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Maiara Baloni
Publicado em 18 de maio de 2026 às 15:03
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um novo capítulo de intensa articulação política nos bastidores da Câmara dos Deputados. Parlamentares dos partidos de oposição e do chamado Centrão estão se movimentando para condicionar a aprovação da redução dos dias de trabalho a um pacote robusto de alívio fiscal e trabalhista para os empresários. A estratégia foi oficializada por meio de uma emenda protocolada no limite do prazo do projeto que tramita na Casa. >
Fim da escala 6X1 e isenção de IR
A contraproposta é liderada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), autor do texto que tenta equilibrar o impacto financeiro nas empresas. Segundo o parlamentar, reduzir a jornada de trabalho sem uma contrapartida fiscal pode sufocar setores que atuam com margens de lucro mais estreitas e que dependem fortemente de mão de obra, como o comércio e o setor de prestação de serviços.>
Caberá agora ao relator do projeto na comissão especial, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), avaliar o peso político e econômico dessas sugestões para construir o texto final que será submetido ao plenário.>
A proposta de modificação apresentada por Turra ganhou atenção rápida no parlamento e reuniu a assinatura de 176 deputados federais. Entre as principais lideranças da oposição que endossaram o documento estão os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Zé Trovão (PL-SC) e Pastor Marco Feliciano (PL-SP). >
Esse bloco político sustenta que, sem uma diminuição drástica no custo de manutenção dos empregados, uma mudança repentina na rotina de trabalho das empresas trará um efeito reverso, provocando demissões em massa e desestabilizando a economia nacional.>
O plano desenhado pelos parlamentares prevê intervenções em encargos trabalhistas tradicionais. As medidas que mexem direto no bolso do trabalhador e na arrecadação da Previdência Social foram estruturadas da seguinte forma: >
Além disso, a estratégia dos deputados também inclui facilidades tributárias no cronograma. Os gastos gerados com os novos funcionários poderiam ser abatidos do cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Já para as microempresas e pequenos negócios enquadrados no Simples Nacional, as novas contratações seriam convertidas em créditos tributários para diminuir o valor total dos impostos pagos mensalmente. >
A proposta estipula também um prazo longo de adaptação, às novas regras de jornada só passariam a valer efetivamente na prática dez anos após a promulgação da PEC, dando uma década de fôlego para o planejamento financeiro das companhias.>
O projeto original que deu início a todo esse embate visa alterar drasticamente as regras trabalhistas do país, reduzindo o limite máximo de tempo trabalhado de 44 horas para 36 horas semanais. O texto que começou a tramitar prevê uma transição gradual, a jornada cairia para 40 horas no primeiro ano e perderia uma hora a cada ano seguinte até atingir o teto de 36 horas, com a proibição expressa de qualquer redução nos salários atuais. >
O avanço da pauta agora depende diretamente das negociações coordenadas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. O comando da Casa mantém reuniões frequentes com lideranças partidárias e representantes de federações do comércio e da indústria para calibrar o texto e tentar encontrar um meio-termo aceitável. No esforço de acelerar um acordo, a comissão especial planeja manter debates e votações em ritmo diário ao longo deste período.>