Entenda o que você precisa saber sobre as três vacinas disponíveis na Bahia

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10.05.2021, 05:00:00
(Arquivo/CORREIO)

Entenda o que você precisa saber sobre as três vacinas disponíveis na Bahia

Imunizantes usam diferentes tecnologias para combater o coronavírus

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Cada vacina usa uma técnica específica para combater um vírus. Algumas usam o vírus inativado. Outras passam por processos de modificação genética do vírus. Mas, todas cumprem o que precisam, nesta pandemia: prevenir mais mortes pela covid-19. As três vacinas contra a doença disponíveis hoje, na Bahia, atuam de diferentes formas no corpo, mas seguem esse padrão.

O estado tem disponibilidade, hoje, para vacinar a população com três imunizantes: a Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Buntantan; a AstraZeneca, criada pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e produzida nacionalmente pela Bio-Manguinhos, da Fiocruz; e a Pfizer, produzida pela farmacêutica que dá nome ao imunizante e a alemã BioNTech. Elas usam diferentes tecnologias para chegar ao objetivo final da imunização.

A Coronavac, criada na China pela farmacêutica Sinovac com transferência da tecnologia para o Instituto Butatan, foi a primeira a ser aplicada no Brasil. A primeira aplicação aconteceu em São Paulo, no dia 17 de janeiro. Na Bahia, ela chegou dois dias depois.

“A Coronavac é uma vacina de primeira geração. Usa um vírus desativado para estimular a resposta imune do corpo”, explica a infectologista Fernanda Grassi, pesquisadora da Fiocruz. 

Nem sempre a técnica de usar o vírus desativado, embora seja a mais antiga e tradicional, funciona. Mas, no caso da covid-19, ela se mostrou efetiva, e a Coronavac previne 100% dos casos graves e evita 50,38% das infecções pelo vírus. Até o momento, ela se mostra efetiva contra as variantes do vírus.

Já as vacinas AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BionTech usam tecnologias mais modernas. A primeira, considerada uma vacina de segunda geração, usa um adenovírus, vírus que geralmente causa infecções respiratórias, modificado em laboratório. No vírus, é incluído uma sequência de proteínas típicas do coronavírus - a spike.

No corpo, acrescenta Grassi, essas proteínas vão gerar uma resposta imune do corpo. “Esses anticorpos evitam a infecção”, diz. A eficácia da Astrazeneca, se tomadas as duas doses, é de 90%, mostraram ensaios clínicas. 

Já a Pfizer, considerada uma vacina de terceira geração e com eficácia de 95%, usa uma tecnologia ainda mais moderna. A infectologista Fernanda Grassi explica que, nesse imunizante, há aplicação de uma sequência de RNA - material genético - que mimetiza a proteína spike, a mesma utilizada na AstraZeneza. Essa versão consegue desencadear uma reação do sistema imunológico, que cria anticorpos no corpo de um indivíduo, sem causar danos à saúde.

Por que se deve respeitar o intervalo entre uma dose e outra?

Durante os estudos clínicos para aplicação de uma vacina, os voluntários são constantemente monitorados. Isso porque é preciso acompanhar, tempo a tempo, como está a resposta imune, e conseguir identificar quando ela começa e quando ocorre com mais intensidade.

“Você vai medindo esses antircorpos conforme os dias e é assim que se determinam o prazo de intervalo entre uma dose e outra de uma vacina”, explica Fernanda Grassi.

As três vacinas aplicadas na Bahia têm diferentes prazos estabelecidos pelas fabricantes. A Coronavac permite de 14 a 28 dias. A Aztrazeneca, três meses. A Pfizer, 21 dias.

“Não é um número magico, são números com ensaio clínicos. A Coronavac esta indicada para 28 dias, mas acreditamos que com uma, duas, não terá perda uma perda significativa de imunização, porque não é algo matemático”, completa Grassi. 

A explicação dela vem num tempo de incerteza quanto aos cumprimentos dos prazos. Em Salvador, mesmo depois da chegada de 26 mil doses da Coronavac, 34 mil pessoas que já esperavam pela segunda dose terão que aguardar ainda mais. A preocupação é ainda maior porque as estatísticas já conseguem traduzir o quão fundamental é a vacina - seja qual for a tecnologia empregada, desde que seja provada a eficácia nos estudos clínicos. 

“Estamos vendo, por exemplo, a mudança no perfil das pessoas hospitalizadas. Antes, muito mais idosos. Hoje, muito mais jovens. Quem deu o rosto disso foi Paulo Gustavo”, afirma Grassi. Comediante, ator, roteirista e diretor, Paulo Gustavo morreu vítima de complicações causadas pela covid-19, no Rio de Janeiro, no último dia 4 de maio. Era um homem saudável, sem comorbidades, que, aos 42 anos, morreu vítima de uma doença para a qual já existem vacinas.

Veja como funciona cada uma das vacinas aplicadas na Bahia

Butatan/CoronaVac

Como a Coronavac age no corpo? O coronavírus é inativado por ação do calor ou de algum produto químico. Quando o corpo recebe a vacina, o vírus inativado faz com que o corpo gere anticorpos contra a covid-19. Isso porque as células de resposta imune “capturam” o vírus inativado e ativam a ação dos chamados linfócitos, células que são especializadas em combater microrganismos. São elas que produzem os anticorpos, que impedem que o vírus infeste outras células e fiquemos doentes. 

Qual é a eficácia da Coronavac? A CoronaVac deixa os vacinados com 50,38% menos risco de adoecer. A vacina tem 100% de eficácia para prevenir casos graves.

A Coronavac é eficaz contra as novas variantes? Sim

Prazo entre a primeira e segunda dose: de 14 a 28 dias.

AxtraZeneca/Oxford 

Como a AxtraZeneca/Oxford age no corpo?

A vacina produzida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) usa um "vírus vivo", como um adenovírus que provoca um resfriado comum, modificado para conter instruções para a produção de uma proteína característica do coronavírus. No entanto, na proporção aplicada, ele não tem capacidade de se replicar e prejudicar a saúde humana. Quando rompe as células, esse adenovírus estimula a produção dessa proteína, que é detectada pelo sistema imune. A partir daí, o corpo cria uma resposta contra o coronavírus. 

Qual é a eficácia da AxtraZeneca/Oxford? Quando aplicadas as duas doses completas, a eficácia é de 90%. 

A AxtraZeneca/Oxford é eficaz contra as novas variantes? Sim, menos contra a variante sul-africana, não identificada na Bahia. 

Prazo entre a primeira e segunda dose: Três meses.

Pfizer/BioNTech

Como a Pfizer/BioNTech age no corpo? A vacina é criada a partir da replicação de sequências de RNA que mimetizam a proteína spike, específica do vírus Sars-CoV-2. Essa versão consegue desencadear uma reação do sistema imunológico, que cria uma defesa, sem causar danos à saúde.

Qual é a eficácia da Pfizer/BioNTech? Esse imunizante tem 95% de eficácia com duas doses, com diferença de 21 dias.
A Pfizer/BioNTech é eficaz contra as novas variantes? 21 dias. 
 

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