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Alan Pinheiro
Publicado em 27 de abril de 2026 às 16:07
A noite do último domingo (26) para o torcedor do Vitória poderia ter terminado com uma insatisfação com o resultado do time em campo, mas todo o roteiro dentro de campo foi ofuscado por mais uma partida em que o Leão saiu na bronca contra a arbitragem brasileira. Presidente, treinador e jogadores se juntaram para protestar contra as decisões tomadas na derrota por 3x1 para o Athletico-PR. >
As reclamações do Vitória se concentram em três lances da partida contra os paranaenses. No primeiro, aos sete minutos, o Leão argumenta que o volante Zé Vitor foi agredido por Luiz Gustavo com um chute enquanto estava no chão. O volante do Athletico-PR recebeu um cartão amarelo. O mesmo atleta, no segundo tempo, parou um lance com as mãos, ocasião em que uma falta para os baianos foi marcada.>
AInda no primeiro tempo, o primeiro gol de Kevin Viveros no confronto foi originado de um pênalti que também provocou insatisfação no clube rubro-negro. A interpretação do Vitória é de que o zagueiro Cacá não cometeu carga faltosa no atacante adversário. >
O último lance que o time baiano pontuou foi a entrada que tirou o atacante Renê de campo, aos 21 minutos do segundo tempo. O defensor do Athletico-PR recebeu o cartão amarelo após acertar o atacante rubro-negro com um carrinho. Todos os três lances citados não tiveram revisão no VAR.>
Após o término da partida, o presidente do Vitória, Fábio Mota, deu uma declaração na Arena da Baixada contestando a arbitragem de Bruno Arleu Araújo, o responsável pelo VAR Jefferson Ferreira de Moraes e a comissão de arbitragem, chefiada por Rodrigo Cintra.>
“Respeitem o Vitória, respeitem o Vitória. Um absurdo o que a arbitragem está fazendo com o Esporte Clube Vitória. Os critérios que estão sendo utilizados para a escalação de arbitragem, não estamos satisfeitos. A gente se sente impotente, essa é a grande verdade. Fizemos tudo que poderíamos para fazer uma grande partida e fomos prejudicados. Prejudicado mais uma vez pela arbitragem”, disse o dirigente. >
“Faço um desafio aqui para Rodrigo Cintra: faça um levantamento dos jogos do Vitória, Remo, Chapecoense e Mirassol. Veja as arbitragens, não é só contra o Vitória, contra esses clubes também. Veja o que está acontecendo. Está na hora de reformar a comissão de arbitragem, está na hora de se repensar a comissão de arbitragem. É um escândalo o que estão fazendo. Estou orgulhoso do meu time e do jogo que fiz hoje”, finalizou.>
Após o pronunciamento da direção rubro-negra, foi a vez do treinador Jair Ventura se posicionar sobre o tema. “Falar do jogo vai ser condicionado ao que aconteceu. Essas coisas não podem nos tirar da performance que estamos fazendo. Sensação de impotência. Pedi para eles que não deixassem isso nos abalar, sair dos trilhos. Só nos resta entrar em campo, não levar esse peso. Fora do campo, o Fábio já falou e a gente espera que aconteçam mudanças. Já prejudicou. O que puder fazer para defender meus atletas vou fazer”, disse.>
Nas redes sociais, os jogadores também se manifestaram contra as decisões da arbitragem. Nomes como Renato Kayzer, Gabriel Baralhas, Caíque Gonçalves, Cacá, Anderson Pato, Claudinho e outros se mostraram insatisfeitos com o jogo. “Inadmissível o que vem acontecendo nos nossos últimos jogos. Nunca foi fácil, mas está insustentável”, escreveu Baralhas.>
Pela segunda partida seguida, o Vitória se vê diante de um imbróglio com a arbitragem. Assim como contra o Flamengo, na Copa do Brasil, o Leão entende que foi prejudicado e entra com uma representação na CBF. >
Na semana passada, o clube enviou um ofício ao presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra, solicitando as gravações dos diálogos (áudios) entre os membros da equipe do VAR, com a arbitragem de campo, bem como as imagens utilizadas para análise, nos lances indicados. >
Os áudios dos confrontos contra Flamengo e Athletico-PR, geralmente divulgados no site da CBF, não se encontram disponíveis até a publicação desta reportagem. A decisão da organização de não divulgar geralmente acontece quando as conversas do árbitro de vídeo mostram divergência entre a decisão tomada em campo e a recomendação do VAR.>
Em outubro do ano passado, a CBF conseguiu autorização da Fifa para divulgar áudios e vídeos de decisões tomadas pela equipe de arbitragem em lances considerados relevantes que não tenham tido revisão na cabine do VAR. A novidade aconteceu após polêmicas no confronto entre São Paulo e Palmeiras e foram celebradas pelo presidente Samir Xaud.>
À época, a confederação informou que os áudios e vídeos de lances sem revisão protocolar seriam disponibilizados em até 24 horas após o término da partida, respeitando diretrizes técnicas e operacionais acordadas com a FIFA. “A arbitragem está entre essas prioridades. Ampliamos agora a divulgação dos áudios, em nome da transparência”, comentou na ocasião o presidente da CBF, Samir Xaud.>
“Nessa consulta argumentamos que apresentar as checagens de grande impacto, mesmo sem ida do árbitro à cabine, reforçaria a integridade de nossas competições. Recebemos a liberação, para fins de instrução e transparência”, esclareceu Rodrigo Cintra, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.>
Em contato com a CBF, foi informado que apenas os áudios das revisões serão divulgados. A decisão da Comissão de Arbitragem foi decidida no início desta temporada. "Como as decisões de campo foram mantidas, o material não será divulgado. Os áudios estão à disposição dos clubes para serem exibidos nas reuniões que acontecem toda à segunda-feira", informou em nota.>
O Vitória volta a campo já nesta quarta-feira (27), quando enfrenta o Confiança, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste. O Leão, como adiantou Jair Ventura, vai com o que “tem de melhor” para assegurar a primeira posição no grupo A.>