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Maysa Polcri
Publicado em 29 de maio de 2026 às 05:30
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) cobrou explicações urgentes do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) sobre o licenciamento ambiental da Ponte Salvador-Itaparica. Em despacho enviado ao órgão em 20 de maio, o MP alerta que as obras estão em fase de "mobilização concreta", mesmo com questionamentos sem resposta. >
Apesar de o governo estadual ter marcado o início oficial das obras para 4 de junho, o Ministério Público afirma que faltam informações sobre a licença ambiental, que ainda precisa ser concedida pelo Inema. O despacho cobra que o órgão responda, em até cinco dias, a todas as requisições pendentes. O CORREIO procurou o MP e o Inema, que não informaram se o prazo foi atendido até esta publicação. Este texto será atualizado assim que houver posicionamento. >
Entre os questionamentos sem resposta estão: envio integral dos processos de licenciamento ambiental da dragagem do Porto de Salvador e do canteiro de obras do Estaleiro do Paraguaçu, apontado como HUB logístico da ponte, além de estudos técnicos, pareceres, condicionantes e relatórios ambientais relacionados às intervenções.>
Questionamentos do MP sobre a ponte Salvador-Itaparica
A falta de transparência sobre o projeto não é novidade. Em outubro do ano passado, a Promotoria de Justiça de Meio Ambiente e Habitação e Urbanismo do MP expediu o ofício nº 139/2025 com questionamentos sobre o estado do licenciamento ambiental das intervenções associadas ao empreendimento. Segundo o despacho enviado na semana passada, ao qual a reportagem teve acesso, o Inema não respondeu de forma satisfatória, tendo encaminhado documentos “desorganizados e de prazo expirado”. >
"Ocorre que, até a presente data, o ofício restou, contudo, sem resposta satisfatória, não obstante já ter sido reiterado, circunstância que compromete gravemente a capacidade investigativa desta Promotoria e frustra o dever de cooperação institucional que deve pautar a relação entre órgãos públicos", diz o MP. >
Na esfera federal, o Ministério Público Federal (MPF) também apontou falhas no projeto da ponte e fez mais de 20 recomendações ao governo, como revelou o CORREIO. Em 13 de maio, uma reunião conjunta foi realizada entre representantes do MPF, MP e do Inema. Teria ficado acordado na reunião pontos focais para "otimizar o fluxo de informações". Dias depois, no entanto, o governo da Bahia noticiou avanços no projeto, sem que respostas satisfatórias tivessem sido enviadas. >
Ponte Salvador-Itaparica
Em 19 de maio, um dia antes do envio do despacho pelo MP, foi anunciado o recebimento de um navio com mais de 800 toneladas de materiais que deverão ser utilizados nas obras da ponte. De acordo com a promotora de Justiça Cristina Seixas Graça, que assina o despacho, a divulgação dos fatos aponta para a mobilização da obra. >
O despacho também menciona a chegada de um guindaste de 60 toneladas e o início da entrega de cerca de 3,9 mil toneladas de tubos de aço para a implantação da plataforma de trabalho em água. >
"Tais fatos evidenciam que as obras estruturantes já estão em fase de mobilização concreta e imediata, com equipamentos pesados e materiais especializados sendo posicionados nos canteiros enquanto os processos de licenciamento ambiental e os questionamentos ministeriais permanecem sem resposta adequada", alerta a promotora. >
Em 15 de maio, foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) a licença do Inema para que sejam realizadas adequações no Estaleiro São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, que será utilizado como um dos canteiros de apoio das obras da ponte. A licença permite a implantação de estruturas voltadas à fabricação de peças metálicas, produção de concreto, pré-moldagem de componentes estruturais e movimentação logística, principalmente por via marítima.>
Diante disso, o Ministério Público determinou que o Inema responda, em até cinco dias, a todas as requisições pendentes. Entre elas, estão o envio integral dos processos de licenciamento ambiental da dragagem do Porto de Salvador e do canteiro de obras do Estaleiro do Paraguaçu, além de estudos técnicos e relatórios ambientais. >
O despacho ainda adverte que respostas genéricas, com simples envio de links ou documentos sem organização, poderão ser consideradas recusa injustificada, abrindo espaço para medidas judiciais, incluindo eventual ação civil pública.>
Além da questão do licenciamento, o MP também quer esclarecimentos sobre a gestão da Área de Proteção Ambiental da Baía de Todos-os-Santos (APA-BTS). O órgão ambiental terá 20 dias para informar se o plano de manejo da unidade está atualizado, como funciona o conselho gestor da APA e de que maneira os impactos da ponte estão sendo considerados nos instrumentos de proteção ambiental da área.>
Procurada para comentar sobre o despacho enviado pelo MP, a Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste (SVPonte) disse que não foi notificada sobre o documento. "O despacho anexado refere-se a um ofício encaminhado pelo Ministério Público do Estado da Bahia ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, sem envio oficial à SVPonte. Dessa forma, para obtenção de informações mais detalhadas sobre o conteúdo do documento, orientamos o contato direto com o Inema ou com o MP-BA", afirmou. >
A Concessionária da Ponte Salvador-Itaparica também informou que não foi notificada pelo MP sobre o assunto e disse que acompanha as etapas de licenciamento. "Desde o início do processo de licenciamento ambiental do Sistema Viário da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, o MPE acompanha todas as etapas, e a Concessionária vem apresentando regularmente os estudos e informações técnicas solicitados pelos órgãos competentes", declarou. >