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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 12 de março de 2026 às 11:26
A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano coloca o país entre aqueles com juros mais elevados no cenário internacional neste momento. A medida foi tomada de forma unânime pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e integra a estratégia da autoridade monetária para conter a inflação. >
No comunicado oficial, o banco afirmou que a manutenção da taxa busca garantir que a inflação caminhe em direção ao centro da meta.>
Na prática, porém, o efeito chega rapidamente ao bolso do consumidor: o crédito tende a ficar mais caro.>
Quando a taxa básica sobe, bancos e instituições financeiras costumam elevar ou manter em patamar elevado os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e modalidades emergenciais de crédito.>
A manutenção da Taxa Selic em 15% indica que a política monetária deve permanecer restritiva por mais tempo.>
Embora o comunicado do Banco Central mencione a possibilidade de cortes futuros caso o cenário inflacionário apresente melhora consistente, a autoridade monetária tem sinalizado cautela diante das incertezas econômicas.>
Na prática, isso significa um período mais prolongado de crédito caro e consumo pressionado.>
O impacto da Selic elevada aparece com mais força nas linhas de crédito mais caras, como o cheque especial.>
Desde 2020, essa modalidade possui um teto regulatório de 8% ao mês, o que equivale a cerca de 150% ao ano quando considerado o efeito dos juros compostos.>
Mesmo com esse limite, o cheque especial continua entre as formas mais caras de financiamento no sistema bancário. Isso ocorre porque as instituições financeiras mantêm spreads elevados para compensar riscos de inadimplência.>
Dados divulgados neste ano pela Agência Brasil, com base em estatísticas do Banco Central, indicam que as famílias brasileiras já comprometem cerca de 30% da renda com dívidas, o que reduz o espaço para consumo e dificulta o planejamento financeiro.>
Para entender o impacto no bolso, considere o uso de R$1.000 no cheque especial durante 30 dias.>
*Estimativa considerando ajustes de spread bancário.>
A diferença de quase R$11 em apenas um mês pode parecer pequena à primeira vista. No entanto, quando a dívida se prolonga por vários meses, o custo acumulado cresce rapidamente e pode pesar no orçamento familiar.>
Especialistas recomendam que consumidores endividados busquem substituir dívidas mais caras por opções com juros menores.>
A estratégia consiste em trocar modalidades como o cheque especial ou o rotativo do cartão por linhas de crédito com taxas mais baixas, como o crédito pessoal.>
Em muitos casos, essas opções apresentam juros próximos de 4% ao mês, o que pode reduzir significativamente o custo total da dívida ao longo do tempo.>
Para o contador da Countax, Carlos Alberto, o momento exige atenção redobrada com o orçamento doméstico.>
Carlos Alberto
Contador da CountaxEnquanto o ciclo de juros elevados persiste, especialistas de finanças recomendam cautela no uso do crédito e maior cuidado com o dinheiro.>
Até que o Banco Central inicie um movimento consistente de queda da Taxa Selic, o cenário deve continuar a pressionar o consumo e exigir das famílias um planejamento financeiro mais rigoroso.>