Estreia de Margareth Menezes como protagonista de série terá exibição da TVE

entretenimento
24.12.2020, 14:33:54
Atualizado: 24.12.2020, 14:46:36
(Foto: Divulgação/Wolo)

Estreia de Margareth Menezes como protagonista de série terá exibição da TVE

Episódio de estreia de 'Casa da Vó' (Wolo.tv), que também tem no elenco o humorista Dum Ice, será exibido nesta sexta (25)

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O chamado encantado da dramaturgia já havia atraído Margareth Menezes para a telinha em 2012/13, quando interpretou a delegada Pimenta em O Canto da Sereia, na Globo. A ponta na trama baseada no livro de Nelson Motta, ambientada no Carnaval de Salvador, não passou despercebida, e tampouco foi esquecida por quem a viu dominar o set como faz com o palco.

Foi dessa conjunção de fatores que, passada quase uma década, fez com que Margareth voltasse a receber um convite para atuar, saindo de sua zona de conforto justamente num momento de absoluto desconforto por conta de uma tal pandemia.

Mesmo assim, topou sair da Bahia para protagonizar o seriado A Casa da Vó, dirigido por Licínio Januário, e, melhor ainda, assim como o diretor, aceitou falar com o Alô Alô sobre as dores e delícias de tornar real esse novo e fantástico projeto – que envolve, além de empenho, amor, respeito, representatividade e conceito.

A estreia já é neste dia 25, presentão de Natal, exibido a qualquer momento na novíssima plataforma de streaming Wolo, mas também na TV aberta! O capítulo de estreia será veiculado pela TVE Bahia, sexta-feira (25), a partir das 19h.

Se não der tempo de ver na TV, vai ter que ser no Wolo mesmo, projeto que pretende colocar em cena (e fora dela), preferencialmente, profissionais negros.

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Surpresa de Maga
Perguntamos à majestade Margareth como é que veio a convocação para o papel. “Foi uma surpresa primeiro, porque eu não esperava um convite desses, ainda mais na pandemia. Ao mesmo tempo, tive medo e achei um desafio, porque eu gosto demais; eu sou dessa coisa que instiga a gente, né. Então, foi isso”, afirmou ela, agradecida pela lembrança e também grata pela confiança de assumir logo o papel principal da série.

E as coisas fluíram como desejou. “A qualidade dos profissionais que estão envolvidos na parte técnica toda, atrás das câmeras, na parte de som, um cuidado, um primor. Produção maravilhosa assim com a gente, o tratamento, então foi uma experiência fantástica”, comentou a atriz-cantora, que garante boas gargalhadas a quem assistir à trama.

Inspiração nas mainhas
Para compor o papel da vovó protagonista, conta onde buscou referências. “Eu me inspirei um pouco na minha mãe, que ela já era avó, e ela tinha um relacionamento assim muito amoroso. (...) A personagem é uma vozona de uma família grande, mas tem uma energia, vitalidade. Um outro lado também é que ela é uma avó muito sábia, e ao mesmo tempo ela tinha os segredos dela”, resume, citando ainda certas características de sua personagem, que tem uma vida estabilizada, com consciências política e racial, as quais faz questão de passar para os filhos e netos.

“É uma comédia com todos esses conteúdos e com a vivência também dessa família, encontro desses netos; são de culturas diferentes, dois são do Rio, um da Bahia e um de São Paulo, e todos se encontram e convivem com ela”, reforça Maga, que terá o conterrâneo Dum Ice, influencer baiano do grupo Os 10ocupados, como um dos descendentes na série.

Quem fez o convite para a participação na série, segundo Margareth, foi o próprio Licínio Januário, “esse angolano maravilhoso”.

Junto com o brasileiro Leandro Lemos, Licínio torna realidade o projeto que já nasce escanteado por potenciais apoiadores, como alerta e reclama a própria Margareth. “Existe hoje, começando a ter muita propaganda com pessoas negras, mas as empresas precisam mostrar isso também, patrocinando, apoiando. E eu acredito que ainda vá haver assim uma. Vão chegar os apoiadores, mas é realmente uma luta você conseguir empresas que estejam realmente comprometidas com transformação de uma forma sintomática, de uma forma profunda”, analisa a intérprete da tecnológica e prafrentex vó Teresa.

Indústria cultural
Ao Alô Alô, Licínio Januário destacou que o Brasil, embora seja um país continental, não tem uma indústria de audiovisual de igual proporção.

“A gente não tem uma indústria no Brasil que consegue aportar o número de profissionais que a gente tem em todos os sentidos, né. Não só números de profissionais, mas uma indústria que não consegue suportar a população. (...) Segundo ponto é a questão da segregação dentro da indústria do entretenimento. Ela é centralizada no Sudeste e nas grandes produtoras. (...) E quando a indústria é centralizada, isso faz com que pequenas e médias produtoras não tenham oportunidade de crescer. Isso faz com que a indústria não expanda”, analisa Januário, que espera dar o “primeiro passo” para que esse cenário mude. 

“Descentralizar para expandir essa indústria. Descentralizar das produtoras tradicionais, do sudeste, buscando as narrativas populares. Buscando investir no Nordeste, no Norte e tudo mais. Buscando expandir a indústria para o Brasil inteiro de fato”, defendeu.

“A nossa plataforma vai falar direto com o consumidor final, com o povo. Então, é um canal ideal para as marcas estarem juntas. E a gente entende que as marcas buscam ter um case de sucesso para poder investir, e tudo mais. Mas estamos numa época diferente, onde todo o ambiente corporativo está entendendo que precisamos olhar para outros horizontes, precisa dar oportunidades para outras pessoas. Então, é um momento de a gente mudar a estrutura de fato, um momento que a gente precisa caminhar junto com as marcas, que precisam olhar a gente como sócios, e não apenas no campo de assistência”, concluiu.

Além da Casa da Vó, o Wolo tem um catálogo grande de projetos, com viés semelhante, “todos com a mesma finalidade de empoderar e dar espaço para os profissionais negros, nas frentes e atrás das câmeras”.

Para saber mais sobre o projeto (além de assistir ao capítulo inicial de A Casa da Vó, nesta sexta, na TVE Bahia, acesse Wolo.Tv.

Além dos baianos Margareth e Dum, vai dar pra conferir os trabalhos de Johnny Kleiin, Jessica Cores, Dj Pelé, Sol Menezzes, Kiara Felippe, Jacy Lima, Cadu Libonati, Diego Becker e do rapper Rincon Sapiência, outro da área musical que se lançou de peito aberto na dramaturgia. Máximo respeito.

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