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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 29 de abril de 2026 às 14:22
O abono salarial deve encolher nos próximos anos e deixar 4,56 milhões de trabalhadores de fora até 2030, segundo projeções do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A mudança está na regra de correção do benefício, que passa a acompanhar apenas a inflação e perde ligação com o aumento do salário mínimo, o que reduz o alcance ao longo do tempo. >
A alteração foi formalizada no PLN 2/2025, que deu origem à Lei de Diretrizes Orçamentárias 2026 (LDO). O limite de renda, hoje em R$ 2.640, passa a ser corrigido apenas pela inflação medida pelo INPC, sem acompanhar o aumento real do salário mínimo.>
PIS/PASEP 2026
Com a mudança, o teto cresce mais lentamente que o salário mínimo.>
O resultado é um encolhimento gradual do público que ainda consegue acessar o benefício. Com o passar do tempo, ele passa a se concentrar em trabalhadores com renda em torno de 1,5 salário mínimo, enquanto quem está mais perto do teto atual vai ficando de fora. >
A perda acontece porque os salários seguem avançando em ritmo maior do que o teto permitido.>
De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida integra o pacote de ajustes para manter as contas públicas equilibradas dentro do novo arcabouço fiscal.>
Com o tempo, trabalhadores que hoje estão dentro da faixa acabam ultrapassando o limite, mesmo sem um aumento relevante de renda.>
O impacto será escalonado.>
A estimativa aponta que cerca de 559 mil trabalhadores deixam de receber o abono já em 2026. Esse número sobe para 2,1 milhões em 2028 e atinge o pico no fim da década, quando chega a 4,56 milhões de pessoas excluídas. >
As projeções da LDO e do Ministério do Trabalho indicam uma economia de R$ 24,8 bilhões para os cofres públicos com a mudança.>
Para quem deixa de se enquadrar nas regras, a perda média fica em torno de R$ 1.200 por ano, um valor que pesa diretamente no orçamento das famílias.>
Estados com maior concentração de trabalhadores formais, como São Paulo e o Distrito Federal, tendem a sentir impactos mais fortes.>
O novo desenho altera a lógica de acesso ao abono salarial.>
O benefício deixa de acompanhar o ganho real de renda e passa a ser corrigido apenas pela inflação, o que vai encolhendo seu alcance ao longo dos anos de forma quase imperceptível.>
Do ponto de vista fiscal, a medida ajuda a segurar as despesas. Para o trabalhador, significa uma perda gradual de renda, tendência que ganha força se o salário mínimo continuar avançando acima da inflação.>