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Esther Morais
Publicado em 10 de março de 2026 às 07:00
A professora Patrícia Valim, do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (Ufba) desde 2015, denunciou ter sido alvo de ataques e assédio moral por parte do professor Rodrigo Perez de Oliveira, ex-chefe do departamento de História. Segundo ela, o docente fez publicações nas redes sociais com ofensas à sua aparência e idade. >
Nos posts, o colega faz ataques pessoais. “Ele começou a falar do meu corpo, se sentiu no direito de analisar meu corpo. Disse que eu estou velha, entre outras ofensas sobre meu físico”, contou. "No mesmo texto, ele ainda ficou falando que o pênis dele era do tamanho de uma mangueira de bombeiro", reclama. >
A historiadora detalha que, desde a chegada na universidade, o professor fez comentários transfóbicos, homofóbicos e "paquerava todo mundo". Depois de uma discordância em uma banca, a professora recebeu de uma aluna prints de publicações feitas pelo professor nas redes sociais contra ela. Embora seu nome não tenha sido citado diretamente, Patrícia afirma que era possível identificá-la. Ela diz que os posts foram apagados posteriormente, mas que mantém os registros.>
Procurada, a Ufba esclareceu que a questão está sendo tratada pela universidade através da ouvidoria geral, ouvidoria das mulheres, corregedoria e comissão de ética. A reportagem também entrou em contato com o professor, que disse desconhecer a denúncia e que jamais se referiu 'a quem quer que seja nesses termos, nem em manifestações públicas e tampouco em conversas privadas'. >
'A discussão sobre o assédio é importante demais e precisa ser tratada com muito cuidado, com a devida materialidade. Qualquer tentativa de agenciamento inadequado significa prejuízo para a pauta tão fundamental', disse através de nota (leia a íntegra ao fim do texto).>
Professor tem mais de 30 mil seguidores nas redes sociais; veja alguns dos posts
A professora registrou denúncia no Ministério Público da Bahia (MP-BA). No documento, ela afirma estar sendo assediada moralmente por um colega do departamento, que estaria colocando sua honra profissional em xeque ao acusá-la nas redes sociais de perseguir um candidato.>
Patrícia também informou que acionou a Controladoria-Geral da União (CGU) e instâncias internas da universidade. A corregedoria da Ufba, no entanto, arquivou o processo por falta de provas, segundo relato da professora. Outras denúncias e manifestações relacionadas ao caso ainda estão em andamento - conforme confirmou a Ufba.>
Ela afirma que os ataques nas redes sociais também incluíram críticas a trabalhos de outros pesquisadores e comentários considerados ofensivos por colegas.>
No último domingo (8), a professora publicou um relato sobre o caso nas redes sociais recebeu apoio de estudantes e de outros professores. Enviado sob sigilo ao CORREIO, ela também compartilhou mensagens privadas de outras pessoas relatando episódios semelhantes envolvendo o docente.>
Patrícia afirma que decidiu tornar o caso público após dois anos tentando resolver a situação por vias institucionais. As aulas retornaram nesta segunda (9) na instituição. Os dois devem dar aula no mesmo prédio, no mesmo dia. >
“Estou me sentindo muito preocupada com o ambiente que vou encontrar, que é o ambiente de trabalho na Ufba. Temo pela minha segurança”, afirmou.>
Nota do professor>
'Desconheço qualquer denúncia e jamais me referi a quem quer que seja nesses termos, nem em manifestações públicas e tampouco em conversas privadas. A discussão sobre o assédio é importante demais e precisa ser tratada com muito cuidado, com a devida materialidade. Qualquer tentativa de agenciamento inadequado significa prejuízo para a pauta tão fundamental.'>