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Juliana Rodrigues
Publicado em 18 de maio de 2026 às 17:00
Enquanto as convenções partidárias de agosto ainda parecem distantes no calendário, o "balcão de negócios" da política brasileira sofre uma mutação digital nesta semana. Desde 15 de maio, a abertura das plataformas de financiamento coletivo, as populares vaquinhas virtuais, marca o início real da corrida eleitoral de 2026. >
Se em décadas passadas o poder de um candidato era medido pelo número de prefeitos aliados, hoje a métrica é a capacidade de converter likes em transações bancárias. Para os nomes que orbitam a sucessão presidencial e os governos estaduais, um desempenho baixo na primeira semana de arrecadação pode ser fatal para as pretensões de alianças.>
Embora o processo pareça simples para o eleitor, ele ocorre sob a vigilância rigorosa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que dita as regras do jogo. Para evitar abusos, o teto das doações é limitado a 10% da renda bruta declarada pelo cidadão no ano anterior, com as plataformas sendo obrigadas a reportar cada centavo recebido em tempo real.>
O ponto crucial, entretanto, é o gatilho financeiro; o pré-candidato só coloca a mão no dinheiro após o registro oficial da candidatura e a abertura de um CNPJ em agosto. Caso o projeto político não saia do papel, o sistema prevê o estorno obrigatório dos valores aos doadores, garantindo que a vaquinha não se transforme em um cheque em branco.>
O mercado político estará atento ao ticket médio. Candidatos com doações baixas, mas em grande volume, ostentam o selo de "populares". Já aqueles que concentram grandes quantias em poucos CPFs ligam o alerta para a dependência de elites econômicas.>