Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Justiça determina afastamento de dirigentes da tradicional Irmandade da Boa Morte

Decisão judicial garante medida protetiva para proteger 13 integrantes da confraria

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 16 de abril de 2026 às 14:44

Festa da Boa Morte, em Cachoeira
Festa da Boa Morte, em Cachoeira Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

A Justiça da Bahia concedeu medidas protetivas de urgência a 13 integrantes idosas da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte contra duas dirigentes da instituição, sendo uma delas policial militar da ativa. A confraria secular fica localizada em Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, e é uma das mais tradicionais do Brasil. 

As disputas envolvendo a irmandade não são novidade. Em agosto do ano passado, a presidente da entidade, Joselita Alves Sampaio, denunciou a ex-administradora Celina Sala ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). Com a nova decisão, duas integrantes do grupo devem manter distância mínima de 100 metros de Celina e outras 12 idosas. 

Segundo o processo, o conflito ocorre no interior da irmandade secular e envolve episódios de tensão que teriam se intensificado a ponto de comprometer a saúde emocional e a segurança das integrantes mais velhas. Entre os fatores considerados pelo tribunal está o fato de uma das rés ser policial militar, o que aumentaria o risco diante do desequilíbrio de forças. A Justiça também proibiu que Juçara Lopes Santos Pontes e Uiara Lopes Nonato façam qualquer tipo de contato pessoal ou virtual com as idosas. 

Uiara Lopes, noviça da Irmandade da Boa Morte por Reprodução

Na decisão, o relator destacou que, em casos de violência psicológica, a palavra da vítima possui relevância e pode ser suficiente para justificar medidas urgentes, especialmente quando há registros como boletins de ocorrência e depoimentos consistentes. O acórdão foi assinado pelo desembargador Eduardo Afonso Maia Caricchio e julgado em 31 de março. 

Irmandade defende integrantes

A Irmandade da Boa Morte disse, em nota, que as duas irmãs vêm sofrendo sucessivas tentativas de afastamento, mas que a decisão refere-se a um recurso, sem condenação das envolvidas. A entidade afirma que as acusações feitas contra Juçara e Uiara não foram comprovadas e que a sindicância instaurada no âmbito da Polícia Militar foi arquivada por ausência de provas. 

"Ressaltamos que o histórico processual demonstra sucessivas tentativas de afastamento das irmãs por meio de medidas judiciais já rejeitadas anteriormente pela Justiça de Cachoeira, inclusive em primeira instância. A decisão agora questionada diz respeito apenas a uma liminar concedida em sede recursal, em caráter provisório, e não altera o fato de que o processo segue em discussão, sem sentença definitiva", diz. A irmandade afirma ainda que as mulheres seguem se defendendo das acusações apresentadas.

"Observamos, com preocupação, a forma como a gestão interna vem sendo conduzida ao longo dos anos, incluindo a influência exercida pela ex administradora Celina Sala junto às irmãs mais velhas, algumas delas centenárias. É necessário que qualquer leitura sobre o caso considere, com equilíbrio e responsabilidade, se não há, nesse contexto, a instrumentalização da condição dessas irmãs como parte de disputas internas e de tentativas sucessivas de enfraquecimento da presidência legítima da Irmandade, hoje exercida por Zelita Sampaio", acrescenta. 

Em agosto do ano passado, Joselita Sampaio denunciou Celina ao MP-BA e alegou que vinha enfrentando dificuldades para exercer o cargo desde a sua eleição, em 2022. Ela afirmou que um grupo dissidente dentro da irmandade não respeitava o processo que a elegeu. A própria presidente foi vítima de uma tentativa de destituição movida por Celina, em 2024. 

Por outro lado, um grupo de pelo menos dez das 17 irmãs da confraria acusaram Joselita de não ter prestado contas ao Governo do Estado pelo apoio recebido para a realização da última edição da festa. O CORREIO não conseguiu contatar as demais integrantes da irmandade. O espaço segue aberto.