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Esther Morais
Publicado em 12 de março de 2026 às 12:24
O professor de História da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Rodrigo Perez de Oliveira negou as acusações de assédio e afirmou que as denúncias feitas pela colega Patrícia Valim têm como base um texto ficcional publicado por ele nas redes sociais. Segundo o docente, a situação envolve uma interpretação equivocada de um trecho de autoficção. >
“É ficção, pura ficção”, disse o professor ao comentar a denúncia de assédio moral apresentada pela colega. De acordo com ele, a publicação citada na acusação faz parte de um conjunto de contos de autoficção divulgados em suas redes sociais.>
“Em dezembro de 2024 publiquei no Instagram uma parte dos contos de autoficção que inventei, escrito por um personagem que eu inventei. O texto não faz nenhuma referência a nenhuma pessoa que exista, não cita nomes. Não há nenhum comentário depreciativo ao corpo de nenhuma mulher, nem imaginada, nem real. É uma discussão sobre o tempo”, afirmou. >
Antes disso, o professor já havia enviado uma nota ao CORREIO negando qualquer tipo de ataque à colega e afirmando desconhecer a denúncia. “Desconheço qualquer denúncia e jamais me referi a quem quer que seja nesses termos, nem em manifestações públicas e tampouco em conversas privadas. A discussão sobre o assédio é importante demais e precisa ser tratada com muito cuidado, com a devida materialidade. Qualquer tentativa de agenciamento inadequado significa prejuízo para uma pauta tão fundamental”, declarou.>
Perez também ressaltou que está na Ufba há nove anos e que as acusações surgiram quando ele já não ocupava mais o cargo de chefe do departamento. Segundo ele, eventuais denúncias já teriam sido analisadas internamente. “Se existiram denúncias, as instâncias internas responsáveis receberam e arquivaram sem que eu tenha sequer sido demandado”, disse.>
O historiador afirmou ainda que entrou em contato com a universidade após a repercussão do caso para solicitar a abertura de um processo que analise a situação. “O tema é sério e não pode ser agenciado em função de rivalidades acadêmicas e ressentimentos pessoais ou, como acontece comigo, por uma insatisfação política e ideológica com minha atuação pública”, declarou.>
A professora Patrícia Valim, também do Departamento de História da Ufba, afirma ter sido alvo de ataques e assédio moral por parte do colega em publicações nas redes sociais. Segundo ela, o professor teria feito comentários ofensivos sobre sua aparência e idade em textos publicados online. >
“Ele começou a falar do meu corpo, se sentiu no direito de analisar meu corpo. Disse que eu estou velha, entre outras ofensas sobre meu físico”, relatou - os detalhes que constam em documentos, como o ofício enviado por Patrícia ao Ministério Público, com as declarações que o professor teria feito contra ela, não serão divulgados a pedido da professora. No entanto, ela ressalta que "os prints existem e foram encaminhados para as instâncias da universidade e da Corregedoria Geral da União. Eles não serão divulgados na imprensa e nas redes sociais porque implicaria revitimização da pessoa assediada".>
Patrícia ainda afirma que, embora o nome dela não tenha sido citado diretamente nas publicações, era possível identificá-la pelo contexto das mensagens. Ela diz que recebeu capturas de tela dos posts enviadas por uma aluna e que manteve os registros, mesmo após o conteúdo ter sido apagado. "O referido professor trata como autoficção o relato de atividade laboral e análise sobre o corpo de uma colega de trabalho para tentar escapar da responsabilidade desses atos. Isso é assédio, intimidação laboral, sexualização invasiva e humilhação pública".>
A professora declarou ainda estar preocupada com o ambiente de trabalho na universidade após a repercussão do caso. " o assediador tem ameaçado e coagido estudantes que estão denunciando o lastro de assédio e intimidação dele em sala de aula. Não existe refutar uma acusao de assédio praticando assédio", denuncia.>
Segundo a Ufba, o caso está sendo analisado por diferentes setores da instituição, incluindo a ouvidoria geral, a ouvidoria das mulheres, a corregedoria e a comissão de ética.>