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Agência Correio
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 18:50
Um eclipse solar é, para além de muitas coisas, um belo espetáculo celeste. O outro lado da moeda é que ele também é uma experiência brutal: a luz desaparece, o ar esfria e de repente é como se a Terra entrasse em modo “boa noite”. >
Os animais compreendem esse acontecimento como um sinal. A questão é que esse sinal não é antecipado por nenhum aviso prévio.>
Terra está em constante mutação
Sendo assim, os eclipses são extremamente valiosos para os cientistas. Não é do interesse deles a parte romantizada dos instantes de escuridão; o que a ciência realmente estuda é a razão pela qual a natureza produz esse evento.>
De acordo com a Meteo Balkans, agência de meteorologia da Península Balcânica, uma equipe de cientistas escolheu observar o eclipse solar total de 2024 de uma forma inusitada. >
Ao invés de trabalhar da maneira tradicional utilizando binóculos, a equipe optou por ouvir como a paisagem sonora muda quando o dia mergulha repentinamente na escuridão.>
Eles perceberam que a impressão digital acústica do ecossistema é influenciada por inúmeros fatores, como o horário e quem está sendo avaliado. >
Os pássaros cantam, insetos zumbem, mas o que se destaca mesmo é o constante ruído humano. >
Ohio foi o palco para as gravações dos cientistas, que optaram por analisar três lugares: um laboratório de aprendizagem em pradaria, uma reserva natural e um grande parque público. >
Eles espalharam dispositivos de monitoramento acústico passivo, isto é, gravadores que captam sons sem a presença humana e sem perturbar os animais, por toda a parte.>
Os resultados partiam do princípio de que se a própria observação altera o comportamento, a testemunha mais objetiva e concreta permanece sendo a máquina. >
Intensidade do ruído, a diversidade dos sons e as espécies sonoras responsáveis por eles e a complexidade da estrutura acústica geral foram os critérios avaliados pelos cientistas.>
Nenhum colapso dramático foi registrado, mas mudanças na atividade e na diversidade sim aconteceram. O dia não “morre”, concluíram os cientistas, apenas se agita, e diferentes espécies reajustam seus comportamentos.>
Um papel fundamental no funcionamento de tudo é a estação do ano. O eclipse solar de 2024 coincidiu com o período de reprodução de diversas aves da pradaria. >
Se trata de uma época altamente organizada de atividade vocal da espécie, como cantos para atrair um parceiro ou defesa do território.>
O que acontece quando a paisagem sonora já está "carregada" por razões biológicas é que uma breve escuridão não vai conseguir desligá-la como uma lâmpada. >
Na verdade, ela a agita. Algumas vozes desaparecem, outras aparecem, outras mudam seu ritmo. O ecossistema não congela com o eclipse, ele se remonta.>