Bahia tem o pior rendimento médio por trabalhador do país

Quem está em emprego formal recebe mais que o dobro da renda dos informais no estado

Publicado em 6 de dezembro de 2023 às 12:01

Diferença é maior entre negros e brancos, e entre homens e mulheres
Diferença é maior entre negros e brancos, e entre homens e mulheres Crédito: Marina Silva/ Arquivo CORREIO

O rendimento médio mensal recebido por um trabalhador na Bahia é de R$ 1.613, o menor do país. O dado é daa pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2023 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2022, e divulgada nesta quarta-feira (6). Trabalhadores formais recebem mais que o dobro da renda dos informais no estado. Além disso, pessoas brancas na formalidade faturam três vezes mais que os negros que estão na informalidade.

O valor mensal recebido pelo trabalhador sobe de R$ 1.613 para R$ 2.304 se ele estiver em um emprego formal, e caí para R$ 1.067 se ele estiver na informalidade. Ou seja, no estado, alguém que está atuando em uma atividade formal tem um faturamento 115,9% superior a um trabalhador informal.

A promotora de vendas Juliana Oliveira, 27 anos, trabalha em uma loja física com carteira assinada e tem um rendimento mensal maior que o do irmão dela, que trabalha como feirante. E o salário do pai dela, que atua como segurança, é maior que o faturamento da irmã, que trabalha como autônoma.

“Os salários não são altos, na Bahia as empresas pagam muito mal, mas é inegável que temos um rendimento maior que o dos meus irmãos que estão no mercado informal. As pessoas falam muito em empreender como se ser autônomo fosse apenas maravilhas, mas não é, principalmente na Bahia”, disse.

Em Salvador, a diferença é um pouco menor. Um trabalhador formal tem rendimento de cerca de R$ 3.162, enquanto que um informal recebe mensalmente, em média, R$ 1.631. A diferença é de 93,9%.

Gênero e raça

A pesquisa também revelou que a diferença de rendimento entre um homem trabalhando em emprego formal e uma mulher na informalidade alcança 155,4%, na Bahia, e 169%, em Salvador. Além disso, pessoas brancas na formalidade recebem o triplo que pessoas negras na informalidade. Para se ter uma ideia, na capital a média é de R$ 5.686, para branco, e de R$ 1.550, para negros. A discrepância no faturamento é de 266,8%, maior que a média nacional de 198,8%.

No estado, a proporção de trabalhadores informais cresceu entre 2021 e 2022, passando de 56,1% para 57,5% do total da população ocupada, maior intensidade para o estado desde 2013 e a 5ª maior do país no ano.

Em 2022, em relação à população ocupada, 57,9% dos homens e 57,1% das mulheres estavam na informalidade na Bahia. No estado, a proporção de informais era maior entre pretos e pardos (58,7%) do que entre brancos (51,9%).