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Brasileiro desistiu do Hexa? Pesquisa revela desinteresse recorde na Copa de 2026

Pela primeira vez, mais de 50% da população ignora o Mundial; fenômeno do "torcedor líquido" e o distanciamento de craques que atuam na Europa explicam o desânimo sem precedentes

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 26 de abril de 2026 às 06:30

Além do baixo rendimento em campo, a apropriação política da camisa amarela e a crise do ufanismo criam barreira inédita entre a Seleção e os eleitores de todos os espectros
Além do baixo rendimento em campo, a apropriação política da camisa amarela e a crise do ufanismo criam barreira inédita entre a Seleção e os eleitores de todos os espectros Crédito: Banco de imagem

O Brasil sempre se orgulhou do título de "país do futebol", mas os dados para a Copa de 2026 mostram que o encanto quebrou.

Pela primeira vez na história, mais da metade da população brasileira afirma em não ter qualquer interesse em acompanhar o Mundial na América do Norte.

México - País sede   por Reprodução / X

O número, apurado pelo Datafolha, supera os recordes de apatia das Copas da Rússia e do Catar, consolidando um distanciamento que vai muito além das quatro linhas.

O fim do "Pachequismo" e a crise técnica

O fenômeno não é por acaso. No campo, o desempenho da Seleção é o pior em décadas. O time encerrou as eliminatórias na quinta colocação e acumulou derrotas inéditas para adversários como a Bolívia.

Mundial de 2026 tem sede tripla nos Estados Unidos, Canadá e México por Divulgação/FIFA

Além do placar, há um desgaste do chamado "pachequismo", aquele ufanismo cego e inabalável que marcou gerações passadas.

Hoje, o torcedor é mais cético. Apenas 29% dos brasileiros acreditam na conquista do hexacampeonato, o menor nível de otimismo já registrado.

Para muitos, a Seleção tornou-se um "produto de exportação": com a maioria dos jogadores atuando na Europa, o vínculo com os clubes nacionais e com o dia a dia do torcedor local evaporou.

A camisa como campo de batalha

Outro fator que pesa no divórcio é a política. A apropriação da camisa amarela por movimentos partidários nos últimos anos criou uma barreira ideológica.

Curiosamente, o desânimo une os dois polos: tanto eleitores de Lula (51%) quanto de Bolsonaro (56%) demonstram desinteresse pelo torneio.

Para uma parcela da população, vestir as cores nacionais deixou de ser um ato esportivo para se tornar um desconforto social.

O surgimento do "Torcedor Líquido"

Se o modelo tradicional de torcer está morrendo, um novo comportamento emerge. O mercado agora lida com o "torcedor líquido". Esse público, especialmente o da Geração Z, já não tem paciência para os 90 minutos de um jogo morno na TV.

• Consumo em pílulas: 42% da Geração Z prefere ver apenas os melhores momentos (highlights) em redes sociais como TikTok e YouTube.

• Segunda tela: 45% dos brasileiros assistem às partidas com o celular na mão, interagindo em tempo real.

• Experiência sobre tradição: O engajamento agora depende de narrativas e bastidores. O torcedor moderno segue ídolos individuais e "storytelling" nas redes sociais mais do que instituições centenárias.

O impacto no bolso

Apesar da apatia com a Seleção, a economia da Copa ainda respira. A expectativa é que o mercado de eletrônicos cresça 10%, impulsionado por quem quer telas maiores e mais conectadas para transformar o jogo em um evento doméstico.

O consumo de bebidas e petiscos também deve se concentrar dentro de casa, já que 57% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos com amigos e familiares, evitando bares.

O desafio de 2026

A dois meses do início do torneio, o cenário é de incerteza. Além do clima frio em casa, há barreiras diplomáticas: o governo de Donald Trump chegou a cogitar a suspensão de vistos para brasileiros, o que poderia esvaziar a presença da torcida nos estádios americanos.

A Seleção Brasileira não perdeu apenas o favoritismo nos supercomputadores — que hoje dão ao Brasil apenas 6,23% de chance de título. Ela parece ter perdido o seu ativo mais valioso: a capacidade de parar o país.

Se em 2026 o brasileiro "nem ligar a TV", o esporte terá que aprender a sobreviver em um mundo onde a camisa amarela já não basta