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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 25 de abril de 2026 às 15:00
No extremo sul do Brasil, a linha que separa duas nações não é feita de muros, cercas ou postos de controle rigorosos. >
No Chuí, cidade gaúcha que faz divisa com o Uruguai, a soberania nacional é dividida por um canteiro central em uma avenida movimentada. Atravessar a rua ali significa, literalmente, mudar de país.>
A chamada Avenida Internacional é onde vive a convivência binacional. Do lado brasileiro, a via recebe o nome de Avenida Brasil; do lado uruguaio, chama-se Avenida Uruguai. >
Sem barreiras físicas ou burocracias cotidianas, os moradores e visitantes circulam livremente, compartilhando não apenas o asfalto, mas costumes, rotinas e até o idioma.>
Chui, região sul do Brasil
Para aqueles que desejam conhecer a cidade, o lado uruguaio de Chuy é repleto de comércio. >
A cidade funciona como uma porta de entrada para o litoral do Uruguai e é famosa por seus inúmeros free shops, que impulsionam a economia local e atraem brasileiros em busca de produtos importados com isenção de impostos.>
Muito mais além de compras, os destinos próximos como o Forte de Santa Teresa e os balneários da província de Rocha são paradas obrigatórias para quem decide pegar a estrada pelo extremo sul.>
Embora pareça uma divisão informal, Chuí e Chuy são regidas por diversos acordos de cooperação internacional, conhecidos como o Estatuto da Fronteira. Esses tratados buscam facilitar a vida do "cidadão fronteiriço" em áreas essenciais como saúde e educação. >
Existem iniciativas para o atendimento médico binacional e até para o compartilhamento de recursos em situações de emergência, como o combate a incêndios.>
No Chuí, a fronteira não é uma linha de separação, mas um ponto de encontro. Como definem estudiosos e moradores, trata-se de uma "fronteira viva", onde a identidade nacional se funde em uma convivência diária que ignora os limites do mapa.>
E para aqueles que se consideram ‘curiosos de plantão’, a cidade de Chuí guarda uma riqueza cultural inesperada que você nunca imaginou. >
A cidade é considerada uma espécie de extensão do Oriente Médio na América Latina devido à forte imigração palestina e de outros povos árabes, como jordanianos e sírios. >
Essa mistura influencia o comércio local e transforma a paisagem demográfica da fronteira, criando um ambiente onde o espanhol, o português e o árabe convivem em harmonia.>
A paisagem religiosa também reflete essa integração. Enquanto o lado brasileiro mantém suas tradições, nota-se uma forte influência do secularismo uruguaio na região, resultando em uma das maiores proporções de pessoas que se declaram "sem religião" no Brasil.>