Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Maiara Baloni
Publicado em 16 de maio de 2026 às 09:00
O sonho de viver na Europa está batendo de frente com uma barreira burocrática e financeira cada vez mais alta. Dados recentes da Eurostat confirmam um aumento real no fluxo de brasileiros que iniciaram processos de saída do continente. >
Em Portugal, o cenário é de desânimo, 5.386 brasileiros foram notificados a deixar o país no último ciclo de fiscalização. O movimento reflete o fim de uma era de "portas abertas" e a chegada de regras que tornam a permanência legal um desafio de longo prazo.>
Portugal
Os indicadores da Eurostat revelam que a imigração brasileira na Europa passa por uma fase de estagnação. Embora a série histórica mostre que mais de 170 mil brasileiros obtiveram cidadania europeia nas últimas décadas, o ritmo de novas concessões tende a cair com as novas exigências. >
O serviço de estatística da União Europeia aponta que Portugal continua sendo o principal porto de entrada, concentrando 32% das naturalizações de brasileiros, seguido por Itália (17,8%) e Espanha (15,6%). No entanto, a base de dados também sinaliza que o custo de vida elevado nestes países tem sido o principal motor para o crescimento dos pedidos de retorno voluntário em 2026.>
A reforma na lei da nacionalidade portuguesa, já sancionada, alterou os planos de quem buscava o passaporte. O tempo de residência exigido para a naturalização subiu de cinco para sete anos. >
A mudança mais crítica, detalhada em levantamentos de órgãos migratórios, é que a contagem agora só começa após a emissão do título de residência definitivo. Na prática, os meses, ou anos, em que o imigrante aguarda a burocracia dos órgãos oficiais não contam mais para a nacionalidade, o que "congela" a vida de milhares de brasileiros em solo europeu.>
Somada à barreira legal, a crise imobiliária tornou a sobrevivência impraticável. De acordo com os índices de preços da Eurostat, o valor de um quarto em grandes centros como Lisboa e Porto chega a comprometer 70% de um salário mínimo local. >
Muitos brasileiros relatam que a inflação europeia corroeu o poder de compra de forma inédita. Sem a perspectiva de uma regularização rápida e com o custo de vida proibitivo, o regresso ao Brasil tem sido visto como um passo estratégico para recuperar a estabilidade financeira e emocional.>