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Empresas de tecnologia anunciam robôs-humanos que vão servir de acompanhantes até trabalhar como operários

Desenvolvimento desta tecnologia ainda está em fase de testes, mas avança com grande velocidade

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 3 de junho de 2026 às 20:00

Recentemente, modelos da Figure AI chamaram a atenção após trabalhar por cerca de 190 horas em transmissão ao vivo
Recentemente, modelos da Figure AI chamaram a atenção após trabalhar por cerca de 190 horas em transmissão ao vivo Crédito: Reprodução / YouTube

A evolução tecnológica sempre caminhou ao lado da ideia de pós-trabalho, em que as máquinas libertariam os seres humanos do trabalho pesado. Foi assim com o maquinário que substituiu parte dos operários na Revolução Industrial. Agora, uma nova etapa desse processo começa a avançar dentro de casa: os robôs domésticos.

Hoje, a automação de tarefas já faz parte da rotina de muitas pessoas. Sistemas inteligentes controlados pelo celular ou por comandos de voz conseguem ajustar a iluminação e organizar agendas. Robôs aspiradores limpam o chão, enquanto agentes de IA marcam entrevistas e ajudam a administrar acervos pessoais.

Eric (1928), de W. H. Richards e A. H. Reffell: um dos primeiros robôs humanoides exibidos ao público por Chris Protopapas / Wikimedia Commons

A nova aposta, porém, vai além: criar robôs antropomórficos capazes de substituir humanos em diferentes tarefas do dia a dia.

Esse tipo de robô já ocupa o imaginário coletivo há décadas, de ‘Os Jetsons’ (1962) até ‘Arco’ (2025), mas agora parece mais próximo da realidade do que nunca
Esse tipo de robô já ocupa o imaginário coletivo há décadas, de ‘Os Jetsons’ (1962) até ‘Arco’ (2025), mas agora parece mais próximo da realidade do que nunca Crédito: Divulgação / IMDb

Que o trabalho monótono, desagradável e degradante seja feito por máquinas, enquanto os humanos teriam tempo para ‘fazer coisas belas’, ler e contemplar o mundo.

Oscar Wilde

em seu livro The Soul of Man under Socialism (1891)

Segundo um estudo conjunto das universidades Oxford e Ochanomizu, 40% das tarefas domésticas podem ser automatizadas nos próximos 10 anos. Entre as atividades consideradas mais fáceis de automatizar estão as compras e a limpeza da casa.

Estado atual dessa tecnologia

Apesar das expectativas elevadas, humanoides como o Figure Helix e o Tesla Optimus ainda estão distantes de uma fase comercial ampla. Por enquanto, o setor de robôs humanoides permanece em estágio de testes, protótipos e demonstrações públicas.

O maior desafio está na manipulação segura e confiável de objetos em ambientes imprevisíveis. Não basta identificar uma xícara. O robô precisa pegá-la sem quebrar, reagir a imprevistos e circular pela casa sem oferecer risco para os moradores.

Uma das empresas que tenta superar essas barreiras é a 1X Technologies, responsável pelo desenvolvimento do NEO Gamma. Segundo a companhia norueguesa, a ideia é criar uma espécie de “musculatura” robótica com fibras mais parecidas com tecidos orgânicos, permitindo movimentos delicados e operações mais precisas.

Além disso, um outro setor da indústria são os robôs acompanhantes. Essas máquinas, ao contrário do NEO Gamma ou do Figure Helix, não são projetadas para o trabalho, mas para servir como companhia e suporte emocional. Sendo um dos modelos mais recentes e evoluídos deste setor, o Moya.

Moya (2026), da DroidUp: humanoide biomimético com foco em presença humana, pele aquecida e microexpressões
Moya (2026), da DroidUp: humanoide biomimético com foco em presença humana, pele aquecida e microexpressões Crédito: Divulgação / DroidUp

Principais impeditivos

Além das barreiras tecnológicas, existem obstáculos psicológicos e éticos impostos justamente pelo público que mais interessa a esse mercado: os consumidores. Uma revisão de 2025 concluiu que a confiança nas máquinas é um fator importante para a adoção em massa desse tipo de tecnologia.

Afinal, obras como ‘O Exterminador do Futuro’ ajudaram a consolidar no imaginário popular o medo de uma possível rebelião das máquinas. Em uma casa real, a pergunta não é apenas “isso funciona?”, mas também: “eu deixaria esse robô circular sozinho pela minha sala e pelo meu quarto?”

Outro ponto importante envolve a privacidade dos clientes em relação às empresas. A preocupação cresce em um cenário no qual 61% dos cookies de sites são definidos em contexto de terceiros e 71,3% dos aplicativos entram em contato com domínios conhecidos de rastreamento, sendo que menos de 9,9% pedem consentimento antes disso.

É como um animal de estimação… mas meu animal de estimação não coleta dados sobre mim.

Jennica Li et al

parte do título de uma pesquisa que busca estudar a relação de confiança e privacidade entre famílias e seus robôs domésticos

Tags:

Indústria Robô Ciência Tecnologia Robot