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Gabriela Cruz
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 13:38
Entre a cenografia que remete às feiras livres do interior da Bahia e a trilha sonora da folia no Circuito Dodô, há uma pausa sensível no Camarote Marta Góes 2026. Quem atravessa o corredor de acesso ao espaço encontra uma exposição assinada por Flor de Lis Alencar, convidada por Marta para integrar o projeto que, neste ano, tem como tema “Alegria, Solidariedade e Folia”.
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Instalada na ambientação que recria uma pequena vila do interior (conceito desenvolvido pelo arquiteto Alex Galletti) a mostra apresenta nove telas, produzidas em técnica mista e acrílica sobre tela, com protagonismo de mulheres negras. >
Arte no camarote
Os retratos, marcados por intensidade e presença, dialogam diretamente com ancestralidade, identidade e memória, pilares que também estruturam o discurso do camarote em 2026. Natural de Uibaí, no centro-norte baiano, Flor de Lis é mulher negra e artista de múltiplas linguagens: ilustradora, designer gráfica e muralista, formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA. >
Sua produção tem como eixo central a representação feminina negra, explorando técnicas que articulam pintura, textura e composição simbólica. “Eu pinto mulheres negras, isso faz parte do meu processo de autoidentificação também, de representatividade. Pinto personagens que eu buscava na minha adolescência, na minha infância, no meu processo de descoberta enquanto mulher negra”, afirma. >
Entre as nove obras expostas, uma ocupa lugar de destaque: o retrato de Dona Maria, mãe de Marta Góes, que abre a exposição. A escolha não é apenas afetiva, mas conceitual. Ao homenagear a trajetória de uma mulher cuja história está ligada às feiras livres do interior, referência central da cenografia do camarote, a mostra estabelece uma conexão direta entre arte, memória e pertencimento. >
Ao inserir a exposição no percurso de entrada, Marta amplia o significado do espaço. Antes de chegar à sacada e aos trios elétricos, o público atravessa um ambiente que reafirma representatividade, valoriza a produção artística baiana e transforma o Carnaval em experiência cultural. A arte, ali, não é acessório: é parte da narrativa.>
O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.>