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Classificação de facções como terroristas pelos EUA pode impactar no futuro do Pix, diz ministro

Ministro Dario Durigan alerta que a oficialização do PCC e Comando Vermelho pela Casa Branca como grupo terrorista abre brecha para sanções a bancos nacionais e ameaçar uso do PIX

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 2 de junho de 2026 às 12:24

o uso do Pix via CPF agora é critério de desempate para subir na fila da restituição, acelerando o depósito para quem quer receber o dinheiro logo nos primeiros lotes.
classificação de facções como terroristas pelos EUA ameaça o futuro do Pix Crédito: IA/GEMINI

Em um movimento que acendeu o sinal de alerta máximo no governo federal, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, advertiu publicamente que a recente decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas traz um risco inédito e severo para o funcionamento do sistema financeiro nacional.

A medida do governo Trump introduz uma forte onda de insegurança institucional nas transações globais e ameaça diretamente as plataformas de pagamento instantâneo do país (PIX).

o Pix caiu no gosto popular por Bruno Peres/Agência Brasil

O avanço tecnológico e a consolidação do Pix como o maior símbolo de soberania financeira do Brasil, como disse o próprio ministro, entraram em rota de colisão com a geopolítica de segurança de Washington.

O cerco de Washington

Na última semana, a administração norte-americana formalizou a inclusão das duas maiores organizações criminosas do Brasil em sua lista de entidades terroristas globais. Sob a ótica do direito internacional e das regras de compliance financeiro dos Estados Unidos, essa designação altera completamente o status jurídico de qualquer transação que possa, mesmo de forma indireta ou involuntária, tangenciar capitais dessas facções.

O governo brasileiro sustenta de forma enfática que o combate ao crime organizado precisa ocorrer por meio da cooperação estreita entre as instituições nacionais, sem que isso resulte em asfixia ou intervenções indevidas sobre a nossa infraestrutura de pagamentos.

O temor de bastidor é que o mecanismo antiterrorismo do Departamento de Justiça norte-americano seja espelhado no Brasil de forma agressiva, gerando um efeito cascata de desconfiança internacional.

"Basta você ter uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. A autoridade americana pode dizer que esse banco está sancionado pelo Tesouro dos Estados Unidos e não pode operar com o PIX porque o sistema estaria sendo usado para movimentar dinheiro de facção criminosa", exemplificou Durigan.

Por que o Pix pode ser prejudicado?

O cerne do problema reside no risco de contaminação e na perda de autonomia cambial. Ao carimbar o PCC e o CV como terroristas, Washington passa a monitorar com lupa os fluxos monetários digitais e exige que os bancos globais apliquem restrições severas a mercados sob suspeita.

Na prática, Durigan apontou o perigo de interesses corporativos e econômicos externos utilizarem falsas premissas, como o argumento de que o crime organizado se aproveita da gratuidade e da agilidade do Pix, para desestabilizar a ferramenta nacional.

A preocupação não é hipotética. Em entrevista à rádio CBN, o ministro relembrou o precedente ocorrido no México, onde o Departamento de Justiça dos EUA utilizou justamente a alegação de vínculos com o terrorismo para determinar o fechamento sumário de três instituições financeiras locais.

Para a Fazenda, permitir que o Pix seja associado a esse tipo de narrativa abre uma brecha perigosa para sanções externas contra os bancos brasileiros, limitando o avanço e a geração de inovação tecnológica.

"O Pix é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Não podemos ficar presos ao risco de uma intervenção ou subserviência que nos tira do caminho da inovação e da geração de uma infraestrutura segura de pagamento às nossas empresas e famílias”, destacou o ministro.

Durigan sugeriu ainda que o tensionamento político tem raízes de disputa doméstica e internacional. Segundo ele, denúncias infundadas sobre o suposto uso descontrolado da ferramenta por facções foram levadas para o campo político aos técnicos dos EUA, servindo de pano de fundo para ameaças descabidas de novos "tarifaços" comerciais contra o Brasil na véspera do período eleitoral.

Ofensiva diplomática e blindagem técnica

Para conter os danos e neutralizar os riscos econômicos sobre as empresas e famílias, a estratégia do governo federal se apoiará firmemente nos canais diplomáticos e no esclarecimento técnico. A Fazenda montou um cronograma de reação imediata estruturado em três frentes de atuação:

Contatos diretos com Washington: o ministro confirmou que entrará em contato com as autoridades dos Estados Unidos para detalhar os mecanismos de rastreabilidade do Banco Central e dissipar qualquer ruído sobre a segurança do sistema.

Alinhamento com o setor produtivo: rodadas de conversas prévias com o empresariado nacional serão realizadas para calibrar a defesa da governança dos bancos locais frente à nova realidade imposta pelo Departamento do Tesouro americano.

Parcerias integradas:  o governo pretende intensificar as tratativas bilaterais focadas no combate conjunto e inteligente ao crime organizado, nos moldes das conversas produtivas já iniciadas com o secretário do Tesouro dos EUA.

Tags:

Eua Brasil Pix Economia