Década de ouro: conheça as histórias de 10 jogos marcantes do Vitória nos anos 90

e.c. vitória
10.05.2020, 05:04:00
Atualizado: 22.05.2020, 12:05:14

Década de ouro: conheça as histórias de 10 jogos marcantes do Vitória nos anos 90

Período ficou marcado pelo crescimento do clube, que nesta semana completa 121 anos de existência

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A década de 1990 foi um divisor de águas na história centenária do Vitória, que completa 121 anos na próxima quarta-feira (13). Foi nela que o clube deu um salto em número de títulos e assumiu pela primeira vez a hegemonia do futebol baiano; que fez campanhas de destaque em competições nacionais; que se tornou um expoente na revelação de jogadores; e que também brilhou na contratação de estrelas do quilate de Bebeto, Túlio e Petkovic, alcançáveis graças ao dinheiro de um investidor (no caso o Banco Excel), novidade na época.

Por tudo isso, o CORREIO convida você, especialmente se for fã rubro-negro, a revisitar 10 jogos marcantes de uma década que o torcedor do Vitória certamente gostaria que não tivesse terminado.

Fernando passa por Donizete no jogaço de 1999
Foto: Manu Dias / CORREIO)

1) Vitória 5x4 Vasco – 14/11/1999

Um dos melhores jogos da história do Barradão e do Campeonato Brasileiro aconteceu nas quartas de final da edição de 1999. O Vitória, mesmo com a perda de Petkovic no meio da temporada, tinha uma ótima equipe, com destaques como o goleiro Fábio Costa, os laterais Rodrigo e Leandrinho, os meias Fernando e Artur e os atacantes Cláudio e Tuta. O Leão terminou a primeira fase em sexto lugar, classificado com uma rodada de antecedência entre os oito que iriam para as quartas de final. Enfrentou então o Vasco, que avançou em terceiro e mantinha a base do time campeão da Libertadores no ano anterior, que tinha Mauro Galvão, Juninho Pernambucano, Ramon, Felipe, Donizete. Edmundo voltara ao clube após um ano na Fiorentina, mas ficou fora desse jogo e do seguinte porque havia sido afastado pela diretoria após desavenças.

O regulamento da época previa decisão em três partidas, com o time de melhor campanha jogando as duas últimas em casa e tendo a vantagem se houvesse igualdade. Ou seja, o Leão precisava muito ganhar no Barradão porque decidiria no Rio. E com 10 minutos de jogo, parecia que uma tragédia se anunciava: o Vasco já vencia por 2x0, dois gols de Viola.

A tarde fora dos padrões ficou ainda mais empolgante quando o Vitória não só diminuiu logo em seguida com Artur, aos 13 minutos, mas também empatou e virou nos gols sequenciados de Fernando e Tuta, aos 35 e 38. Ufa! Não, Donizete empatou ainda no primeiro tempo, aos 45.

No segundo tempo, ergue-se o personagem principal daquele 14 de novembro. De pênalti, Fernando fez o quarto gol rubro-negro aos 10 minutos, Donizete insistiu em estragar a festa fazendo 4x4 aos 14 e, por fim, Fernando, em outra cobrança de pênalti aos 21 minutos, colocou números finais no placar do Barradão.

Este jogo pode ser assistido na íntegra através do Youtube, no canal ECV Memória.

Alex Alves chamou atenção no Brasileiro de 1993
(Foto: Antenor Pereira / CORREIO)

2) Vitória 2x1 Corinthians – 21/11/1993

Eternamente lembrado como o jogo de Alex Alves. O garoto, então com 18 anos, fez um gol de placa na antiga Fonte Nova, pelo quadrangular semifinal do Brasileirão de 93. Ele recebeu a bola no campo de defesa e disparou enfileirando adversários no sentido do gol da Ladeira até entrar na área, chutar na saída do goleiro Ronaldo e fazer o segundo do Vitória. Antes, Claudinho abriu o placar. Depois, Tupãzinho diminuiu.

Naquela noite, o Brasil passou a levar a sério o “Brinquedo Assassino”, apelido que aquele time era chamado entre torcedores e pela imprensa baiana - em função do filme de terror homônimo que fazia sucesso na época. Até então, como o regulamento do campeonato havia colocado o Vitória diante de clubes de menos tradição na primeira fase, o Leão passava despercebido no eixo Rio-São Paulo.

Autor do golaço da noite, Alex Alves faleceu em 14 de novembro de 2012, com apenas 37 anos, vítima de uma doença rara chamada hemoglobinúria paroxística noturna (HPN).

Pichetti escapa do carrinho de Mazinho na final contra o Palmeiras
(Foto: Antenor Pereira / CORREIO)

3) Vitória 0x1 Palmeiras – 12/12/1993

Este vale lembrar mesmo com o resultado dolorido. Final de Brasileirão inédita para o Vitória, 77.772 pagantes na Fonte Nova para ver o jogo de ida da decisão. O rubro-negro testou o seu limite diante do estrelado Palmeiras que faria história com títulos e timaços em parceria com a multinacional italiana de laticínios Parmalat, revolucionária na época.

O gol do baiano Edilson ‘Capetinha’ calou a Fonte Nova naquela tarde, mas o Vitória deixou seu recado na letra do novo hino, composto na década anterior por Walter Queiroz Júnior: “Pelos cantos do Brasil, nosso grito já ouviu...”.

Não é exagero dizer que essa geração rubro-negra, que tinha jovens craques formados na base como Dida, Rodrigo (o mesmo que estaria no time de 1999), Paulo Isidoro e Alex Alves, além dos experimentados Roberto Cavalo e Pichetti, foi o ponto de inflexão na história do Esporte Clube Vitória, que a partir de então se tornaria um clube colecionador de títulos, revelador de talentos e com mais expressão nacional.

Uma curiosidade: o público foi o maior da história do Vitória como mandante de uma partida. Não levando em consideração, neste caso, a rodada dupla de inauguração do anel superior da Fonte Nova, em 1971, que recebeu 94.972 para Vitória 0x1 Grêmio e Bahia 1x0 Flamengo.

Elenco do Vitória campeão baiano e do Nordeste em 1997
(Foto: Welton Araújo / CORREIO)

4) Finais do Baiano e da Copa do Nordeste 1997

O ano de 1997 foi especial para o Vitória por dois motivos: o até então inédito tricampeonato baiano e o primeiro título da Copa do Nordeste. Nas duas decisões o Leão enfrentou o Bahia, venceu o jogo de ida por 3x0 e perdeu o da volta - 1x0 no estadual e 2x1 no regional. 

Aqui, portanto, se trata não apenas de um jogo marcante, mas de uma síntese de quatro Ba-Vis que resultaram em dois títulos com intervalo inferior a um mês. A final do Nordestão aconteceu nos dias 18 e 25 de maio. Uéslei, Gil Baiano e Chiquinho construíram a vantagem que praticamente garantiu o troféu já no jogo de ida. No da volta, o Bahia venceu por 2x1 com gols de Ney Santos e Bebeto Campos (contra), entre eles Agnaldo 'Capacete' para o Vitória.

A decisão do Baiano ocorreu nos dias 7 e 15 de junho. Na ida, Agnaldo, Uéslei e o zagueiro Emerson (atual coordenador das divisões de base do Vitória) anotaram os gols do 3x0 rubro-negro. Na volta, o triunfo de 1x0 do Bahia não estragou a volta olímpica da equipe comandada em campo pelo craque Bebeto e no banco por Arturzinho.

Arturzinho, caído no canto direito da imagem, supera o goleiro Jean, do Bahia, em 1992
(Foto: Antenor Pereira / CORREIO)

5) Bahia 0x1 Vitória – 11/10/1992

Um Ba-Vi vencido na raça pelo Vitória, válido pelo Campeonato Baiano de 92. Após ter dois jogadores expulsos no primeiro tempo (Dourado e Evandro), o Leão conseguiu ganhar o clássico por 1x0, gol de cabeça do baixinho Arturzinho após ótima jogada de Zé Roberto na ponta esquerda.

O Ba-Vi valia pelo 3º turno do estadual, que naquele ano tinha quatro. O Vitória conquistou todos os turnos e foi campeão. O Baianão de 1992 terminou em dezembro, depois do Campeonato Brasileiro, que, iniciado em janeiro, acabou em julho, quando o Vitória conquistou o acesso à Série A.

Uma curiosidade: o meia Ramon Menezes vestiu a camisa do Bahia no clássico em questão. Ele teve uma discreta passagem pelo tricolor que durou até 1993. No ano seguinte desembarcou na Toca do Leão para ser ídolo nas temporadas de 1994 e 95.

Petkovic em jogo memorável contra o Palmeiras pela Copa do Brasil 1999
(Foto: Manu Dias / CORREIO)

6) Vitória 2x2 Palmeiras – 9/4/1999

Se alguém quiser lembrar da genialidade de Petkovic na bola parada (e rolando também) com a camisa do Vitória, basta ver os gols desse jogo contra o Palmeiras pela Copa do Brasil. O time paulista abriu 2x0 no primeiro tempo. No segundo, o gringo fez um golaço de falta e um olímpico, ambos no mesmo ângulo do goleiro Marcos.

Além dos gols, Petkovic teve uma ótima atuação naquela partida, fosse driblando ou finalizando com perigo. O Vitória jogou de uniforme amarelo, que usou nos jogos da Copa do Brasil naquela temporada.

Time de 1995. Em pé: Elias, Vanderci, Ney Santos, Flávio, Borges e Júnior; agachados: Bebeto Campos, Adoilson, Ramon, Dão e Wilson
(Foto: Reprodução)

7) Vitória 4x1 Bahia - 14/5/1995

Corria o quinto mês do ano e este já era o quinto Ba-Vi pelo Campeonato Baiano de 1995. O Vitória goleou o Bahia no Barradão graças à atuação inspirada da dupla Ramon e Adoilson. O meia fez dois, o atacante anotou um e o zagueiro Flávio Tanajura (atual auxiliar técnico do clube) marcou outro. Lima Sergipano, de pênalti, chegou a deixar o jogo empatado ainda no primeiro tempo.

O estadual de 95 ficou marcado pela superioridade rubro-negra nos clássicos, com cinco vitórias, um empate e uma derrota nos sete disputados, e também pelo primeiro título conquistado no Barradão. Este, por sinal, não foi em um Ba-Vi, e sim diante do Galícia no último jogo do triangular final da 2ª fase do 2º turno, que envolveu também a Catuense. O Leão ganhou por 1x0, gol do zagueiro Vanderci, e ergueu a taça após ser campeão dos dois turnos por antecipação.

O meia Ramon não chegou a disputar o jogo do título – no dia 30 de julho - porque havia sido vendido ao Bayer Leverkusen, da Alemanha, no início da janela de transferências aberta naquele mês. Ainda assim, terminou o campeonato como artilheiro com 25 gols. São apenas dois a menos que o recorde histórico do Baianão, compartilhado por Cláudio Adão (1986 pelo Bahia) e Neto Baiano (2012 pelo Vitória).

Cláudio reage incrédulo após o goleiro Velloso evitar o gol do atacante em chute à queima-roupa
(Foto: Haroldo Abrantes / CORREIO)

8) Vitória 2x1 Atlético-MG – 5/12/1999

Também no embalo do Brasileirão de 1999 que abriu esta série, eis agora a semifinal. Depois do 5x4 sobre o Vasco no Barradão, o Vitória conseguiu segurar dois empates em São Januário (2x2 e 1x1) e classificou para enfrentar o Atlético-MG, que havia eliminado o rival Cruzeiro vencendo dois clássicos e evitando o terceiro. Dessa vez, era o Leão quem tinha a vantagem de fazer duas partidas em casa.

O jogo de ida, no Mineirão, foi um desastre: 3x0 para o Galo, que tinha uma dupla de ataque perigosíssima formada por Marques e Guilherme - este último seria o artilheiro do campeonato, com 28 gols. Chega então a vez de dar o troco no Barradão. A confiança e a empolgação eram tantas que o estádio registrou novo recorde de público naquele dia, com 43.210 torcedores (seria quebrado em 2000, em Vitória 2x0 Juazeiro, pelo Baianão, com 51.200 presentes, sendo 43.424 pagantes).

Em campo, o time respondeu à altura. Após o primeiro tempo sem gols, a bola balançou a rede no segundo. Cláudio abriu o placar, Guilherme empatou e o zagueiro Pedro Paulo garantiu o 2x1 a favor do rubro-negro. Por causa do saldo de gols, o Vitória precisaria vencer também o terceiro jogo para ir à final, mas perdeu novamente por 3x0. A vaga na decisão não veio, porém, mais de 20 anos depois, aquele time treinado por Toninho Cerezo segue marcado pelo entusiasmo do jogo ofensivo e veloz que praticava. Foi a última vez que o Vitória chegou tão longe no Brasileirão.


Alex Mineiro chuta na saída do goleiro Clemer, do Flamengo, na goleada de 5x0 em 1998
(Foto: Manu Dias / CORREIO)

9) Vitória 5x0 Flamengo - 3/3/1998

Nem parecia o Flamengo de Romário, mas era. E também de Júnior Baiano e Zé Roberto. Nenhum deles páreo para o Vitória de Agnaldo, Alex Mineiro (2), Fernando e Tácio, autores dos gols nessa incrível goleada no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, no Barradão.

Declaração do Baixinho na saída de campo: “O Vitória foi bem superior e fez cinco gols. Poderia ter feito até mais”. Romário marcou quatro na partida de volta, no Maracanã, e o Flamengo goleou por 5x2, mas o Leão avançou sem sustos devido aos gols de Esquerdinha e Agnaldo ainda no primeiro tempo. Rodrigo Fabri fez o outro do time carioca.

Bebeto em ação pelo Vitória em 1997
(Foto: Divulgação)

10) Bahia 3x3 Vitória - 27/7/1997

Mais um Ba-Vi para fechar a lista. Um mês depois da final do Campeonato Baiano e dois após a da Copa do Nordeste, ambas vencidas pelo Vitória, tricolores e rubro-negros se encontram pelo Brasileirão de 1997, com 79 mil pagantes na Fonte Nova e um enredo animado.

Sem estrelas no elenco, o Bahia surpreendeu e abriu 2x0 nos 13 minutos iniciais com um gol de Zinho e outro contra do zagueiro Emerson, que desviou errado o cruzamento de Nixon. Só que o Vitória tinha no ataque Bebeto e Túlio, e a dupla não decepcionou. O atacante do tetra fez dois gols de falta e deu o passe para o centroavante virar a partida. O Bahia não se entregou e chegou ao empate aos 41 do 2º tempo, com Everton Luiz.

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