não define quem somos. O preconceito existia, existe e, infelizmente, ainda vai existir”

Publicado em 22 de fevereiro de 2016 às 14:21

- Atualizado há 10 meses

O pai de Daniel Dias, Paulo, é quem ensina a lição. “Eles não são paratletas, são atletas de verdade, que treinam e se dedicam”. Hoje, ele vê o filho já estabilizado como o maior atleta paralímpico da história do país. São 15 medalhas: nove em Pequim-2008 e seis em Londres-2012, sendo 14 delas de ouro.Mas, a vida da família do atleta paulista de 27 anos foi bastante dura na pequena cidade de Camanducaia. Não pela estrutura em casa, mas pelo que sofria de preconceito no colégio. Com a ajuda e a força dos pais, Daniel superou tudo isso. “Eu agradeço muito a Deus pelos pais que me deu. Aprendi muito com eles e sei que aprenderam muito comigo também. A responsabilidade na educação dos filhos é muito grande”, diz Daniel, por e-mail, hoje pai de Asaph, de quase 2 anos, e Danielzinho, de três meses.Daniel tem 15 medalhas de duas  Paralimpíadas que já disputou. Agora, foca nos jogos do RIo de Janeiro(Foto: Jonne Roriz/MPIX/CPB)Mais do que superar os traumas do passado, o nadador os deixa lá mesmo, na infância em Camanducaia. “O que passou passou. Procuro lembrar apenas das boas coisas. Amo meus colegas e amigos do passado e não guardo nenhuma mágoa ou ressentimento”.No entanto, nem mesmo suas conquistas, que incluem dois prêmios Laureus como melhor atleta paralímpico do mundo, em 2009 e 2013, e de outros atletas paralímpicos fizeram o preconceito acabar. “Lutamos para mostrar que a nossa deficiência física é uma característica nossa, mas não define quem somos. O preconceito existia, existe e, infelizmente, ainda vai existir”, diz Daniel.Se o preconceito e o coitadismo incomodam, o reconhecimento o alegra. “Sou feliz por ver alguém que não tem deficiência física dizer que sou exemplo para ela”, revela, dizendo que sente mais reponsabilidade ainda por ser fonte de inspiração.Apaixonado No Rio-2016, Daniel realizará seu grande sonho de competir no país, ainda mais que ele foi um dos embaixadores da candidatura brasileira. Para não decepcionar, treina todo dia em dois períodos na piscina e fazendo pilates e fisioterapia.A saga que começou numa competição em Belo Horizonte em 2005, quando ganhou suas primeiras medalhas, tem tudo para chegar no auge no Rio, onde ele defenderá seis título paralímpicos: 50m, 100m e 200m livre, 50m costas, 50m borboleta (todos na categoria S5) e 100m peito (SB4), além da possibilidade de participar de revezamentos.“Não penso em ser ‘o cara a ser batido’, pois a minha motivação vem em, primeiramente, por ser apaixonado pelo que faço e procurar sempre melhorar as minhas marcas. Todos podem esperar que me dedicarei muito e farei o meu melhor”, garante o nadador. Podem preparar o hino.