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'Carta de Adeus' é o fim da banda Fresno? Lucas Silveira abre o jogo sobre novo álbum e o desejo de tocar em Salvador

Em entrevista ao CORREIO, vocalista detalha o 11º disco da banda, mergulha em memórias dos anos 80 e revela cover inédito de Marina Lima

  • Foto do(a) author(a) Ana Beatriz Sousa
  • Ana Beatriz Sousa

Publicado em 17 de abril de 2026 às 06:00

Banda Fresno lança novo álbum 'Carta de Adeus' Crédito: Divulgação/Camila Cornelsen

Com 25 anos de estrada, a banda Fresno já não precisa provar nada para ninguém, mas insiste em se desafiar. O novo trabalho, 'Carta de Adeus', surge em um momento onde a música parece descartável, durando "três ou quatro dias em conversas públicas" antes de sumir. Para Lucas Silveira, vocalista e produtor da banda, o título do álbum é um convite à escuta ativa e uma provocação aos fãs sobre a fragilidade da vida: "Tu nunca sabe se tu tá dizendo adeus ou se tu vai morrer amanhã", refletiu o músico em entrevista exclusiva ao CORREIO. 

Apesar do 'frio na barriga' que o nome do disco causa para quem acompanha a banda desde os primeiros acordes lá em Porto Alegre, em 1999, o encerramento aqui é interno. Lucas explica que as letras são, em grande parte, pescadas de histórias do passado, algumas guardadas há 15 ou 20 anos. "Acho que dá pra dizer adeus pra nós mesmos, pra uma amizade, pra uma situação que a gente não quer mais viver", conta. 

Banda Fresno por Divulgação/Camila Cornelsen

São versões do passado que precisavam ser finalmente ouvidas, fazendo as pazes com versões antigas do próprio Lucas. "Eu estar cantando essa música, talvez eu esteja fazendo as pazes com alguma situação do meu passado que, naquele passado, eu não tinha condições nem repertório de falar sobre", explica.

Um dos diferenciais deste trabalho é o resgate de fragmentos antigos. Lucas revelou possuir um 'banco de ideias' mental e físico de composições que não foram aproveitadas anteriormente. Um exemplo curioso é a faixa "O Cantor e o Taxista", que nasceu de um post em um blog que Lucas mantinha há 15 anos. Esse mesmo post, aliás, já rendeu três músicas diferentes ao longo do tempo. Para ele, a maturidade não está em fazer um 'som maduro' para agradar adultos, mas sim em ter a calma de não lançar nada que esteja 'mais ou menos'.

Musicalmente, o álbum é uma imersão nos anos 80, mas com sotaque brasileiro. Em vez de apenas copiar o que vinha de fora, a banda buscou o rock nacional daquela década, resgatando a memória afetiva das festas de infância e o impacto das bandas que moldaram o rock brasileiro, como Legião Urbana e a baiana Camisa de Vênus. Produzido pelo próprio Lucas Silveira, o disco teve como prioridade o uso de equipamentos analógicos, como sintetizadores, câmaras de eco e unidades de chorus originais da época, para trazer um toque especial e 'tátil' às canções, fazendo com que os ouvintes ouçam os instrumentos como eles são.

Essa busca pela verdade sonora também justifica a escolha do primeiro cover da história da banda em um disco de estúdio. A escolhida foi "Pessoa", composição de Dalto que ficou imortalizada na voz de Marina Lima. Para Lucas, a letra carrega uma dor que se conecta diretamente com a identidade da banda, ao ponto de muitos fãs novos acreditarem que se trata de uma música autoral. "Ela casou muito, porque acho que tem uma dor ali na letra que é parecida com as coisas que a gente canta", explica Lucas.

Para o público baiano, a notícia é animadora. Lucas admitiu que a entrevista para um veículo baiano é estratégica para abrir caminhos e levar a turnê para a cidade. "Salvador é uma cidade que a gente tem um público que é importante, que é grande, mas que tem alguns anos que a gente não consegue atender", lamenta, citando o desejo de reencontrar artistas locais como Vivendo do Ócio e Maglore, que são "amigões" de longa data da banda.

O lançamento do disco também foge do óbvio. No dia 18 de abril, a banda apresenta o álbum na íntegra em um show no Espaço Unimed, em São Paulo, antes mesmo dele chegar às plataformas digitais no dia 24. O objetivo é criar uma 'escuta ativa', combatendo a distração causada pelos algoritmos e pelo consumo rápido via streaming. "O show é tão acachapante, visualmente e sonoramente, que é difícil tu não sair de lá afetado de alguma maneira", pontua o vocalista.

Defensor da troca humana, Lucas critica o uso de Inteligência Artificial na criação musical, afirmando que, embora o resultado possa ser satisfatório, ele apaga a experiência do encontro no estúdio. Esse valor pelo toque humano se estende à mídia física: o disco terá uma música bônus exclusiva para o vinil e CD. A faixa, descrita como "a mais oitentona de todas", foi inspirada em nomes como Michael Sullivan e Guilherme Arantes, e serve como um presente nostálgico para os fãs colecionadores.

Em seu 11º álbum, a banda Fresno parece ter encontrado um equilíbrio entre abraçar a nostalgia sem se tornar refém dela. Carta de Adeus não é um encerramento, e sim, um trabalho sobre viver o presente, consciente de que o 'adeus' pode estar em qualquer esquina, sem aviso prévio.

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Música Banda Álbum Fresno Banda Fresno