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Professora da Ufba denuncia ex-chefe de departamento por ataques nas redes: ‘Se sentiu no direito de analisar meu corpo’

Patrícia Valim afirma que foi alvo de ofensas sobre aparência e idade; caso está na Comissão de Ética da Ufba. Professor nega acusações.

  • Foto do(a) author(a) Esther Morais
  • Esther Morais

Publicado em 10 de março de 2026 às 07:00

Universidade Federal da Bahia (Ufba)
Universidade Federal da Bahia (Ufba) Crédito: Marina Silva/CORREIO

A professora Patrícia Valim, do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (Ufba), denunciou ter sido alvo de ataques e assédio moral por parte do professor Rodrigo Perez de Oliveira, ex-chefe do departamento de História. Segundo ela, o docente fez publicações nas redes sociais com ofensas à sua aparência e idade.

Nos posts, o colega teria feito ataques pessoais. “Ele começou a falar do meu corpo, se sentiu no direito de analisar meu corpo. Disse que eu estou velha, entre outras ofensas sobre meu físico”, contou. "No mesmo texto, ele ainda ficou falando que o pênis dele era do tamanho de uma mangueira de bombeiro", reclama. 

A historiadora detalha que, desde a chegada na universidade, o professor fez comentários transfóbicos, homofóbicos e "paquerava todo mundo". Depois de uma discordância em uma banca, em 2024, a professora recebeu de uma aluna prints de publicações feitas pelo professor nas redes sociais contra ela. Embora seu nome não tenha sido citado diretamente, Patrícia afirma que era possível identificá-la. Ela diz que os posts foram apagados posteriormente, mas que mantém os registros.

Procurada, a Ufba esclareceu que a questão está sendo tratada pela universidade através da ouvidoria geral, ouvidoria das mulheres, corregedoria e comissão de ética. A reportagem também entrou em contato com o professor, que disse desconhecer a denúncia e que jamais se referiu "a quem quer que seja nesses termos, nem em manifestações públicas e tampouco em conversas privadas".

"A discussão sobre o assédio é importante demais e precisa ser tratada com muito cuidado, com a devida materialidade. Qualquer tentativa de agenciamento inadequado significa prejuízo para a pauta tão fundamental", disse através de nota (leia a íntegra ao fim do texto).

Professor tem mais de 30 mil seguidores nas redes sociais; veja alguns dos posts por Reprodução / Redes sociais

Denúncia ao Ministério Público

A professora registrou denúncia no Ministério Público da Bahia (MP-BA). No documento, ela afirma estar sendo assediada moralmente por um colega do departamento, que estaria colocando sua honra profissional em xeque ao acusá-la nas redes sociais de perseguir um candidato.

Patrícia também informou que acionou a Controladoria-Geral da União (CGU) e instâncias internas da universidade. A corregedoria da Ufba, no entanto, arquivou o processo por falta de provas, segundo relato da professora. Outras denúncias e manifestações relacionadas ao caso ainda estão em andamento - conforme confirmou a Ufba.

Ela afirma que os ataques nas redes sociais também incluíram críticas a trabalhos de outros pesquisadores e comentários considerados ofensivos por colegas.

No último domingo (8), a professora publicou um relato sobre o caso nas redes sociais recebeu apoio de estudantes e de outros professores. Enviado sob sigilo ao CORREIO, ela também compartilhou mensagens privadas de outras pessoas relatando episódios semelhantes envolvendo o docente.

Patrícia afirma que decidiu tornar o caso público após dois anos tentando resolver a situação por vias institucionais. As aulas retornaram nesta segunda (9) na instituição. Os dois devem dar aula no mesmo prédio, no mesmo dia.

“Estou me sentindo muito preocupada com o ambiente que vou encontrar, que é o ambiente de trabalho na Ufba. Temo pela minha segurança”, afirmou.

O que diz o professor?

Ao CORREIO, o professor enviou inicialmente uma declaração, em nota, informando que desconhece qualquer denúncia e jamais se referiu a quem quer que seja nesses termos, nem em manifestações públicas e tampouco em conversas privadas. Confira na íntegra:

“Desconheço qualquer denúncia e jamais me referi a quem quer que seja nesses termos, nem em manifestações públicas e tampouco em conversas privadas. A discussão sobre o assédio é importante demais e precisa ser tratada com muito cuidado, com a devida materialidade. Qualquer tentativa de agenciamento inadequado significa prejuízo para uma pauta tão fundamental.”

Pouco depois, Perez informou que acredita que a denúncia da professora faz referência a uma obra ficcional de sua autoria. Segundo ele, o que motivou a acusação foi um texto de autoficção.

“Em dezembro de 2024 publiquei no Instagram uma parte dos contos de autoficção que inventei, escrito por um personagem que eu inventei. O texto não faz nenhuma referência a nenhuma pessoa que exista, não cita nomes. Não há nenhum comentário depreciativo ao corpo de nenhuma mulher, nem imaginada, nem real. É uma discussão sobre o tempo”, defendeu.

Ele ainda ressaltou que está na Ufba há nove anos e que a denúncia ocorreu quando já não era chefe de departamento. Também afirmou que “se existiram denúncias, as instâncias internas responsáveis receberam e arquivaram sem que eu tenha sequer sido demandado”.

O historiador acrescentou que, após a repercussão, entrou em contato com a universidade para que um processo seja aberto para analisar o caso. “O tema é sério e não pode ser agenciado em função de rivalidades acadêmicas e ressentimentos pessoais ou, como acontece comigo, por uma insatisfação política e ideológica com minha atuação pública”, afirmou.

A reportagem procurou a Ufba para confirmar a abertura do protocolo, mas não recebeu retorno até o momento.