Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Amanda Cristina de Souza
Publicado em 9 de abril de 2026 às 07:00
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem intensificado esforços para barrar ou ao menos adiar a votação da PEC 14/2021, que prevê aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). A principal preocupação é o impacto fiscal, que, segundo estimativas oficiais, seria elevado nos próximos anos. >
Segundo o Ministério da Previdência, a medida pode custar cerca de R$ 29,3 bilhões em dez anos, podendo chegar a R$ 30 bilhões. Quem sente mais esse impacto são os municípios, mas a União também seria afetada.>
Lula/ministros
A proposta, que está na Câmara dos Deputados, cria regras especiais para a aposentadoria desses profissionais. Mulheres poderiam se aposentar a partir dos 50 anos e homens aos 52, com direito à integralidade (aposentadoria calculada sobre o último salário) e paridade (mesmos reajustes dos servidores ativos).>
Mais de 400 mil profissionais podem ser beneficiados, incluindo quem já se aposentou, caso atendam aos novos critérios. Hoje, são 230.842 agentes de saúde vinculados a regimes próprios de previdência e 135.770 ligados ao INSS, principalmente servidores de prefeituras sem sistema próprio, segundo O Globo.>
O custo é o ponto que mais preocupa. De acordo com projeções do Ministério da Previdência, R$ 18,4 bilhões recairiam sobre os municípios e R$ 10,8 bilhões sobre a União. Em cenários mais longos, esse valor poderia chegar a R$ 54 bilhões, dependendo de como forem feitos os cálculos e de possíveis mudanças nas regras.>
A Confederação Nacional de Municípios também já avisou: há risco fiscal, principalmente em cidades cujos regimes próprios já estão deficitários. Especialistas ainda alertam que outras categorias podem começar a pedir benefícios parecidos, o que aumentaria ainda mais a pressão sobre as contas públicas.>
O déficit previdenciário da União, por exemplo, pode chegar a cerca de R$ 339 bilhões em 2026. Em meio ao calendário eleitoral municipal no horizonte, a estratégia do Planalto tem sido tentar frear o avanço da proposta sem confrontar diretamente a categoria, considerada estratégica para os municípios, conforme aponta O Globo.>
Quem apoia a proposta diz que ela corrige uma distorção histórica. Parlamentares e entidades lembram que “os agentes comunitários de saúde e de combate às endemias atuam na linha de frente da atenção básica”, o que justificaria regras especiais.>
Há também estudos mostrando que investir em prevenção reduz gastos futuros. Segundo essas análises, cada R$ 1 aplicado na atenção básica pode gerar até R$ 1,80 de retorno, embora esse número dependa de como é calculado e do contexto.>
O futuro da PEC 14/2021 depende do equilíbrio entre pressão política, interesses da categoria e das limitações fiscais apontadas por técnicos e gestores públicos. O tema envolve dois pontos centrais: o reconhecimento das condições de trabalho dos agentes e o impacto potencial nas contas públicas.>
O debate deve ganhar força ao longo de 2026, à medida que a proposta avança no Congresso Nacional. O resultado final poderá definir não somente o futuro da categoria, mas também a sustentabilidade financeira de municípios e estados nos próximos anos.>