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Gabriela Cruz
Publicado em 23 de julho de 2015 às 06:48
- Atualizado há 3 anos
Adaptada, iluminação da Mercearia Pasta em Casa remete aos galpões de fábricas (Angeluci Figueiredo)A decoração com influência industrial surgiu entre os anos 1950 e 1970, nos Estados Unidos. Em Nova Iorque, diversos galpões antigos foram adaptados, virando morada para artistas e profissionais liberais que adotaram o estilo. Os lofts espaçosos tinham tijolos e tubulações aparentes, paredes de concreto e teto sem forro.A boa notícia é que você não precisa de um galpão para adotar a estética. Nada impede que os novos apartamentos, com metragens cada vez mais reduzidas, sejam decorados com essa proposta, que deixa o lar com um ar urbano e bem contemporâneo. >
“Muita gente levou o cenário para dentro de casa, buscando essa atmosfera mais despojada, fora do mercadológico. Fiz isso com meu apartamento em Salvador, de 88 metros quadrados. Queria aumentar o pé-direito e tirei o forro. Procurei um amigo que fornecia linha industrial para galpões e adquiri luminárias e outros elementos”, explica o arquiteto Caio Bandeira, do escritório CB+CO.>
Uma vantagem do estilo, em relação à parte elétrica, está na segurança do material, já que, por ser feito originalmente para fábricas, evita acidentes, como choques elétricos. Outro benefício está na praticidade para a instalação e troca de componentes, como tomadas. “Quantas vezes você deixa de comprar um equipamento porque é 220V e você só tem 110V em casa. Nesse tipo de elétrica, fica fácil resolver”, acrescenta o arquiteto.Um dos ambientes projetados pelo arquiteto Caio Bandeira no estilo industrial (acervo pessoal)Quanto à cor cinza, que predomina no estilo, a ideia é não achar que trata-se de um limitador na decoração, como pode parecer a princípio. “Dizem que o cinza é triste, mas na natureza o tronco da árvore e as pedras são dessa cor, então é um material com o qual o ser humano se identifica e que é acolhedor. Combina, inclusive, com os tons de terra”, diz Caio.>
Custos - O profissional revela que o investimento com a parte elétrica é 20% a 30% mais alto que uma obra tradicional, “mas a conta não pode ser essa, já que você acaba economizando com o forro e acabamentos como pintura”, diz Caio. No caso do seu apartamento,o arquiteto aplicou o mesmo material, que simula concreto, e manteve o teto raspado. O tom monocromático deu mais amplitude ao imóvel. “Piso de madeira e parede branca criam contrastes e limitam o espaço. No meu apartamento, eliminei até o rodapé”. Paredes no tom de cimento, elétrica em canaletas e luminária que lembra as de fábrica (acervo pessoal)>
Se você não está com dinheiro sobrando para quebrar as paredes, mas curte o estilo, a dica de Caio é apostar em objetos com estética industrial, como aqueles carrinhos usados pelos comissários de bordo para servir os passageiros de avião. “Dá para comprar em leilões das companhias aéreas e transformar em um bar. O preço não é um limitador. Você consegue criar a atmosfera com os elementos sem precisar investir na infraestrutura”, conta Caio, que é mestre em compor ambientes com baixo custo. Ele apresenta o programa Sob Medida, na Rede TV, e já mudou a decoração de mais de 100 espaços desde que o programa estreou.>
Despojado - Quem ficou curioso e quer ver de perto como é a estética industrial antes de se aventurar no estilo pode dar uma passada na Mercearia Pasta em Casa (Rua Professora Almerinda Dultra, 67 - Rio Vermelho). Aberto há dois meses, o espaço segue o conceito do restaurante de mesmo nome, que funciona no andar de cima, e que tem como proposta lembrar um galpão, onde o cliente acompanha a produção das massas e pães. >
“A gente gosta dessa coisa despojada e aposta nesse estilo, inclusive na iluminação, que tem projeto assinado por Ferna Almeida. Para ficar do jeito que queríamos, com essa estética industrial, garimpamos até em outros estados e usamos a criatividade para adaptar alguns elementos, que não encontramos nas lojas tradicionais de decoração. No caso da iluminação, conseguimos fazer algo que não comprometesse o pé- direito baixo e pontuasse alguns espaços, como a estante e a vitrine”, conta a empresária Valeska Calazans. >