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Nauan Sacramento
Publicado em 12 de abril de 2026 às 07:00
Um levantamento inédito realizado pelo Mapa Autismo Brasil, divulgado nesta quinta-feira (9), aponta que a responsabilidade pelo cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no país recai quase exclusivamente sobre as mulheres. Segundo o estudo, que ouviu mais de 23 mil voluntários, 92,4% dos cuidadores são mães, evidenciando a diferença de gênero no suporte familiar. >
A pesquisa acende um alerta para o impacto econômico nessas famílias: cerca de 30,5% dos responsáveis declararam estar desempregados ou sem qualquer fonte de renda, reflexo direto da necessidade de abandonar o mercado de trabalho para se dedicar integralmente às terapias e ao acompanhamento dos filhos. A falta de suporte é agravada pelo isolamento social, já que 34,3% dos entrevistados afirmaram não contar com apoio de terceiros no cotidiano.>
O acesso ao tratamento especializado ainda é restrito e depende majoritariamente de recursos privados. De acordo com o mapa, apenas 15,5% dos autistas utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a maioria recorre a planos de saúde (35,3%) ou à rede particular (28,5%). O tempo médio de assistência também é considerado insuficiente por especialistas: 56,5% dos pacientes recebem, no máximo, duas horas de terapia por semana, e 16,4% não realizam qualquer tipo de acompanhamento terapêutico.>
No âmbito da educação, o estudo indica que a inclusão permanece como um desafio nas instituições de ensino. O levantamento aponta que 39,9% dos estudantes autistas não possuem apoio de acessibilidade nas escolas. O cenário se agrava na vida adulta, onde o desemprego atinge 30% das pessoas com o transtorno, evidenciando as barreiras de inserção no mercado de trabalho formal.>
Para mitigar a pressão financeira, as famílias buscam garantias legais, embora o acesso a benefícios de transferência de renda ainda seja baixo. Enquanto ferramentas de identificação e prioridade são amplamente utilizadas, como o cartão de identificação (36,7%) e o atendimento preferencial (30%), o Benefício de Prestação Continuada (BPC) alcança apenas 16,6% do público pesquisado.>
O Mapa Autismo Brasil reforça a urgência de políticas públicas que não apenas foquem no diagnóstico, mas ofereçam suporte psicossocial e econômico para as cuidadoras, garantindo a sustentabilidade do cuidado a longo prazo.>