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Pedro Carreiro
Publicado em 1 de abril de 2026 às 17:58
A poucos meses da próxima Copa do Mundo, a Seleção Argentina vive um cenário bem diferente daquele que marcou o título conquistado na Copa do Mundo de 2022. O que era esperado como um período de consolidação virou um ambiente de tensão, marcado por questionamentos públicos, críticas internas e instabilidade fora de campo. >
Nem mesmo a goleada por 5x1 sobre a Zâmbia, em amistoso recente, foi suficiente para aliviar o clima. Pelo contrário. Após a partida, um torcedor chegou a interromper a coletiva do técnico Lionel Scaloni para criticar o nível dos adversários escolhidos, evidenciando a insatisfação que cresce entre os argentinos.>
A situação se agrava com a indefinição envolvendo Lionel Messi. Principal referência da equipe, o camisa 10 ainda não teve presença garantida na próxima Copa. A cautela de Scaloni ao tratar do tema abriu espaço para especulações e aumentou a pressão sobre a comissão técnica.>
Fotos de Messi ao longo dos anos
Dentro de campo, o desempenho recente também não tem convencido. Apesar da vitória, a atuação diante da Mauritânia gerou críticas públicas do goleiro Emiliano Martínez, que não poupou a equipe.>
"Para ser sincero, foi bem fraco. Foi uma das piores partidas que já fizemos em amistosos. Faltou intensidade, faltou jogo, faltou velocidade. É algo que precisamos analisar, e quando vestirmos a camisa da seleção, temos que jogar muito melhor. Eu tento estar presente quando sou chamado, e eles nos pressionaram demais. Vencemos, não conhecíamos muito bem o adversário, e eles jogaram como se suas vidas dependessem disso. Precisamos mostrar um pouco mais de garra", disse.>
Diante desse cenário, jogadores mais experientes tentam conter o desgaste. O volante Rodrigo De Paul pediu união e criticou o ambiente de divisão no país.>
"Que as pessoas entendam. Porque, bom, no final, às vezes é um país que, em vez de se unir, muitas vezes destrói ou gera polêmicas, que fique claro que nós somos jogadores de futebol. E viemos para jogar futebol. Gosto que nos julguem pelo que fazemos dentro de campo e é simplesmente isso. Acho que sempre vamos tentar defender a camisa da seleção argentina. No lugar que lutamos tanto para conquistar (...) Nós viemos para jogar futebol e defender o país da forma que sabemos fazer, que é dentro de campo", afirmou.>
"Gostamos de ser julgados pelo que fazemos em campo. Não devemos espalhar desinformação; a Copa do Mundo está chegando e precisamos estar unidos. Não é justo que agora estejam tentando dividir tudo o que foi construído. Não é fácil vencer, vencer duas vezes mais; se quisermos defender o que conquistamos, todo o país precisa estar unido", reforçou.>
Se dentro de campo o desempenho gera dúvidas, fora dele a crise é ainda mais profunda. A Associação de Futebol da Argentina é alvo de investigações judiciais que envolvem seu presidente, Claudio Tapia, e outros dirigentes. As suspeitas apontam irregularidades no recolhimento de impostos e contribuições sociais, com valores que podem chegar a bilhões de pesos.>
O caso já resultou em bloqueio de bens e na convocação de dirigentes para prestar depoimento. Em resposta, a entidade decidiu paralisar temporariamente as competições nacionais, medida aprovada pela maioria dos clubes como forma de protesto.>
A AFA nega qualquer irregularidade e atribui o episódio a pressões políticas, em meio a um embate maior com o governo argentino sobre mudanças no modelo de gestão dos clubes, como a possível transformação em sociedades esportivas — proposta rejeitada pela entidade e pela maioria das equipes.>
Com dúvidas sobre seu principal jogador, críticas ao rendimento e uma crise institucional em andamento, a Argentina entra na reta final de preparação para a Copa cercada de incertezas. A equipe que conquistou o mundo em 2022 agora precisa lidar com turbulências dentro e fora de campo para tentar defender o título em um ambiente muito mais instável do que o esperado.>