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Conheça peças e artistas expostos na Galeria Mercado

Espaço foi inaugurado nesta quarta-feira (10)

  • R
  • Raquel Brito

Publicado em 11 de janeiro de 2024 às 05:00

Vinicius S.A trabalha em 'Lágrimas' há 18 anos
Vinicius S.A trabalha em 'Lágrimas' há 18 anos Crédito: Paula Froes/CORREIO

“Quando eu fiz essa exposição pela primeira vez, há quase duas décadas, coloquei umas 30 lágrimas acima da minha cama, que eu ficava olhando e falava ‘ vou rodar o mundo com essa obra’. Agora, descobri que posso rodar o mundo estando aqui na minha cidade”. Para Vinicius S.A, é essa a sensação de ter sua arte exposta na Galeria Mercado, localizada no subsolo do Mercado Modelo, um dos principais cartões postais de Salvador.

O espaço, que tem o objetivo de ampliar  o panorama artístico da cidade, une a contemporaneidade da obra de Vinicius ao modernismo de Mário Cravo Jr. e Rubem Valentim. Todas as exposições serão permanentes.

Vinicius integra a exposição com a obra Lágrimas de São Pedro, que conta com 15 mil lâmpadas reutilizadas preenchidas com resina. Ele trabalha com esse projeto desde 2005 e já levou para mais de dez cidades do Brasil, além de Las Vegas, nos Estados Unidos, e Frankfurt, na Alemanha.

O artista de 40 anos conta que a obra nasceu de uma junção da sua mente inquieta com memórias da infância. Criado na cidade grande, relembra o tempo em que foi passar as férias numa cidade sertaneja, onde assolava a seca. Em um dos dias, enquanto jogava bola com os amigos, viu a chuva cair e os moradores saírem de suas casas, incrédulos e gratos pela chegada da água sagrada.

A curadora Thais Darzé diz que a participação de Rubem Valentim concretiza o sonho do artista plástico, que desejava ter as obras expostas ao público. Serão três esculturas da série Templo de Oxalá. Imponentes, os monumentos brancos se apropriam das formas geométricas para fazer referência aos orixás.

Distribuídas pelo ambiente, mais três esculturas se destacam, ainda que pequenas em estatura: o Exu, Cabeça e uma terceira obra sem título, todas da série Cabeça de Tempo, de Mário Cravo Jr. Feitas com base na carranca e utilizando a madeira do incêndio que ocorreu no atual Mercado Modelo, na década de 1980.

Para Thais, essa união de estilos foi essencial para pôr em evidência noções pré-concebidas da arte. “Esta exposição nasce do desejo e da necessidade de superar os antagonismos entre erudito e popular, arte e artesanato. Uma galeria de arte dentro do Mercado Modelo nos leva a refletir sobre essas questões. As obras e artistas selecionadas tensionam esse conceito”, afirma.

Para manter viva a memória do Mercado, um conjunto de 16 imagens contam a história do local numa linha do tempo. De sua construção ao incêndio de 1984, as fotografias passam por festas que aconteceram no local e personagens importantes para essa história, como Maria de São Pedro e o comerciante conhecido como Camafeu de Oxóssi, que dão nome aos restaurantes do Mercado, além de personalidades como Mãe Menininha do Gantois, Mãe Senhora e o músico Raimundo Nonato da Cruz, o Chocolate da Bahia.

Além dessas, duas outras peças completam a coleção, estas de um modo mais curioso. Encontradas durante a organização do espaço para a revitalização, após os 15 anos que o subsolo passou fechado, a Nossa Senhora da Conceição e o São José, ambos de autoria não identificada, foram rapidamente integrados à galeria.

Encontrar a imagem de São José, conhecido como o ‘santo das chuvas’, no local onde ficaria a instalação de Lágrimas foi especialmente tocante para Vinicius. “Em todas as exposições que fiz de Lágrimas, tem um cântico para São José em pedido de chuva. Quando eu chego nesse lugar no lugar que está a exposição, encontro São José. Passa às vezes despercebido, está escondidinho, mas ele está ali com a força, no canto, com muita energia”, afirma, animado.

Segundo Analu Garrido, presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado Modelo (Ascomm), a chegada da Galeria no Mercado Modelo marca um novo momento para os permissionários do local e para todo o ponto turístico. “Com essas obras, se nós recebíamos 80% dos turistas que vêm a Salvador, agora vamos receber 100%. A Galeria vai ser um atrativo não só para os turistas, mas para os soteropolitanos em geral”, diz.

Inauguração

A abertura teve a presença do prefeito Bruno Reis e do secretário de Cultura e Turismo (Secult) Pedro Tourinho, que idealizou a Galeria. Segundo ele, a ideia veio num dia de visita ao Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), após um pedido do prefeito Bruno Reis para que pensasse em um atrativo que potencializasse o subsolo do Mercado Modelo.

“Foi passada essa missão, esse desafio para a gente, que pegamos com muita responsabilidade, porque é um espaço que a gente sabe que sempre teve histórias, curiosidade e até algum tipo de medo, com o espaço insalubre muitas vezes”, afirmou Tourinho.

Para o prefeito Bruno Reis, a história de Salvador está no Mercado Modelo, e utilizar esse espaço como um ponto de confluência para artistas da capital baiana é um resgate dessa história.

“A gente sabe que o Mercado Modelo é um dos principais cartões postais de Salvador, que ele, pela sua beleza, atrai milhares de visitantes pelos produtos típicos que são comercializados pelos meus amigos permissionários. Mas nós queríamos mais e podíamos ter mais. A cidade vem fazendo um esforço nos últimos anos com a implantação de equipamentos que possam fazer com que os turistas permaneçam mais tempo em nossa cidade e possam oferecer conteúdo para quem vem nos visitar”, afirma o prefeito.

A inauguração, que estava prevista para o dia 5, foi remarcada por questões de estratégia, de acordo com a Secult. A exposição marca a reabertura do subsolo do Mercado Modelo, que estava desativado há 15 anos.

*Com orientação de Fernanda Varela.