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Esther Morais
Publicado em 11 de outubro de 2024 às 09:01
Assim como o pop, rock e o funk, a música gospel tem características próprias. Com letras voltadas para a adoração e fé, o gênero no Brasil geralmente bebe de fontes das congregações cristãs norte-americanas, com direito a piano, guitarra, bateria e até mesmo corais. A tendência de trazer o que é de fora pode ser vista até em sucessos aqui no Brasil, que na verdade são traduções de louvores dos Estados Unidos, a exemplo de “Bondade de Deus” [em inglês, “Goodness of God”], “Oceanos” [Oceans, da famosa Hillsong Worship] e “Renova-me” [“Renew me”, na versão original].>
Mas, se a tradição é a influência do blues e do jazz, o grupo Restaura tratou de trazer mais brasilidade e modernidade para os púlpitos das igrejas. A banda transforma sucessos gospel em pagode! É só testar, com o som desativado. Você vê homens formando um roda e com um pandeiro, cavaquinho, entre outros instrumentos em mãos. Logo, diz, é pagode. Aí, ao ativar o som, você ouve as letras de Diante do Trono, Gabriela Rocha ou Ana Nóbrega. A inovação pode causar estranheza, o amor à primeira vista.>
Amando ou odiando, o pagode gospel é sucesso. O grupo, que teve origem em uma igreja de Santa Catarina, acumula 1,2 milhões de seguidores, mais de 201 mil ouvintes mensais no Spotify e 2 milhões de reproduções em uma só música na plataforma. Salvador, inclusive, está no top 5 das cidades que mais ouvem a banda. A capital baiana tem 7 mil ouvintes mensais. >
“Barreiras e preconceitos foram sendo quebradas, afinal, pagode gospel!? Sim, enfrentamos barreiras no meio do evangelho por se tratar de estilo musical diferente, mas nós seguimos avançando e inovando no cenário da música gospel”, diz a descrição da banda. >
Em entrevista exclusiva ao CORREIO, o vocalista Juliano Bitencourt explicou que o objetivo do ministério é pregar o evangelho. Os principais sucessos do Restaura são “Preciso de Ti”, na versão pagode do Diante do Trono, “Me atraiu” e “Bondade de Deus”, mas os integrantes também compõem canções autorais. >
Quem completa o time é Ramon Limas, no Surdo e no back-vocal. A dupla costuma chamar “irmãos”, como se chamam na igreja, para colaborações. Juntos, eles foram uma roda, como acontece com as banda seculares, para se apresentar. >
“A gente toca em igreja, casamento, aniversário, eventos [...] onde chamar para estar ministrando a gente vamos tentar levar o pagode de roda. Isso deixa o público mais próximo da gente, eles querem ter contato com o cantor e o palco deixa tudo muito restrito. Colocamos a roda, com palco 360°, desde o começo porque é um projeto evangelístico”, conta o líder do grupo. >
Um dos projetos em que a banda está envolvida é o “Tardizinha”, em referência à iniciativa do cantor Thiaguinho. “Foi ideia de um fã que foi no nosso show. Foi o maior sucesso, mas não é nosso. Fizemos uma parceira”, afirma. Não há shows previstos para a Bahia. “Nunca tocamos, mas vontade de fazer não falta”, brinca o cantor. >