Agência rebaixa nota, mas mantém ‘selo de bom pagador’ do Brasil

Apesar disso, a Fitch alertou que o país pode, em breve, perder essa chancela diante dos cenário econômico conturbado

Publicado em 16 de outubro de 2015 às 08:29

- Atualizado há 10 meses

A agência de classificação de risco Fitch anunciou ontem o rebaixamento da nota de crédito soberana do Brasil, mas manteve o selo internacional de bom pagador. O movimento gerou grande volatilidade nos mercados internos de ações e do dólar, mas o fechamento do pregão mostrou que o impacto foi pequeno, com queda no valor da moeda americana e valorização do Ibovespa.

Apesar de manter o grau de investimento, a Fitch alertou que o país pode, em breve, perder essa chancela diante dos cenários econômico e político conturbados. A Fitch rebaixou o país de “BBB” para “BBB-“, último degrau que garante o chamado grau de investimento.

A agência listou a recessão mais profunda e a fraca situação do mercado de trabalho, reduzida popularidade da presidente Dilma Rousseff, tensões entre o governo e Congresso, o alcance das investigações na Petrobras e riscos de impeachment presidencial como fatores que podem afetar a capacidade de melhorar as perspectivas fiscais e de crescimento do país.

“O difícil ambiente político está afetando o progresso da agenda legislativa do governo e criando reações negativas para a economia”, informou a Fitch em nota assinada pela analista Shelly Shetty. Já a perspectiva negativa, ainda segundo a Fitch, reflete a visão de que os maus desempenhos econômico e fiscal devem persistir.

Das três maiores agências de  risco, duas (Fitch e Moody’s) ainda indicam o Brasil como local seguro para investir. Já a Standard & Poor’s colocou o país no grau especulativo. Fundos de pensão internacionais só podem aplicar dinheiro em países e empresas com o aval de bons pagadores dado pelo menos por duas agências de risco.

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que o governo brasileiro tem adotado uma série de medidas de controle da inflação e reequilíbrio fiscal que “contribuirão para estabilizar a dívida pública e recuperar o crescimento da renda e do emprego nos próximos anos”.

Já parlamentares oposicionistas disseram que a decisão da Fitch é reflexo da gestão da economia pela presidente Dilma. O presidente do PSDB, maior partido de oposição, o senador Aécio Neves (MG), disse que o rebaixamento era esperado. “As contas do país vêm se deteriorando de forma extremamente grave”, disse.

Ao longo do dia, a Fitch revisou a nota de empresas brasileiras com base na nova nota do país. A maioria dos ratings manteve-se acima do soberano, em “BBB”, porém, com a dominância de perspectivas negativas. A Vale é a melhor posicionada, ao ser mantida em “BBB+”. A nota da Petrobras foi mantida igual à do Brasil (BBB-).  

O dólar atingiu  a máxima de R$ 3,875 (+1,49%) após o anúncio da Fitch, mas perdeu força, fechando em queda de 0,47%, a R$ 3,80. O rebaixamento também levou instabilidade para a Bolsa de São Paulo, mas o sinal positivo predominou.

O Ibovespa fechou em alta de 0,96%, aos 47.161,15 pontos. Na mínima, marcou 46.321 pontos (-0,83%) e, na máxima, 47.188 pontos (+1,02%).