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Polícia apreende prontuários em centro médico após mutirão deixar pessoas cegas na Bahia

Um idoso de 72 anos morreu um mês depois de ser submetido a procedimento em clínica

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 7 de abril de 2026 às 16:13

Ceom fica localizada em Irecê, no norte da Bahia
Ceom fica localizada em Irecê, no norte da Bahia Crédito: Divulgação

A Polícia Civil da Bahia cumpriu mandado de busca e apreensão no Centro Médico e Odontológico (Hospital Ceom), em Irecê, na segunda-feira (6). O estabelecimento é investigado por supostas irregularidades em procedimentos oftalmológicos durante um mutirão realizado entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março. Mais de 20 pacientes relataram problemas de visão e um idoso, de 72 anos, morreu um mês após participar da ação

Durante a operação policial, foram apreendidos prontuários médicos e documentos que irão subsidiar a análise técnica e o avanço das investigações. O responsável pela clínica esteve no local no momento da ação e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações, segundo a Polícia Civil. 

As investigações são conduzidas no âmbito de inquérito policial instaurado na 1ª Delegacia Territorial (DT/Irecê), a partir de denúncias registradas entre os dias 27 e 30 de março. Até o momento, ao menos 24 pacientes relataram perda parcial ou total da visão após a realização de procedimentos cirúrgicos na unidade de saúde, conforme divulgado pela polícia. 

Posicionamento do Centro Médico por Reprodução

Relembre o caso 

Mais de 20 pacientes relataram sintomas após o mutirão que atendeu cerca de 640 pessoas no Centro Médico e Odontológico (Hospital Ceom), em Irecê. Ao menos outros quatro pacientes seguem sem enxergar depois de serem submetidos ao procedimento. A família de Gilberto Pereira Pontes, que morreu aos 72 anos, ingressou com ação judicial contra a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) e a clínica

Uma inspeção realizada no estabelecimento identificou que medicamentos utilizados em procedimentos oftalmológicos eram armazenados de forma incorreta, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab).

Durante os atendimentos, a clínica realizou procedimentos de Terapia Antiangiogênica (TAG), com aplicação do medicamento Avastin (bevacizumabe) em mais de 600 pessoas. Os pacientes relataram problemas de visão, sendo que alguns deles tiveram que realizar a retirada do globo ocular, perdendo definitivamente a visão de um dos olhos.

O Ceom nega que os medicamentos eram armazenados de forma incorreta. "Todos os lotes de medicamentos utilizados nos procedimentos citados não estavam armazenados de forma incorreta, mas sim em unidade de armazenamento sob temperatura controlada localizada no centro cirúrgico, com temperatura verificada e registrada, conforme prescrito na bula do medicamento", afirma.

A Prefeitura de Irecê confirmou a realização da inspeção e disse que determinou a suspensão do procedimento realizado com o medicamento até o fim das investigações. Os outros serviços seguem sendo prestados normalmente. A gestão municipal afirma ainda que acompanha os pacientes que relataram problemas de visão após o mutirão.