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Maiara Baloni
Publicado em 19 de maio de 2026 às 17:00
O avanço das facções criminosas, do narcotráfico e dos crimes ambientais entrou na mira direta de uma nova ofensiva do Governo Federal. Com o lançamento do programa Território Seguro, Amazônia Soberana, o Ministério da Justiça e Segurança Pública vai injetar R$ 209 milhões do orçamento da União para desmantelar os braços operacionais e financeiros do crime organizado. A estratégia aposta em um modelo híbrido: além do policiamento nas ruas e rios, as ações focam no desenvolvimento social para esvaziar o poder de aliciamento das quadrilhas. >
As comunidades e os territórios protegidos pela nova ofensiva federal
Assinado pelo ministro Wellington César Lima e Silva, o plano integra o macroprograma Brasil Contra o Crime Organizado e complementa o programa AMAS (Amazônia: Segurança e Soberania). O grande diferencial é que a vigilância extrapola a Amazônia Legal, estendendo-se para cortar as veias logísticas e financeiras que escoam o capital ilícito para outras regiões.>
A engenharia financeira prioriza a contenção social ao invés do gasto puramente bélico. A maior fatia do montante, que soma R$ 85,9 milhões, foi carimbada para programas de prevenção e garantia de direitos básicos, buscando disputar o domínio territorial por meio da oferta de dignidade para populações de baixa renda. >
O combate direto e as operações de retomada de áreas conflagradas receberão R$ 69,1 milhões. Outros R$ 47 milhões serão aplicados na reinserção social e no fomento da sociobioeconomia e cooperativismo regional, enquanto R$ 7 milhões darão suporte tecnológico e analítico às polícias por meio do setor de inteligência.>
Nesta fase inicial, o mapeamento cobre 42 municípios prioritários com altos índices de vulnerabilidade, distribuídos por sete macrorregiões no Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná. A inclusão de estados do Centro-Oeste e do Sul sinaliza que o governo passará a tratar o crime ambiental e o tráfico de entorpecentes como um único ecossistema criminal, rastreando ativos desde as fronteiras até os centros de distribuição. >
Essa articulação responde a uma realidade alarmante vivida por povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e pequenos agricultores. Dados do Ministério da Justiça revelam que mais de 622 mil cidadãos residem hoje sob ameaça direta de facções e milícias ambientais. O levantamento que embasa o plano aponta que o ecossistema criminoso atinge 796 Terras Indígenas. Somente ao longo do ano de 2024, foram registrados 1.241 casos de violência por disputas territoriais e ao menos 230 invasões para exploração ilegal de recursos naturais nessas áreas protegidas. >
Essa articulação responde a uma realidade alarmante vivida por povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e pequenos agricultores. Dados do Ministério da Justiça revelam que mais de 622 mil cidadãos residem hoje sob ameaça direta de facções e milícias ambientais. O levantamento que embasa o plano aponta que o ecossistema criminoso atinge 796 Terras Indígenas. Somente ao longo do ano de 2024, foram registrados 1.241 casos de violência por disputas territoriais e ao menos 230 invasões para exploração ilegal de recursos naturais nessas áreas protegidas.>