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Alan Pinheiro
Publicado em 20 de maio de 2026 às 05:01
Completar o álbum da Copa do Mundo já virou rotina certa para o fã de futebol de quatro em quatro anos. No entanto, o que parecia ser motivo para diversão acabou virando preocupação com o custo total para completar o livro da Panini. Pensando nesse cenário, o CORREIO contou com a ajuda do diretor do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal da Bahia (IME Ufba), Kleyber Mota, para calcular os valores necessários para terminar a coleção da nova febre do momento.>
Impactado pelo novo formato do torneio sediado por Estados Unidos, México e Canadá, ampliado para 48 seleções, esta é, de longe, a maior coleção de todas as edições. São 112 páginas para preencher com um total de 980 figurinhas. A editora buscou manter a média de R$ 1 por cromo, mas cada envelope vendido agora custa R$ 7, reunindo 7 unidades. O álbum de “capa mole”, o mais comum de ser encontrado, sai por R$ 24,90, enquanto o de capa dura custa R$ 74,90. Já as versões prateada ou dourada chegam a R$ 79,90.>
Tradição da troca de figurinhas da Copa do Mundo vira febre em Salvador
Com cada figurinha saindo a R$ 1, o custo mínimo para completar o álbum é de R$ 980 (sem contar os cromos encontrados em garrafas da Coca-Cola). Quem prefere tentar a sorte de conseguir as quase mil figurinhas somente abrindo pacotes vai elevar o custo da brincadeira, já que a chance de vir uma repetida vai aumentando de acordo com a compra de novos pacotinhos.>
Utilizando computadores para simular o valor final para completar o álbum, o diretor do IME Ufba chegou a conclusão de que, em média, um colecionador solitário precisará comprar 7.322 figurinhas para terminar a coleção. A quantidade equivale a 1.046 pacotinhos para achar as 980 que faltam. Totalizando assim R$ 7.323,00.>
Quando se abre o primeiro pacote de figurinha, a chance (ou probabilidade) desse primeiro cromo ser inédito é de 100% (980/980). Na segunda figurinha, já existe uma colada. Assim, restando 979, o que diminui a chance de sucesso para aproximadamente 99,90% (979/980). >
Para a terceira figurinha, com duas coladas, a chance de sucesso agora é de aproximadamente 99,80% (978/980). Em suma, quanto mais figurinhas coladas, menores as chances de conseguir uma inédita ao abrir pacotes. Generalizando, quando o colecionador já tiver colado "n" figurinhas no álbum, a chance de sucesso é de (980-n)/980.>
O número de vezes que é preciso tentar algo até obter um sucesso é o inverso da chance (ou probabilidade). Ou seja, 980/(980-n). Para descobrir o total de figurinhas que é preciso comprar, deve-se somar o tempo de espera de cada um dos 980 passos.>
Total = 980/980+980/979+980/978+⋯+980/2+980/1 = 980×7,46477 ≈ R$ 7.315,47>
Álbum vai ter 980 figurinhas e pode custar R$ 7 mil
Em número de pacotinhos, R$ 7.315,47 equivale a 1.045,07 pacotes. Como esse número deve ser inteiro, o número de pacotinhos necessários é de 1046, ou seja o custo será de R$ 7.322,00. O cálculo desse valor foi realizado por computadores através das "Simulações de Monte Carlo". O computador simula milhares de pessoas abrindo pacotes e trocando figurinhas entre si até que todo mundo complete o álbum.>
Um programa de computador "finge" ser cinco ou 10 pessoas, por exemplo, comprando pacotes de figurinhas e abrindo ao mesmo tempo. O programa segue a seguinte regra: "Se o comprador A tem uma repetida que o comprador B não tem, eles trocam". O computador roda esse "jogo" milhares de vezes e dá a média exata de quantos pacotes o grupo precisou comprar para que todos completassem seus álbuns. O resultado é aproximadamente o seguinte:>
Quanto mais interação, o valor do álbum se aproxima do custo mínimo para completar. "A tarefa é custosa para quem quer completar o álbum sozinho, mas a recompensa é generosa para quem cultiva amizades. Quando você vai a um posto de troca de figurinhas, a sua repetida deixa de ser um "desperdício" e vira uma figurinha que falta no álbum do seu amigo e vice-versa", diz Kleyber Mota.>
O ponto mais comum de se encontrar pessoas socializando e trocando figurinhas são os shoppings. Na maioria desses centros comerciais, há pequenos espaços oficiais da Panini com mesas dispostas para receber os colecionadores, além de vendedores preparados para vender mais pacotes e alimentar esse ecossistema. Fora dos pontos oficiais, livrarias também se organizam para receber os grupos de trocas.>