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Impacto da desinformação na saúde pública é tema de painel no 2° dia do Scream Festival 2023

No Espaço Cultural Barroquinha, painelistas criticam produção de fake news na pandemia

  • E
  • Emilly Oliveira

Publicado em 1 de dezembro de 2023 às 20:11

Painel sobre fake news e saúde pública foi um dos destaques do segundo dia da 6ª edição do Scream Festival 2023
Painel sobre fake news e saúde pública foi um dos destaques do segundo dia da 6ª edição do Scream Festival 2023 Crédito: Ana Lucia Albuquerque/ CORREIO

O impacto negativo da desinformação na saúde pública foi o tema central do painel ‘Combate às fake news como política de saúde pública’, no segundo dia da 6ª edição do Scream Festival 2023. Ocorrido na tarde desta sexta-feira (1°), no Espaço Cultural Barroquinha, o debate contou com a participação da biomédica que coordenou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2 , Jaqueline Goes, do fundador da startup AfroSaúde, Arthur Lima, e da advogada com atuação na promoção da liberdade de expressão, Samara Castro.

A mediação ficou a cargo da editora-chefe do CORREIO, Linda Bezerra, que abriu o painel destacando que a desinformação não é uma dor só do jornalismo. Segundo ela, caiu nas costas da comunicação porque a informação é a matéria-prima do ramo. “A questão das mentiras espalhadas influencia no bem-estar político, econômico e social. É um problema do homo sapiens em todo o planeta. Vamos construir uma memória falsa?”, questionou.

Dados do Comprova mostram o quanto as fake news circularam na pandemia. Em 2020, 71% das verificações eram relacionadas a esse período. Em 2023, ainda há 18% de informações inverídicas.

Linda Bezerra, editora-chefe do CORREIO
Linda Bezerra, editora-chefe do CORREIO Crédito: Ana Lucia Albuquerque/ CORREIO

Questionados sobre o impacto da desinformação no trabalho que exercem no seguimento da saúde, as fake news relacionadas à pandemia também foram apontadas como as principais responsáveis pelos problemas identificados por Arthur Lima e Jaqueline Goes na saúde pública atualmente.

Para Arthur, houve um retrocesso na cobertura vacinal dos seus pacientes. Além de fundador da Afro Saúde, plataforma para pacientes que buscam profissionais de saúde negros e oferece meios para esses profissionais organizarem os seus negócios, ele também é dentista, especialista em Saúde da Família e mestre em Saúde.

Arthur Lima, fundador do AfroSaúde
Arthur Lima, fundador do AfroSaúde Crédito: Ana Lucia Albuquerque/ CORREIO

“Quando eu comparo 2017 a 2019 com 2021 e 2022, foi a presença de pessoas nas unidades [de saúde] para tomar vacina que me marcou muito durante a pandemia, porque falávamos: ‘teremos dia D’, e a unidade superlotava. Não precisava de carro, nem ficar convencendo os usuários a irem se vacinar. Depois [da pandemia], quando eu fui me vacinar com as diferentes doses, em diferentes unidades, elas estavam vazias”, afirmou Arthur.

Para a  biomédica baiana Jaqueline Goes, mostrar a seguridade das vacinas, diante do volume de informações falsas que circularam e ainda circulam na internet e nas redes sociais, foi o maior desafio.

biomédica que coordenou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2
biomédica que coordenou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2 Crédito: Ana Lucia Albuquerque/ CORREIO

“Foi a fake news mais importante que corrobora com o que Arthur disse: as pessoas deixaram de se vacinar porque tinham medo de estar chipadas ou desse material genético ser um mecanismo de controle social. Permeia um universo do medo e do terrorismo sobre algo que acabou de ganhar o prêmio Nobel e que tem 20 anos de pesquisa”, afirmou Jaqueline, se referindo à produção de vacinas contra a Covid-19 com RNA Mensageiro - técnica que permite a produção mais ágil e em larga escala de vacinas, com eficácia comprovada, usada pela primeira vez durante a pandemia.

Diretora de Promoção da Liberdade de Expressão na Secretaria de Políticas Digitais da República, Samara explicou que as fake news ganham espaço em diversas áreas, inclusive na saúde, porque quem as produz não quer ter razão, mas confundir quem recebe a mensagem.

Samara Castro, advogada com atuação na promoção da liberdade de expressão,
Samara Castro, advogada com atuação na promoção da liberdade de expressão Crédito: Ana Lucia Albuquerque/ CORREIO

“O conceito de pós-verdade é um pouco isso. Se tudo é mentira, nada é verdade e se cria aquela coisa louca de constante desconfiança. Isso não significa que temos que confiar cegamente nas instituições, mas buscar um nível de criticidade para saber essa diferença”, destacou Samara. Entre as possíveis soluções apontadas pelos palestrantes estão o investimento em educação, regulamentação das plataformas digitais, popularização da ciência e parceria entre a ciência e a imprensa.

Diversificação temática

O painel que tratou da desinformação na saúde pública foi apenas uma das atrações da programação do Scream desta sexta-feira (1°). Além de outros debates entre a manhã e a tarde, o evento contou com palestras, oficinas, reuniões temáticas e ativações. Tudo girando em torno das temáticas de inovação, criatividade e negócios.

O evento durou dois dias, com início na última quinta-feira (31) e terminou nesta sexta. No primeiro dia, Luciana Gomes, gerente comercial e de marketing do CORREIO, mediou o painel sobre ‘A sinergia entre o local e o global na indústria da moda’. Luciana atua na gerência comercial do Afro Fashion Day - evento de moda produzido pelo CORREIO - desde 2015 e destacou a importância do respeito à produção de moda local.

“A moda local é respeitada e precisa ser ainda mais. Quando ela entra no cenário de um grande desfile local ou nacional, como acontece no São Paulo Fashion Week (SPFW), isso pra gente é muito bom e importante, porque o Afro é sobre pessoas. Nós trabalhamos para um propósito, que é um para que cada vez mais tenhamos menos racismo”, afirma.

Público 20% maior

O Scream Festival 2023 aconteceu simultaneamente em três espaços - Teatro Gregório de Matos, Espaço Cultural da Barroquinha e no Foyer Glauber Rocha - e pela primeira vez foi aberto ao público. Na avaliação do organizador do evento e presidente da Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP), Lucas Reis, a escolha garantiu uma adesão do público 20% maior do que no último ano, fechando a 6ª edição com saldo positivo.

Lucas Reis, presidente da Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP)
Lucas Reis, presidente da Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP) Crédito: Ana Lucia Albuquerque/ CORREIO

“O Scream está conseguindo se consolidar como um festival de todas as tendências, não é um festival que trás só o que há de novo em uma área específica, é um festival que cobre diversos assuntos em diferentes áreas e níveis, do introdutório ao mais avançado”, destacou Lucas.

Quem não conseguiu acompanhar a programação presencialmente pode conferir as transmissões ao vivo salvas no canal do Youtube Scream Festival 01. Além disso, será lançada em dezembro, a plataforma Scream Play, com todos os conteúdos do festival organizados em vídeos temáticos. Os debates ocorridos no palco podcast também serão lançados em formato podcast, na plataforma de podcasts do evento, o Screencast, a partir de janeiro de 2024.

Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo