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Gabriela Araújo
Publicado em 29 de abril de 2026 às 05:00
Até 2030, cerca de 170 milhões de novos empregos poderão surgir no mundo, enquanto 92 milhões de funções devem ser extintas, com saldo positivo de 78 milhões de vagas. Os dados são do Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, que aponta mudanças profundas no mercado de trabalho, impulsionadas pela automação, inteligência artificial e digitalização dos negócios. >
Esse cenário acende um alerta: embora haja mais oportunidades, a força de trabalho precisará se requalificar. O desafio não é mais apenas ter formação, mas se adaptar continuamente. Para acompanhar essas mudanças, a formação profissional também evolui. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) Bahia, por exemplo, tem ajustado seus cursos de acordo com as demandas do mercado.>
Mercado de trabalho
“A atuação do Senac está diretamente conectada ao desenvolvimento do comércio de bens, serviços e turismo do estado da Bahia. Ao investir na qualificação profissional, fortalecemos as empresas, aprimoramos a prestação de serviços e contribuímos para um ambiente de negócios mais competitivo. No turismo, por exemplo, isso se reflete em melhor atendimento, maior satisfação do visitante e geração de oportunidades em toda a cadeia produtiva”, afirmou Kelsor Fernandes, presidente do Sistema Comércio Bahia.>
De acordo com a diretora regional da instituição, Ana Rita Andrade, esse processo é contínuo e baseado em escuta ativa. “O Senac Bahia atua de forma permanente na escuta do mercado, por meio de estudos, parcerias com o setor produtivo e acompanhamento de tendências nacionais e internacionais”, explicou, em entrevista ao jornal CORREIO.>
Ainda segundo ela, essa análise orienta a atualização dos cursos e metodologias. “A partir dessa inteligência, atualizamos nossos portfólios de cursos, incorporando novas tecnologias, metodologias ativas e conteúdos alinhados às demandas reais das empresas”, detalhou.>
Além da formação técnica, o mercado também exige habilidades comportamentais. Pensamento crítico, adaptabilidade, comunicação, criatividade e colaboração estão entre as mais valorizadas, assim como competências digitais, aprendizado contínuo e inteligência emocional. Para Ana Rita, essas habilidades são parte essencial da formação. “O profissional do futuro é aquele que combina conhecimento técnico com postura ética, visão sistêmica e abertura para mudanças”, destacou.>
Os formatos de ensino também acompanham essas mudanças. Cursos híbridos e trilhas flexíveis permitem que o estudante personalize a aprendizagem, combinando atividades presenciais e conteúdos digitais. Esse modelo aproxima a formação da prática e das necessidades do trabalho.>
O alinhamento entre formação e mercado foi fundamental para que Filippe Vila Flor, ex-aluno do curso de Gastronomia do Senac, pudesse atuar na área. Aos 19 anos, o jovem trabalha em um restaurante em Salvador e também empreende com pizzas artesanais.>
“Eu cheguei no mercado de trabalho com uma grande vantagem, que foi ter passado por um processo de aprendizagem qualificado. Eu consegui dar esse passo à frente no mercado de trabalho”, relatou.>
As mudanças apontadas pelo Future of Jobs Report 2025 não impactam apenas o emprego formal, mas também ampliam o espaço para novas formas de trabalho. Nesse cenário, o empreendedorismo se consolida como um dos caminhos possíveis dentro das carreiras, acompanhando a necessidade de adaptação contínua e desenvolvimento de novas competências.>
Segundo Jorge Khoury, diretor superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) Bahia, o Brasil vem alcançando números recordes de novos empreendimentos. "Em 2024, atingimos 33,4% da população adulta envolvida em algum negócio, o que equivale a cerca de 47 milhões de brasileiros empreendendo", informou.>
Ao CORREIO, ele explicou que o crescimento está ligado a fatores como a melhoria no ambiente de formalização, o avanço da tecnologia e o fortalecimento da cultura empreendedora. Na Bahia, esse movimento acompanha a tendência nacional.>
"O estado vive um ciclo de expansão do empreendedorismo, marcado pela formalização e pelo dinamismo dos pequenos negócios, tendo ultrapassado 1,1 milhão de empresas formalizadas no Simples, das quais mais de 800 mil são MEI. Esse recorde aponta para um cenário de expansão e inclusão produtiva que impulsiona a economia, a distribuição de renda e a geração de vagas de trabalho local. Hoje, mais de 90% das empresas baianas são de pequeno porte, espalhadas por comércio, serviços, indústria e agro", pontuou.>
Esse novo contexto reforça o que já vinha sendo apontado na formação profissional. Assim como destaca Ana Rita Andrade, a necessidade de desenvolver habilidades como adaptabilidade, pensamento crítico e aprendizado contínuo também aparece no empreendedorismo, onde essas competências são fundamentais para lidar com as incertezas do mercado.>
Ao mesmo tempo, o perfil de quem empreende se torna mais diverso. Não há mais um modelo único, mas trajetórias variadas, que incluem desde jovens iniciando negócios até profissionais em transição de carreira. Em comum, está a busca por autonomia e realização profissional, características cada vez mais presentes nas escolhas de carreira.>
"Um exemplo nítido dessa nova realidade é o avanço da presença feminina: as mulheres são 34% dos donos de negócios no país e quase metade dos MEIs registrados. Além da diversificação de gênero, há pluralidade em idades, origens, etnias e segmentos: jovens saindo da faculdade para criar startups, profissionais experientes que deixam carreiras corporativas para abrir seu negócio, mães e pais empreendendo para ter flexibilidade, afroempreendedores que são um relevante motor de negócios para a Bahia, e empreendedores acima de 50 anos abraçando novos projetos", disse Jorge Khoury.>
Quando se trata de pequenos negócios e mercado de trabalho, esses empreendimentos geram quase 60% das vagas com carteira assinada no país e na Bahia, de acordo com o diretor superintendente do Sebrae. Conforme Khoury, outro dado marcante é que, em território baiano, 75% das mulheres empreendedoras se autodeclaram negras, fator que coloca em evidência o papel da mulher negra na economia local. >
“Esse novo empreendedor e empreendedora pode ser tanto alguém movido por um sonho de inovação quanto alguém que abriu uma empresa por necessidade de sobrevivência, e ambos estão redefinindo o mercado. Se há algo em comum, talvez seja o espírito de autonomia e a busca pela realização profissional. Pesquisas do Sebrae revelam que autonomia e independência são fatores decisivos para a maioria das pessoas dar essa guinada na vida e abraçarem o empreendedorismo como uma oportunidade”, acrescentou. >
Nesse contexto, o Sebrae tem atuado em várias frentes para apoiar quem deseja transformar o empreendedorismo em uma carreira estruturada e sustentável, com investimentos em educação empreendedora e capacitação, programas para a Educação Básica de crianças e jovens nas escolas, até programas avançados para desenvolver o comportamento empreendedor, como o Empretec, metodologia da ONU aplicada com exclusividade pelo Sebrae. >
Para quem já empreende e está abrindo um negócio, o Sebrae possui uma rede de 29 agências espalhadas em toda a Bahia para a realização de cursos presenciais e a distância, além de consultorias especializadas em finanças, marketing, inovação e outras áreas, ajudando o empreendedor a estruturar sua empresa, melhorar processos e buscar competitividade. >
O Projeto Carreira e Futuro é uma realização do Jornal Correio com apoio do SEBRAE e do SENAC – BA. >