A Barbie é verde: boneca mais famosa do mundo ganha 1ª linha feita com 90% de plástico reciclado

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26.12.2021, 11:00:00
Em todo mundo, 100 bonecas Barbie são vendidas por minuto (Foto: Divulgação)

A Barbie é verde: boneca mais famosa do mundo ganha 1ª linha feita com 90% de plástico reciclado

Material que antes seria descartado, se transforma em uma nova coleção com três bonecas, conjunto de jogos e mais acessórios de praia

De princesa a presidente, astronauta à cientista, agora a Barbie também é verde. Se no mundo cor-de-rosa, a boneca que em 62 anos já inspirou crianças a serem o que elas quiserem, a coleção Barbie Loves The Ocean, lançada recentemente pela Mattel, vem para mostrar desde cedo que elas também podem ser sustentáveis.  A primeira linha da marca feita com 90% de plástico reciclado antes de ser descartado nos oceanos está aí para tornar a brincadeira mais consciente e ecologicamente correta. 

São três bonecas, playsets temáticos (conjunto de jogos) e acessórios de praia. A nova linha deu o start para a campanha “O Futuro do Pink é Verde”, em parceria da Barbie com BBH LA (Bartle Bogle Hegarty Los Angeles), que integra o compromisso de ser mais sustentável até 2030.  

“As crianças de hoje são muito ligadas em sustentabilidade, empoderamento e diversidade, portanto, é muito importante que as marcas estejam cada vez mais atentas a isso”, destaca o diretor sênior e head de Marketing na Mattel América Latina, Miguel Angel Torreblanca. 

As bonecas têm o preço sugerido de R$ 89,99 e os playsets de R$ 179,99. Apesar de não divulgar dados de investimento na coleção por questões estratégicas de mercado, no Brasil, a Barbie Loves The Ocean já pode ser encontrada nas principais lojas e varejistas do país. A Mattel  já aposta no uso de matéria-prima sustentável em outras linhas, como fez ao criar o primeiro jogo Uno totalmente reciclável. 

(Foto: Divulgação)

“Nosso time de desenvolvimento de produtos dedicou muitas horas de pesquisa para trazer esta inovação ao mercado. Além da boneca, o plástico da caixa e a embalagem foram desenvolvidos com material 100% reciclado. É preciso impulsionar iniciativas que refletem melhor o mundo que as crianças veem ao seu redor”, completa Torreblanca. 

Todo brinquedo, importa 
Mãe de Nina, Samara Reis, diz que as bonecas que a filha tem são heterogêneas e as favoritas surgem em tempos e tempos. “Nina tem 9 anos e gosta de bonecos e bonecas, brinquedos e jogos que reproduzem a vida cotidiana. Só aqui comigo agora, tenho uma princesa, uma Barbie Plus Size de cabelo rosa e uma Baby Alive negra. São várias bonecas diferentes e isso é uma expressão do momento em que vivemos. Houve uma demanda, um questionamento, uma mudança no público que consome esse tipo de boneca”, afirma. 

(Foto: Divulgação)

Do final da década de 50 para cá, a gente sabe que a Barbie já foi de tudo, inclusive, chegou primeiro que o homem à lua, quando a versão Astronauta foi lançada em 1964. Só quatro anos depois, Neil Armstrong e Buzz Aldrin deram os primeiros passos no solo lunar. E assim, a imaginação das meninas chegava antes no espaço. Durante esse tempo, a marca já passou por muitas evoluções, repensando a boneca em termos de corpo, etnia, diversidade e inclusão até criar a versão da Barbie que homenageou a Dra. Jaqueline Goes, biomédica baiana que se tornou conhecida por liderar uma equipe que sequenciou o genoma do vírus SARS-CoV-2 em apenas 48h. 

Miguel Angel Torreblanca, lembra que o próprio surgimento da Barbie vem de uma inquietação de sua criadora e uma das fundadoras da Mattel, Ruth Handler, quando ela viu que as meninas só tinham a opção de ser mães durante a brincadeira já que as bonecas lembravam bebês. Hoje, 100 bonecas são vendidas por minuto em mais de 150 países, totalizando 58 milhões de unidades anualmente. “Em mais de 60 anos, a Barbie já teve mais de 200 profissões, todas retratando aspectos da cultura e da sociedade de suas épocas”, analisa. 

E nem toda brincadeira é só uma brincadeira. Brinquedos mais engajados com as questões de empoderamento, diversidade e sustentabilidade fazem a diferença. Quem afirma é a psicóloga, pedagoga, mestre em Família na Sociedade Contemporânea e professora do curso de Psicologia da Unifacs, Leonor de Santana Guimarães.

“É um brinquedo, que, naturalmente, vai fazer com que essa criança pense e entenda sobre a temática. É auto aceitação, respeito às diferenças, desenvolvimento do senso de humanidade, igualdade e respeito”, opina. 

Representatividade 
Cada vez mais, as crianças assumem uma posição na escolha dos seus brinquedos, conforme o que vêem e, consequentemente, como se sentem, como chama a atenção a psicóloga, neuropsicóloga e professora da UniFTC, Verônica Santos. Claro que existem os bombardeios publicitários e os estereótipos que ainda se fazem presentes em diversos brinquedos, mas os pais precisam ser ‘filtros’ desses conteúdos. 

“Se uma criança tem contato apenas com um estilo de brinquedo que reproduz papéis de gênero (como a boneca sempre atrelada às atividades domésticas) ou associado apenas a um grupo étnico (a presença majoritária de um padrão estético branco) isso implica na forma como essa criança entenderá a sociedade, o seu local nela e sua autoimagem. Está aí a importância da representatividade. Por isso, é fundamental que os pais oportunizem esse contato”. 

Mãe de Lilica Rocha, 7 anos, a jornalista e escritora Donminique Santos observa sempre, se por meio daquele brinquedo é possível possibilitar um brincar livre e que seja uma escolha menos danosa ao meio ambiente. Dominique é co-autora de uma trilogia infantil chamada Zacimba (Malê, 2012). Escrita junto com escritor Leo Rocha e com ilustrações da artista visual e educadora Érika Maia, a obra narra a história de uma criança negra à procura de um presente especial: uma boneca negra, de cabelos crespos, presidenta da república. 

“Certa vez, chamei o gerente de uma loja de departamentos para perguntar a respeito da ausência de bonecas negras. Ele me disse que de uma caixa com 50 apenas uma negra e que era vendida logo. Fui uma criança sem acesso a muitos brinquedos. Os poucos que eram possíveis, não se pareciam comigo. Lilica ama bonecas que se parecem com ela. Só precisamos tornar essas possibilidades mais acessíveis e comuns”, defende. 

Tendência 
A indústria reconhece essas novas exigências. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, hoje já se vê muito consumidor nas lojas, olhando que material o brinquedo foi feito, se ele é sustentável ou não, a etnia da boneca, se respeita a diversidade. A estimativa é que o setor feche o ano com um crescimento de 14% e 75% de share (parcela de mercado), após aumentar a quantidade de brinquedos ofertados pela indústria nacional. 

“Do lado da fabricação, há uma absorção da maior responsabilidade em relação aos nossos fornecedores de matérias-primas. Eu diria que há uma conspiração positiva, em favor da sustentabilidade, em favor do respeito a diversidade. Atualmente, você tem brinquedo para todas as crianças”. 

Fundadora da loja Ludic Brinquedos Educativos, Andrea Menegatti, enxerga também uma procura maior dos pais por de itens mais sustentáveis e representativos. Na época de final de ano, as vendas chegam a crescer 100%, quando comparada com outros meses.  Ela ressalta ainda algumas dicas, antes de levar o brinquedo para casa. 

“O importante é considerar a fase que a criança vivencia e quais habilidades ela está desenvolvendo naquele momento. Uma embalagem reciclável, um jogo com madeira reflorestada, já podem ser o começo para inserir esse tipo de consciência nos pequenos de forma lúdica”, aconselha. 


A TRAJETÓRIA DA BARBIE

1959 - First Barbie
1959 - First Barbie (Foto: Divulgação)
1960 – Estilista
1960 – Estilista (Foto: Divulgação)
1965 – Astronauta
1965 – Astronauta (Foto: Divulgação)
1980 – Diversidade
1980 – Diversidade (Foto: Divulgação)
1992 - Presidente
1992 - Presidente (Foto: Divulgação)
2001 – Inclusão
2001 – Inclusão (Foto: Divulgação)
2016 – Novos tipos de corpo
2016 – Novos tipos de corpo (Foto: Divulgação)
2017 – The new crew
2017 – The new crew (Foto: Divulgação)
2021 – Dra. Jaqueline
2021 – Dra. Jaqueline (Foto: Divulgação)


1959 - First Barbie 

A Barbie estreou no mundo dos brinquedos há 62 anos, quando Ruth Handler, uma das fundadoras da Mattel, se inquietou sobre as opções limitadas de bonecas para a sua filha brincar: ou ela era mãe ou cuidadora. Vestida com um maiô tomara que caia, listrado preto e branco, em 9 de março de 1959, a Barbie estreou na Feira de Brinquedos de Nova York. 

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1960 – Estilista 

No início da década de 60, a marca começa a lançar a versão da boneca em diversas carreiras profissionais, entre elas, a Editora de Moda (1960), Enfermeira (1961), Comissária de Bordo (1961) e Executiva (1963). Hoje, a Barbie tem mais de 200 carreiras.   

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1965 – Astronauta 

A Barbie chegou na lua quatro anos antes do homem colocar pisar lá. O modelo da boneca tinha um traje espacial e um capacete. Sim, meninas podem alcançar as estrelas. 

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1980 – Diversidade 

A Mattel lançou as primeiras Barbies negras e hispânicas. Na mesma década, a marca lançou a coleção Dolls of the Word, inspiradas nas culturas e tradições de vários países do mundo.   

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1992 - Presidente

A Barbie disputou a presidência com um terno vermelho, mas também veio com versões com a combinação das cores da bandeira americana. 

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2001 – Inclusão 

Tudo começou com a Barbie Linguagem de Sinais. Além de acompanhar ilustrações com palavras em linguagens comuns, sua mão foi moldada no sinal ASL para dizer ‘Eu te amo’. Hoje, a Coleção Fashionistas traz a Barbie Cadeira de Rodas,  Prótese de Perna e a Vitiligo. 

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2016 – Novos tipos de corpo 

A boneca deixou de ter o corpo padrão de antes e lançou modelos com três novos tipos de corpo: o curvilíneo, pequeno e alto. 

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2017 – The new crew 

A Mattel começou a apresentar a Barbie com mais tons de pele, cabelo, cor dos olhos e estilos de moda. 

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2021 – Dra. Jaqueline 

Inspirada na cientista baiana que ajudou a sequenciar DNA do coronavírus, a Mattel criou a boneca em homenagem à biomédica Jaqueline Góes de Jesus. Além dela, outras cinco cientistas ganharam versões da boneca, entre elas a britânica Sarah Gilbert, que liderou a criação a vacina de Oxford-AstraZeneca. 

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