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Da Redação
Publicado em 18 de novembro de 2014 às 02:38
- Atualizado há 3 anos
O Banco do Brasil e a Cielo confirmaram nesta segunda-feira, 17, que negociam uma associação bilionária no setor de cartões. A aliança deve envolver, segundo fontes, o processamento e a emissão de plásticos, além da parte operacional. O valor da acordo pode ultrapassar a marca de R$ 9 bilhões. >
O negócio, que deve sair em breve, colocou as ações da Cielo e do BB, que controla a empresa ao lado do Bradesco, entre as maiores altas do Ibovespa no pregão desta segunda. Os papéis da adquirente subiram 2,51% e os do banco avançaram 2,45% contra queda de 1% do principal índice da bolsa brasileira. >
Para a Cielo, segundo fontes, a operação será positiva pois agregará receitas com comissões. Já o BB, além de reduzir de custos e ganhar eficiência, também melhoraria sua estrutura de capital. As conversas, contudo, não foram concluídas. Se aprovado este ano, o negócio engordaria o lucro do banco e os dividendos deste ano, a serem pagos em 2015. Os R$ 9 bilhões a serem pagos pela Cielo, segundo duas fontes, é um valor razoável pelo tamanho da estrutura de cartões do BB. De janeiro a setembro, a operação teve lucro líquido de cerca de R$ 1,5 bilhão. Sua participação de mercado é de 24,9%. >
Como base de comparação, o Itaú em 2013 anunciou a compra da Credicard, do Citibank, por R$ 2,8 bilhões. A empresa detinha 4% do mercado. De acordo com fontes, ao distribuir mais recursos para seus acionistas, o BB ajuda o governo, seu controlador, a entregar um superávit primário maior neste exercício. >
Com o adiamento da divulgação da Petrobras, os dividendos a serem pagos pela companhia foram colocados em xeque. Por isso, o dinheiro do BB viria em boa hora. Frederic De Mariz, Philip Finch e Mariana Taddeo, analistas do UBS, estimam em R$ 5,4 bilhões o impacto no lucro do Banco do Brasil caso o montante de R$ 9 bilhões da negociação com a Cielo se confirme e nada mude na Elo BB Cartões Participações. O montante corresponde aos R$ 9 bilhões líquidos de impostos e alíquota de 40%. >
A operação depende também do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os conselheiros da Cielo indicados pelo BB ficarão fora das discussões por estarem em “posição de conflito”. Para ajudar o superávit primário, porém, o negócio teria de ser aprovado pelo Cade até dezembro. Segundo as novas regras do Conselho, fusões ou aquisições devem ser analisadas no prazo máximo de 240 dias, prorrogáveis por mais 90 dias.>
Financiamento Além de valor, prazo e detalhes ainda estarem sob sigilo, também é uma incógnita como será feito o pagamento deste negócio bilionário. A Cielo tem R$ 462,8 milhões em caixa. Portanto, uma das saídas seria captar recursos nos mercados local e externo. Quando adquiriu a americana Merchant e-Solutions (MeS), em julho de 2012, pagou US$ 670 milhões.>
Em paralelo, emitiu US$ 875 milhões no mercado externo, com prazo de 10 anos e retorno de 3,75% para fazer frente à parte da dívida, a menor taxa para uma empresa brasileira. O cenário agora é diferente, pois pesa sobre o preço dos bônus brasileiros a crise da Petrobras.>
Em fato relevante, a Cielo destaca que as negociações com o BB estão em linha com sua intenção de diversificar a receita em negócios relacionados a pagamentos eletrônicos e de maior eficiência operacional. Já o BB informa que estuda oportunidades para a expansão dos seus negócios de meios eletrônicos de pagamentos, bem como o incremento de sua eficiência.>