Bairros de Salvador vivem disputa por água em meio a 'seca' causada por adutora

salvador
05.04.2015, 08:01:00
Atualizado: 05.04.2015, 12:23:23

Bairros de Salvador vivem disputa por água em meio a 'seca' causada por adutora

Além da UPA, os postos de saúde 24 horas de Tancredo Neves e Pau Miúdo também tiveram o atendimento restrito aos casos graves

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Com falta de água em vários pontos da cidade, Salvador viveu um Sábado de Aleluia tenso. Tanto pela falta do líquido quanto pela restrição de atendimento de algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), que ontem estavam recebendo apenas casos graves. No Uruguai, a população  saqueou um carro-pipa que tentava minimizar os estragos causados pelo rompimento de uma tubulação dentro das obras do metrô, na última quarta.

Vários bairros de Salvador sofrem com falta de água (Foto: Mauro Akin Nassor)

Desde então, vários bairros experimentam o drama da seca. Segundo a  Embasa, cerca de 120 localidades foram afetadas. No Uruguai, na Cidade Baixa, onde a situação é bem crítica, os moradores solicitaram um carro-pipa, ontem, mas quando o veículo chegou a Rua Direta do Uruguai foi interditado pelo moradores, que retiraram a água no meio da rua mesmo.Crianças, jovens e adultos subiram no caminhão com baldes e garrafas e começaram a enchê-los. No chão, cerca de 100 pessoas se espremiam para tentar pegar qualquer quantidade do líquido. Até das poças. “O povo não deixou nem eu parar no lugar certo, não fizeram fila e começaram a brigar para pegar a água”, disse o motorista do caminhão, Almir Francisco de Souza. Na San Martin, o comerciante Carlos Carvalho, 59, dono de uma loja que vende mármore e granito, permitiu que os moradores tivessem acesso ao poço artesiano existente dentro do estabelecimento. Gente de bairros vizinhos veio abastecer no local. “Eu moro na Fazenda Grande, minha vizinha disse que aqui tinha água e eu vim”, relatou a professora Ivonildes Conceição dos Santos, 35.Em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da San Martin, um grupo de cerca de 50 pessoas carregando garrafas e baldes esperava a saída do carro-pipa que abastecia o reservatório da unidade. “Disseram que vão deixar um resto de água para a gente”, relatou o vendedor Mário dos Santos, 40.Dividir um pouco com os moradores foi a solução encontrada por policiais militares para evitar tentativas de saques ao caminhão, que armazenava 12 mil litros - mil foram   destinados à população. Na sexta, uma confusão se formou depois que os moradores tentaram impedir que o caminhão abastecesse a UPA. Os outros 11 mil litros garantiram o atendimento das pessoas em estado grave que procuraram socorro da UPA San Martin.

Foi uma verdadeira guerra pela água no Uruguai, onde os moradores pediram carro-pipa
(Foto: Mauro Akin Nassor)

Além da UPA, os postos de saúde 24 horas de Tancredo Neves e Pau Miúdo também tiveram o atendimento restrito aos casos graves. “Estamos solicitando da Embasa o abastecimento através de carros-pipa e isso nos ajudou a manter o funcionamento da unidade e dos leitos de observação que estão, no geral, com 80% de ocupação. Mas estamos evitando atender novas pessoas, toda vez que os reservatórios ficam com menos da metade do nível de água”, afirmou o secretário municipal de saúde, José Antônio Rodrigues Alves.A Secretaria Estadual de Saúde informou que não houve redução nos atendimentos em suas unidades, pois os hospitais foram abastecidos por carros-pipa. Os hospitais Otávio Mangabeira e Ernesto Simões Filho, que compartilham o mesmo reservatório, por exemplo, foram abastecidos ontem por seis caminhões, cada um com 10 mil litros de água.




Segundo a Embasa, cerca de 150 técnicos trabalham no reparo da adutora. A empresa disse que foi reforçada a produção de água da estação de tratamento da Bolandeira, responsável pelo abastecimento de 40% de Salvador. A previsão é que o reparo seja concluído até o final da manhã de hoje e que o sistema volte a funcionar entre 24  e 48 horas. Mas a Embasa informou que não é possível estimar quando o fornecimento de água será estabilizado. A CCR — grupo responsável pelas obras do metrô que provocaram o acidente — informou, em nota, que está trabalhando junto com a Embasa e que se “solidariza om as famílias que estão sem o fornecimento regular de água”



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