Baiana cria aplicativo de finanças para ensinar crianças e jovens

empregos
07.09.2020, 06:00:00
Marília Reis deve lançar o game até o final do ano para instituições públicas e privadas interessadas na proposta (Foto: Arquivo Pessoal)

Baiana cria aplicativo de finanças para ensinar crianças e jovens

Veja como funciona app que ensina a fazer do dinheiro um aliado

Cerca de 60% das famílias brasileiras estão endividadas e isso tem mais sobre como as pessoas se relacionam com o dinheiro do que com o quanto elas ganham. A falta de independência financeira acarreta perda da qualidade de vida, depressão, baixa estima e até mesmo reforça a violência doméstica, especialmente no caso das mulheres.

Na verdade, o brasileiro lida de forma muito negativa com o dinheiro, seja por desconhecimento, falta de educação financeira, cultura e até mesmo princípios religiosos, que garantem que o dinheiro e a espiritualidade não andam juntas.

Pensando em mudar essa realidade, a financista e empreendedora Marília Reis está desenvolvendo um aplicativo na forma de game que ajuda crianças, à partir de nove anos, a aprenderem a lidar com o vil metal. O game deverá estar pronto no final de outubro ou início de novembro e ficará disponível para instituições públicas e privadas. 

A iniciativa ajuda a incrementar uma decisão que coloca a educação financeira como matéria obrigatória nas escolas à partir desse ano e dialoga com os objetivos 04 e 05 dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas. 

Dores no bolso

Marília conta que os transtornos provocados pelo mal uso do dinheiro sempre lhe causaram incômodo, desde criança. “Presenciava como essa situação causava mal à familiares e amigos, que estavam sempre em dificuldade financeira. Percebia que esses percalços tinham uma relação muito estreita com o comportamento diante das finanças”, conta.

No período da graduação, quando se formou em ciências contábeis, Marília se aprofundou nos estudos sobre o comportamento e as finanças e escreveu sobre o tema. O interesse foi crescendo junto com o conhecimento sobre o tema. Em março desse ano, ela se inscreveu num programa de StartupWeek, realizado pelo Google junto com a Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência, voltado para mulheres empreendedoras. “Quando me inscrevi, não imaginei que se tratava de uma competição, achei que aprenderia muito sobre empreendedorismo e que isso, talvez, me oferecesse ideias para o futuro”, conta.

O prêmio de primeira colocada garantiu uma bolsa para um programa mundial de aceleração em startup e colocou a proposta em prática (Foto: arquivo pessoal)

Em algum momento, os coordenadores do evento pediram que as participantes apresentassem suas ideias para que as melhores pudessem ser desenvolvidas. Para a surpresa de Marília, a proposta de atuar com educação financeira foi eleita como a melhor e, durante os dias de realização, ela contou com uma equipe de mentores que começaram a construir a proposta de empreendimento. Surgia a possibilidade de trabalhar uma conta digital com trilha educativa numa perspectiva lúdica. “No final do evento, os projetos foram avaliados e votados e ganhei o primeiro lugar e, com isso, uma bolsa para o maior programa mundial de aceleração para startups em estágio inicial, baseada na filosofia de desenvolvimento do Vale do Silício, e a coisa avançou. No final, meu projeto estava pronto”, diz. 

Parceiros

Hoje, a empresa e o produto estão na fase de testes e buscando parceiros para tocar o programa adiante. Por hora, o aplicativo consiste em ensinar educação financeira por meio de uma plataforma gamificada que é pautada em três pilares: consumo, poupança e investimento.

O game tem níveis distintos que possibilitem que, a cada etapa vencida, o jogador passe para a fase seguinte, compreendendo os processos para lidar com o dinheiro e alcance sua independência financeira.“O jogo desmitifica aspectos importantes como o consumo consciente, desenvolvimento sustentável, define o estabelecimento de sonhos e os prazos para alcançar esses objetivos”, esclarece.

Marília salienta ainda que o game aborda ainda como realizar investimentos com um bom lastro. “Não é o perfil da população brasileira investir, que ainda acha que só investe quem tem muito dinheiro e que é muito arriscado, esquecendo que existem estratégias para investir corretamente”, explica, finalizando que o objetivo é mostrar uma forma mais leve e divertida de lidar com o dinheiro e tornar a educação financeira como uma aliada para a qualidade de vida e a mudança dos indicadores sociais. 

***

Em tempos de desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informações nas quais você pode confiar. E para isso precisamos de uma equipe de colaboradores e jornalistas apurando os fatos e se dedicando a entregar conteúdo de qualidade e feito na Bahia. Já pensou que você além de se manter informado com conteúdo confiável, ainda pode apoiar o que é produzido pelo jornalismo profissional baiano? E melhor, custa muito pouco. Assine o jornal.


Relacionadas