Anvisa confirma terceiro surto do superfungo candida auris no Brasil

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12.01.2022, 18:14:52
Amostras vieram de Recife para serem analisadas e confirmadas em Salvador, pelo Lacen-BA (Foto: Divulgação)

Anvisa confirma terceiro surto do superfungo candida auris no Brasil

Amostras vieram de Recife para serem analisadas e confirmadas em Salvador, pelo Lacen-BA; Bahia já teve dois surtos e duas pessoas mortas

Mais um surto do fungo Candida auris no Brasil foi confirmado nesta quarta-feira (12) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse é o terceiro surto no país e, dessa vez, ocorreu em um hospital da rede pública de Recife, Pernambuco. A identificação foi confirmada pelo laboratório de referência, que é o Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz – Lacen/BA. Os pacientes são um homem de 67 anos e uma mulher de 70 anos. Eles estão internados no Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, região central de Recife. 

O primeiro surto de Candida auris identificado no país foi na Bahia. O caso aconteceu em dezembro de 2020 no Hospital da Bahia, onde 15 pacientes foram diagnosticados com a infecção por esse microorganismo, que é resistente à maioria dos tratamentos existentes. Segundo a Anvisa, dois desses pacientes baianos morreram.

O segundo surto também foi na Bahia. Em dezembro de 2021, a Anvisa recebeu a notificação de outro surto em um Hospital da Rede Pública de Salvador. A amostra analisada era de urina de um paciente do sexo masculino e foi enviada ao LACEN/BA, que confirmou a identificação do fungo.

Assim como nos outros casos, os especialistas baianos realizaram as análises das amostras dos pacientes de Recife utilizando o Maldi-Tof, um método que usa ionização para diagnosticar, de maneira rápida e eficaz, as proteínas de uma bactéria ou fungo. Há outro caso suspeito, que está em investigação laboratorial. 

Superfungo
O superfungo é capaz de causar infecção na corrente sanguínea, pode provocar feridas e é especialmente fatal em pacientes com comorbidades. Ele preocupa também porque fica impregnado no ambiente por longos períodos — de semanas a meses — e resiste até aos mais potentes desinfetantes. Pela dificuldade de eliminação e por ser confundido com outras duas espécies, o que demora na identificação, o C. auris tem propensão a gerar surtos.

Não se sabe a origem do superfungo, mas ele foi descrito originalmente em 2009, em países do continente asiático, como Coreia do Sul e Japão. Desde então, já houve casos na Índia, África do Sul, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos, Israel, Paquistão, Quênia, Kuwait, Reino Unido e Espanha. Seus principais alvos são os pacientes já debilitados nos hospitais.

Medidas tomadas
Segundo a Anvisa, desde a identificação do caso suspeito, o hospital estabeleceu as medidas de precaução e adotou ações para prevenção e controle do surto. A Coordenação Estadual de Prevenção e Controle de Infecção de Pernambuco foi notificada a respeito do caso suspeito, realizou visita técnica ao hospital e está prestando orientações e monitorando o surto.

"É importante esclarecer que, apesar de no momento haver só um caso confirmado e outro em análise no Brasil, pode-se considerar que há um surto de Candida auris porque a definição epidemiológica de surto abrange não apenas uma grande quantidade de casos de doenças contagiosas ou de ordem sanitária, mas também o surgimento de um microrganismo novo na epidemiologia de um país ou até de um serviço de saúde – mesmo se for apenas um caso", diz o comunicado da Anvisa.

A força-tarefa nacional foi acionada e várias ações de vigilância foram intensificadas. Os laboratórios de referência – Lacens de Pernambuco e da Bahia estão apoiando as análises das amostras enviadas pelo laboratório do hospital. 

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