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‘A missão de Malês é voltar para o banco dos saberes’, diz Antonio Pitanga

O filme tem pré-estreia hoje (1), no festival Open Air Brasil, mas os ingressos estão esgotados

  • Foto do(a) author(a) Gilberto Barbosa
  • Gilberto Barbosa

Publicado em 2 de outubro de 2025 às 14:52

Antônio Pitanga dirige 'Malês', que estreia nesta quinta-feira (2)
Antônio Pitanga dirige 'Malês', que estreia nesta quinta-feira (2) Crédito: Kamyla Abreu/TV Brasil

Em 24 de janeiro de 1835, um grupo de negros de origem muçulmana, lançou um levante com o objetivo de libertar os escravizados e tomar o poder em Salvador. A revolta durou apenas uma noite, sendo suprimida rapidamente pelas forças de segurança, mas deixou um legado importantíssimo, ao se tornar a maior revolta de escravizados em solo brasileiro.

A história da Revolta dos Malês ganha os cinemas do Brasil nesta quinta-feira (2), com a estreia do filme Malês, dirigido pelo baiano Antonio Pitanga. O projeto era um sonho antigo do ator e marca seu retorno à direção após mais de quatro décadas. A exibição também encerra uma jornada de quase 30 anos entre a concepção e o lançamento da obra.

Antes da estreia oficial, Malês terá uma sessão especial no festival Open Air Brasil, em Salvador, nesta quarta (1), que contará com a presença de Pitanga e do restante do elenco. O evento será realizado no Centro de Convenções, na Boca do Rio. Ao CORREIO, o diretor fala sobre a expectativa para a estreia e o processo de realização.

Antônio Pitanga dirige 'Malês', que estreia nesta quinta-feira (2) por Divulgação

O filme tem como ponto de partida o sequestro de um casal na África e a separação deles ao vir para Salvador. Como foi pensada a construção do roteiro?

A Bahia é um grande celeiro de histórias e muitas coisas que aconteceram no estado não são conhecidas no Brasil. Eu e a Manuela Dias (roteirista) mergulhamos na pesquisa e demos uma ficcionada para contar a trajetória dos personagens que fizeram esse levante. Essa é uma história que eu ouvia ainda na infância, que não esteve tão presente nos anais, e estou há muitos anos tentando contar um pouco desse levante, que foi o mais importante do século XIX.

Como teve a ideia de levar a Revolta dos Malês para as telas?

Eu nasci no Pelourinho e, naquela época, as histórias dos negros e dos movimentos populares vinham da oralidade. A década de 40 foi um período em que se aguçou o conhecimento sobre as guerras, as revoltas, os preconceitos e sobre a nossa invisibilidade. A Bahia é um estado com a maioria da população negra, mas com pouca representatividade nos espaços de poder. O filme não fala sobre uma coisa que ficou no passado, mas que está presente até os dias atuais.

São 29 anos com esse filme no meu radar e quase 20 procurando apoio para realizá-lo. Eu me sinto premiado e agradecido de poder mostrar esta obra, não só para a Bahia, mas para o Brasil. A missão de Malês é voltar para o banco dos saberes, para os quilombos para que possamos conversar, discutir e trocar. O filme é um provocador, que busca refletir sobre esse século tão importante para o Brasil, que é o século XIX.

Qual a importância de resgatar a história dos malês?

O cinema pode dar uma grande contribuição para a educação. Eu não fiz o filme pensando nisso, mesmo assim estou sendo agraciado com a aceitação maravilhosa que a obra está tendo do público. Já fui convidado por três das principais universidades dos Estados Unidos, para festivais da África, para debater sobre Malês. Isso mostra que as pessoas querem saber sobre a história do Brasil e do negro brasileiro.

Esse é o seu retorno como diretor desde o lançamento de Na Boca do Mundo, em 1978. Como foi voltar depois de tantos anos?

No Cinema Novo, cada um fazia um pouco de tudo. Fiz cerca de 50 filmes e treinei o olhar para a vivência dos personagens e conversei com os diretores. Eu não parei no tempo, continuei dirigindo porque quando você participa de um projeto, você está criando.

De que maneira sua trajetória no Cinema Novo conversa com Malês?

O Cinema Novo tinha no seu bojo esse olhar de brasilidade. Quando faço Malês, não me espelho nos filmes de Hollywood, nos filmes europeus, porque a história é brasileira.

Estamos vendo nossos filmes vencendo diversas premiações lá fora. Qual sua avaliação sobre o atual cinema brasileiro?

O cinema brasileiro está voltando com as leis de fomento e do apoio de empresas estatais com um olhar para cultura, que é um grande marketing do nosso país. Esses filmes estão rodando o mundo e as pessoas estão vendo o Brasil. Estamos em um dos momentos mais ricos do nosso cinema e Malês está nesse mesmo movimento, falando sobre a história do Brasil. Cada filme tem seu tema, mas todos têm sua brasilidade.

O filme terá pré-estreia hoje, no Open Air Brasil. Como é retornar para a Bahia?

É uma sensação de missão cumprida. Eu devolvo à Bahia o que ela me deu, que é a cultura. Fiz um trabalho com uma escola da Cidade Baixa e eles se comprometeram em levar mais de 600 jovens para ver o filme. Eu sei a importância de voltar falando sobre o povo. O baiano gosta de mostrar o seu feito e eu fico feliz de entregar um produto que retrate nossa história.