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Saia do vermelho: passo a passo para se livrar de dívidas caras e recuperar sua renda

Com a Selic estacionada em 15%, os juros do cheque especial e do cartão rendem prejuízo recorde; entenda por que antecipar parcelas é a forma mais rápida de ver o dinheiro sobrar

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 13 de março de 2026 às 16:00

Quitar um débito e ficar sem reserva de emergência é um risco; o planejamento deve garantir que você não precise de novo crédito em breve
Quitar um débito e ficar sem reserva de emergência é um risco; o planejamento deve garantir que você não precise de novo crédito em breve Crédito: Getty Images

Com os juros em nível elevado no Brasil, especialistas em finanças pessoais têm reforçado uma recomendação simples: antes de pensar em investir ou gastar no que não é necessário, pode valer mais a pena olhar para as dívidas.

Em março de 2026, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil manteve a taxa básica de juros, a Taxa Selic, em 15% ao ano. O patamar alto encarece o crédito e aumenta o peso das parcelas no orçamento das famílias.

Nesse cenário, antecipar pagamentos, principalmente de dívidas mais caras,  pode ajudar a reduzir encargos e melhorar a organização financeira.

Cartão de crédito rotativo e cheque especial costumam aparecer no topo dessa lista, porque as taxas cobradas nessas modalidades frequentemente superam com folga o rendimento de aplicações financeiras conservadoras.

Bola de neve: por que o rotativo e o cheque especial fogem do controle?

Algumas modalidades de crédito concentram as taxas mais altas do sistema financeiro. Por isso, quando não são pagas rapidamente, podem crescer de forma acelerada.

Dados do Banco Central indicam que, em dezembro de 2025, o rotativo do cartão de crédito chegou a 440,5% ao ano para pessoas físicas.

No mesmo período:

  • o cheque especial registrou taxas entre 134% e 150% ao ano;
  • empréstimos pessoais não consignados tiveram média de 106,6% ao ano.

Mesmo com variações entre instituições financeiras, essas taxas ficam muito acima da Selic. Na prática, isso significa que pequenas dívidas podem crescer rapidamente, comprometendo uma parcela cada vez maior da renda mensal.

Estratégia de quitação e onde a antecipação gera o maior alívio no bolso

Nem todas as dívidas pesam da mesma forma no bolso. Em geral, quanto maior a taxa de juros, maior tende a ser a economia ao antecipar parcelas.

Levantamentos citados pela Agência Brasil apontam que o rotativo do cartão e o cheque especial estão entre as modalidades que mais pressionam o orçamento das famílias, com taxas que podem superar 300% ao ano em determinados casos.

Quando o consumidor antecipa pagamentos, parte dos juros compostos que ainda seriam cobrados deixa de existir, o que reduz o custo total da dívida.

Já linhas consideradas mais baratas, como crédito consignado ou financiamento imobiliário, costumam oferecer ganhos menores com a quitação antecipada, embora a estratégia ainda possa ser vantajosa dependendo do contrato.

Pagar ou investir? Quando zerar o débito é o melhor "rendimento"

Uma regra simples costuma orientar essa decisão, a comparação entre o rendimento da aplicação e o custo da dívida.

Se os juros cobrados forem maiores do que o retorno do investimento, a quitação tende a gerar economia.

Com a Selic em 15% ao ano, por exemplo, a poupança rende cerca de metade desse percentual, o que frequentemente fica abaixo das taxas cobradas em várias linhas de crédito.

Segundo o contador Carlos Alberto, da Countax Contabilidade, manter dinheiro aplicado enquanto se paga juros muito altos pode prejudicar o planejamento financeiro.

“Ao antecipar o pagamento total ou parcial da dívida, o consumidor reduz o saldo devedor e os juros futuros. Isso pode abrir espaço no orçamento para outras despesas”

Carlos Alberto Alves

contador da Countax Contabilidade

Direito ao desconto e o que o Código de Defesa do Consumidor garante na quitação

Muitos consumidores não sabem, mas a quitação antecipada garante desconto proporcional dos juros.

Esse direito está previsto no artigo 52, parágrafo 2º, do Código de Defesa do Consumidor, que determina a redução dos encargos quando o pagamento ocorre antes do prazo final do contrato.

Na prática, as parcelas futuras são recalculadas para o chamado valor presente, o que retira parte dos juros que ainda seriam cobrados.

O resultado varia conforme as condições do contrato, mas a economia pode ser significativa em dívidas com taxas elevadas.

Especialistas recomendam solicitar ao banco o cálculo atualizado do Custo Efetivo Total (CET) antes de fechar qualquer acordo.

Cuidado com  "acordo ruim" para não cair em erros comuns ao tentar sair do vermelho

Apesar das possíveis vantagens, alguns cuidados são importantes.

Entre os erros mais comuns estão:

  • usar toda a reserva de emergência para pagar dívidas;
  • contratar um novo empréstimo sem comparar taxas;
  • não verificar custos e condições do contrato.

Outro ponto essencial é registrar qualquer renegociação por escrito e solicitar ao banco o demonstrativo completo do saldo devedor.

Ferramentas de simulação financeira, disponíveis no site do Banco Central e em plataformas especializadas, também podem ajudar a comparar cenários.

O que avaliar para não se apertar logo após quitar a dívida

Quitar dívidas pode representar economia relevante, mas a decisão exige planejamento.

Especialistas em finanças pessoais recomendam não utilizar integralmente a reserva de emergência, destinada a imprevistos como perda de renda ou despesas médicas.

Em geral, o ideal é manter um colchão financeiro equivalente de três a seis meses de despesas essenciais.

Também é importante solicitar ao banco o cálculo atualizado do saldo devedor com desconto proporcional dos juros futuros, para confirmar se a antecipação realmente traz vantagem.

Quando os juros da dívida são muito superiores ao rendimento das aplicações conservadoras, a quitação antecipada pode ajudar a reduzir o risco de endividamento e melhorar o equilíbrio das contas da casa.

Tags:

Investimentos