LITERATURA

Centro Educacional Santo Antônio celebra Dia Mundial do Livro com Oficina de Griô

Escola fundada por Santa Dulce dos Pobres incentiva a leitura ao abordar cultura indígena e oralidade

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Publicado em 22 de abril de 2024 às 22:07

Oficina de Griô acontecerá no Centro Educacional Santo Antônio
Oficina de Griô acontecerá no Centro Educacional Santo Antônio Crédito: Reprodução

Guardiões da história oral e conhecimentos ancestrais de um povo: esta é uma das definições para os Griôs, tradicionais contadores de história oriundos do continente africano. No Centro Educacional Santo Antônio (CESA), núcleo das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) em Simões Filho, o título também dá nome a uma oficina destinada a crianças que estudam na instituição escolar. Na Oficina de Griô, alunos do ensino fundamental aprendem sobre a importância da leitura e da preservação da memória por meio de aulas que integram diferentes linguagens artísticas, como a literatura, o teatro e as artes visuais. A iniciativa é um dos destaques na semana em que se comemora o Dia Mundial do Livro (23 de abril).

Durante todo o ano letivo, as crianças se debruçam sobre livros de escritores indígenas e que retratam a cultura dos povos originários. Em 2024, a memória do povo Pataxó - composto por diversas aldeias concentradas no sul da Bahia e no norte de Minas Gerais - é o tema norteador das aulas de contação de histórias, por meio da obra "Txopai e Irôhã", escrita por Kanátyo Pataxó. A narrativa conta o mito de origem do primeiro Pataxó que, com a sabedoria de quem nasceu primeiro, ensina aos seus irmãos como caçar, plantar e usufruir da terra respeitando os recursos naturais.

Parte da grade de aulas que envolvem metodologias artísticas, a oficina que trabalha a contação de histórias tem como objetivo possibilitar aos estudantes que estão se alfabetizando a formação do pensamento crítico. “A Oficina de Griô é principalmente uma ferramenta para a leitura e o letramento. Nela, os estudantes têm os momentos de leitura e aprendem sobre expressão oral e percepção corporal, técnicas para falar, para contar uma história, posicionamento e trabalho com a voz, pois a leitura também existe além da escrita”, explica o coordenador do Núcleo de Arte-educação do CESA, Léo Passos.

Os trabalhos construídos ao longo do período são apresentados a toda a escola em espetáculos protagonizados pelos próprios estudantes no fim do ano letivo. Aluna do 2º ano no Centro Educacional, Eluísa Souza, 7 anos, foi uma das integrantes da Oficina de Griô e compartilhou o processo com outro agente importante nesse letramento: a própria família. Tayane Souza, mãe de Eluísa, conta que as aulas do projeto auxiliaram não só no desenvolvimento dela, mas também a despertar o olhar dos familiares para as origens. "Eu não fui incentivada a ler quando era mais nova e, como mãe, tenho aprendido muitas coisas com ela, que sempre leva para casa o que aprende na oficina, seja a história dos livros ou brincadeiras de outras culturas. Além disso, a bisavó dela é indígena, então, com base nas leituras, ela foi aprimorando essa parte intelectual e a leitura de mundo”, afirma.

Literatura na escola 

Além da Oficina de Griô, o Centro Educacional Santo Antônio desenvolve diversas atividades de incentivo à leitura. De acordo com a coordenadora pedagógica, Rita Fróis, o estímulo começa na própria ambientação em sala de aula, com os ‘cantinhos de leitura’, que reúnem títulos literários de acordo com a série escolar e a faixa etária da turma.

Projeto de contação de histórias realizado no CESA, A Hora do Conto reserva aos estudantes, semanalmente, um momento na biblioteca para ouvir diferentes narrativas contadas pelos educadores. “É um processo de estímulo para que essas crianças gostem de estar naquele ambiente e se envolvam com a história. A partir disso, levamos diferentes enredos, que vão desde os contos clássicos às histórias que se aproximam da realidade desses estudantes”, comenta.

Outro projeto é a Sacola Literária, que propõe a integração com os familiares. Recheada de livros, a sacola circula pela sala de aula e os alunos escolhem obras que levarão para casa semanalmente. “Eles escolhem um livro para ler com a família, então, se a família não sabe ler, ou se o próprio estudante ainda não sabe ler, eles vão interpretar as imagens e, no retorno à sala de aula, ele representa aquilo de alguma forma, pode ser um desenho ou a representação através de um objeto que ele tenha em casa, e por fim, socializa com a turma”, explica Rita Fróis.