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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 19 de maio de 2026 às 15:00
Fundado em Brasília por duas bioquímicas e uma equipe inicial de apenas quatro funcionárias, o Grupo Sabin se transformou, ao longo de quatro décadas, em uma das maiores redes de medicina diagnóstica do país. Hoje, a companhia opera em escala nacional, movimenta faturamento bilionário e solidificou uma cultura corporativa fortemente associada à liderança feminina. >
Operação interditou clínicas
Criado em 2 de maio de 1984 por Janete Vaz e Sandra Soares Costa, o laboratório nasceu no Distrito Federal com uma proposta considerada inovadora para o período. Combinar atendimento humanizado, ampliação de serviços e padronização operacional em um mercado ainda pouco estruturado fora dos grandes centros urbanos.>
As fundadoras identificaram falhas recorrentes em laboratórios concorrentes, especialmente na experiência do paciente e na oferta integrada de exames. A partir dessa percepção, o Sabin ampliou gradualmente o portfólio de serviços e ganhou espaço no setor privado de saúde.>
A expansão nacional ganhou força a partir de 2010, quando o grupo deixou de concentrar operações apenas no DF e iniciou uma estratégia acelerada de aquisições. Entre 2012 e 2021, foram incorporados 32 laboratórios em diferentes regiões do país.>
Atualmente, o Sabin reúne mais de 360 unidades distribuídas em 14 estados e no DF, atendendo cerca de 7 milhões de clientes por ano. Em 2024, o grupo registrou faturamento de R$ 1,75 bilhão e já projeta se aproximar da marca de R$ 2 bilhões, firmando posição entre as maiores empresas de medicina diagnóstica do Brasil.>
Mesmo diante do interesse de fundos de investimento e movimentos frequentes de consolidação no setor, o Sabin manteve capital fechado e preservou o controle das fundadoras, uma escolha pouco comum em um mercado marcado por fusões e abertura de capital.>
A expansão também seguiu um caminho diferente do adotado por parte da concorrência. Em vez de focar exclusivamente em capitais, a empresa ampliou presença em cidades médias e municípios menores, estratégia que acelerou a interiorização da marca.>
Outro ponto de virada aconteceu com a ascensão de Lídia Abdalla à presidência da companhia. Contratada em 1999 como trainee, recém-formada em farmácia bioquímica, ela assumiu o comando em 2014 e se tornou a primeira CEO profissional da história do grupo.>
Sob sua liderança, o Sabin multiplicou operações, acelerou aquisições e ampliou áreas de atuação, mantendo ao mesmo tempo a estrutura de controle familiar.>
A presença feminina se firmou como uma das marcas mais fortes da companhia. Atualmente, mulheres representam 77% do quadro de colaboradores e ocupam 74% dos cargos de liderança, percentual acima da média observada no mercado brasileiro.>
Sandra Costa costuma definir o Sabin como uma “empresa com alma feminina”, conceito que passou a integrar a identidade institucional do grupo e sua estratégia de posicionamento.>
As fundadoras também acumularam reconhecimento empresarial ao longo dos anos. Sandra Costa apareceu em rankings da Forbes entre as mulheres mais influentes do país, enquanto Janete Vaz ganhou projeção nacional no setor de saúde e gestão corporativa.>
Nos últimos anos, o Sabin acelerou investimentos em inovação, tecnologia e sustentabilidade. Em 2020, lançou o Skyhub, primeiro hub de inovação voltado ao segmento de análises clínicas no Brasil.>
A empresa também criou a Rita Saúde, healthtech direcionada a pacientes sem plano de saúde, além de ampliar investimentos em startups ligadas à inteligência artificial aplicada a diagnósticos laboratoriais.>
Na agenda ESG, o grupo aderiu ao Pacto Global da ONU, passou a divulgar metas ambientais e ampliou políticas de diversidade, equidade e inclusão implementadas desde 2018.>
Outro braço estratégico é o Instituto Sabin, fundado em 2005, que afirma já ter impactado mais de 1 milhão de pessoas por meio de projetos sociais, ludotecas e ações gratuitas de saúde.>
Ao combinar expansão empresarial, inovação tecnológica e políticas de impacto social, o Sabin consolidou uma trajetória que ultrapassa o segmento de diagnósticos e reforça sua atuação como grupo de saúde integrado e nacional.>