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Agência Correio
Henrique Moraes
Publicado em 18 de março de 2026 às 15:30
Em 2026, a medicina começa a olhar o envelhecimento de outra forma. Em vez de focar apenas no tratamento de doenças específicas, pesquisadores estão cada vez mais interessados em entender como desacelerar o desgaste natural das células ao longo do tempo. >
Uma das áreas mais promissoras da biotecnologia investiga as chamadas drogas senolíticas. Esses compostos são desenvolvidos para ajudar o organismo a eliminar células que já não funcionam corretamente, mas que continuam no corpo causando inflamação. >
Com o passar dos anos, o acúmulo dessas estruturas pode se tornar prejudicial e contribuir para a perda de força física e para o surgimento de diversas doenças.>
Sangue - o grupo sanguíneo e a longevidade dos centenários
Essas células são conhecidas popularmente como “células zumbis”. Elas surgem quando uma célula sofre um dano irreversível. Em vez de morrer naturalmente, como acontece no processo chamado apoptose, ela entra em um estado de pausa permanente. >
O problema é que, mesmo sem se dividir, essas células continuam ativas e liberam substâncias inflamatórias que podem afetar os tecidos ao redor e acelerar o envelhecimento do organismo.>
Um estudo liderado pelo pesquisador Keenan S. Pearson, publicado na revista científica Aging Cell, apresentou um avanço importante nessa área. A pesquisa mostrou que aptâmeros de DNA podem ser usados para identificar e eliminar essas células com grande precisão.>
Na prática, essa tecnologia permite diferenciar com mais segurança células envelhecidas das células saudáveis, diminuindo o risco de danos durante possíveis tratamentos.>
A presença contínua dessas células gera um fenômeno chamado Fenótipo Secretor Associado à Senescência, conhecido pela sigla SASP. Nesse estado, as células passam a liberar proteínas inflamatórias e enzimas que prejudicam o funcionamento dos tecidos. >
Esse processo contribui para a chamada inflamação crônica de baixo grau, conhecida entre cientistas como inflammaging. É como se o organismo permanecesse constantemente em alerta, o que ao longo do tempo desgasta o sistema imunológico e acelera o envelhecimento dos órgãos.>
Especialistas apontam que controlar esse processo pode ajudar a reduzir o risco de doenças ligadas à idade, como diabetes tipo 2, aterosclerose e problemas pulmonares.>
Além das pesquisas com medicamentos, alguns hábitos de vida também podem estimular mecanismos naturais de renovação celular. >
Práticas como o jejum controlado e o consumo de certas substâncias, como a trealose, ajudam a ativar a autofagia. Esse é um processo em que o próprio corpo faz uma espécie de limpeza interna, identificando partes celulares danificadas e reciclando esses componentes.>
Quando esse mecanismo funciona bem, o organismo consegue reduzir o acúmulo de resíduos celulares e manter os tecidos em melhor estado.>
Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo apontam que a diminuição da autofagia está ligada a problemas metabólicos e ao aumento do estresse oxidativo. >
Quando o sistema de reciclagem celular está ativo, o corpo consegue lidar melhor com substâncias que danificam as células e evita o acúmulo de proteínas que sobrecarregam o organismo.>
Experimentos em laboratório mostram que estimular essa limpeza interna pode ajudar a preservar a função de vários tecidos e até reduzir a formação de novas células envelhecidas.>
Agora, cientistas buscam entender como garantir que as células eliminadas sejam substituídas por novas unidades saudáveis. >
Alguns testes clínicos iniciais já indicam resultados animadores. A combinação de dasatinibe com quercetina, por exemplo, demonstrou melhora na mobilidade e na função respiratória em pacientes com fibrose pulmonar idiopática.>
Outro composto que tem chamado atenção é a fisetina, um flavonoide presente em frutas como morangos e maçãs. Estudos indicam que essa substância pode atuar como um agente senolítico natural e contribuir para aumentar a longevidade com mais qualidade de vida.>
Embora muitos desses tratamentos ainda estejam em fase de pesquisa, especialistas acreditam que o futuro da medicina pode incluir estratégias capazes de retardar o envelhecimento celular e ajudar o corpo a se manter saudável por mais tempo.>