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A cidade brasileira onde você muda de país apenas atravessando a rua

Conheça a rotina da fronteira gaúcha onde a soberania entre duas nações é dividida apenas pelo asfalto e pela cooperação binacional

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  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 25 de abril de 2026 às 15:00

Brasil de um lado, Uruguai do outro. No Chuí, a fronteira entre os dois países é apenas um canteiro central. Um passo e você mudou de nação!
Brasil de um lado, Uruguai do outro. No Chuí, a fronteira entre os dois países é apenas um canteiro central. Um passo e você mudou de nação! Crédito: Reprodução YT/Barraca de teto diário de viagem

No extremo sul do Brasil, a linha que separa duas nações não é feita de muros, cercas ou postos de controle rigorosos.

No Chuí, cidade gaúcha que faz divisa com o Uruguai, a soberania nacional é dividida por um canteiro central em uma avenida movimentada. Atravessar a rua ali significa, literalmente, mudar de país.

A chamada Avenida Internacional é onde vive a convivência binacional. Do lado brasileiro, a via recebe o nome de Avenida Brasil; do lado uruguaio, chama-se Avenida Uruguai.

Sem barreiras físicas ou burocracias cotidianas, os moradores e visitantes circulam livremente, compartilhando não apenas o asfalto, mas costumes, rotinas e até o idioma.

Sem muros ou burocracia, a Avenida Internacional integra o comércio de free shops a uma "fronteira viva" onde português e espanhol se fundem no cotidiano por Wikimedia Commons

O paraíso das compras e do litoral

Para aqueles que desejam conhecer a cidade, o lado uruguaio de Chuy é repleto de comércio.

A cidade funciona como uma porta de entrada para o litoral do Uruguai e é famosa por seus inúmeros free shops, que impulsionam a economia local e atraem brasileiros em busca de produtos importados com isenção de impostos.

Muito mais além de compras, os destinos próximos como o Forte de Santa Teresa e os balneários da província de Rocha são paradas obrigatórias para quem decide pegar a estrada pelo extremo sul.

Uma fronteira de cooperação

Embora pareça uma divisão informal, Chuí e Chuy são regidas por diversos acordos de cooperação internacional, conhecidos como o Estatuto da Fronteira. Esses tratados buscam facilitar a vida do "cidadão fronteiriço" em áreas essenciais como saúde e educação.

Existem iniciativas para o atendimento médico binacional e até para o compartilhamento de recursos em situações de emergência, como o combate a incêndios.

No Chuí, a fronteira não é uma linha de separação, mas um ponto de encontro. Como definem estudiosos e moradores, trata-se de uma "fronteira viva", onde a identidade nacional se funde em uma convivência diária que ignora os limites do mapa.

Curiosidade: a relação de Chuí com o Oriente Médio

E para aqueles que se consideram ‘curiosos de plantão’, a cidade de Chuí guarda uma riqueza cultural inesperada que você nunca imaginou.

A cidade é considerada uma espécie de extensão do Oriente Médio na América Latina devido à forte imigração palestina e de outros povos árabes, como jordanianos e sírios.

Essa mistura influencia o comércio local e transforma a paisagem demográfica da fronteira, criando um ambiente onde o espanhol, o português e o árabe convivem em harmonia.

A paisagem religiosa também reflete essa integração. Enquanto o lado brasileiro mantém suas tradições, nota-se uma forte influência do secularismo uruguaio na região, resultando em uma das maiores proporções de pessoas que se declaram "sem religião" no Brasil.