Feira de Santana tem sua culinária registrada em livro gratuito

comida
24.04.2021, 11:00:00
Carne de fumeiro é uma das tradições da culinária feirense ((Fotos: Belle Quintas/Divulgação) )

Feira de Santana tem sua culinária registrada em livro gratuito

Pesquisadora e chef conta história da gastronomia feirense

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O catalão Joan Roca, eleito várias vezes como o melhor chef de cozinha do mundo, defende a gastronomia como “a principal linguagem que usamos para explicar nossa terra, cultura, memória e vivências”. Em meio a tantos salamaleques que cercam a gastronomia nos dias de hoje, valorizar a culinária local tornou-se uma necessidade urgente dos atores envolvidos na cozinha brasileira, bem como um atrativo turístico que vem rendendo bons dividendos para os destinos que têm apostado neste segmento. 

Peixe moqueado (Foto: Belle Quintas/Divulgação)

Afinal, a cozinha, além de dizer muito sobre a comunidade é um forte elemento cultural de identificação. Foi pensando nisso que a professora, pesquisadora e chef de cozinha, Monia da Hora, decidiu registrar em livro comidas que representam a identidade do povo de Feira de Santana.

“Embora não tenhamos um prato típico local, pela própria localização geográfica temos uma fusão de várias cozinhas em função de a cidade ter se tornado um importante entroncamento rodoviário”, explica. Seguindo essa lógica, a pesquisadora refez o caminho dos tropeiros que usavam o destino como portão de entrada para diversas regiões baianas, como o Recôncavo, por exemplo. 

Mocofato (Foto: Belle Quintas/Divulgação)

Entre idas e vindas, os viajantes, incluindo os primeiros portugueses que habitaram o município, foram deixando por ali suas marcas em forma de comida que acabaram ficando e se tornando referências locais. 

É o caso da maniçoba, conhecida como sendo originalmente do município de Cachoeira, mas que se tornou um dos pratos típicos também de Feira de Santana. Foi na Princesinha do Sertão – apelido simpático da cidade – que a sorridente Ana, se tornou uma referência há 60 anos no preparo do prato. O talento para fazê-lo rendeu-lhe o nome de Ana da Maniçoba, como ficou conhecida na cidade. 

Bode assado na brasa (Foto: Belle Quintas/Divulgação)

“O livro é resultado de um trabalho de pesquisa etnográfica e bibliográfica sobre as memórias da gastronomia de Feira de Santana, elaborado a partir da história de vida de atores da cena gastronômica local, com linguagem de fácil compreensão e que traz elementos da cultura alimentar feirense”, explica a autora.

Acesso gratuito
Em formato virtual, o ebook – que está disponível gratuitamente no site da Editora Segundo Selo – retrata a cultura gastronômica local através de pratos e personagens que ganharam fama na cidade por seus talentos à frente da cozinha.

Ana da Maniçoba: cozinheira comercializa o prato há seis décadas em Feira (Foto: Belle Quintas/Divulgação)

Se não traz grandes novidades no campo da gastronomia – ressalvando que esta não era mesmo a proposta – o simples registro destas comidas já se torna sim um grande feito, especialmente num país que não é dado  a preservação sua memória. 

O trabalho contou com uma equipe técnica composta por outros nomes locais - como o professor e historiador Clóvis Ramaiana, a professora e antropóloga Tatiane Muniz, a socióloga Fernanda Santiago, a cientista social Edicarla Macedo, o estudante de geografia Gabriel Moreira, com o trabalho fotográfico da food style Belle Quintas e a comunicação digital da Giuliana Diniz - e é um importante documento da história local.

Livro em formato digital está disponível gratuitamente no site da editora (Foto: Belle Quintas/Divulgação)

No caldeirão feirense estão o feijão tropeiro, o peixe moqueado, pastel, mocofato, bode assado e outras delícias nordestinas que o povo de Feira de Santana adotou na sua dieta alimentar. “A cultura feirense precisa ser valorizada em todas as suas formas e a comida é uma delas. Registrar essa cultura alimentar em um livro é uma maneira de valorizar a nossa identidade, reconhecer quem somos dentro desse caldeirão cultural imenso chamado Bahia”, conclui Monia. Vale a leitura. 
 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas