Fome de empreender: maioria dos novos negócios estão no ramo da alimentação

economia
26.10.2020, 06:00:00
Atualizado: 26.10.2020, 11:15:34
Os principais empreendimentos na Bahia estão relacionados com alimentação, mercado, moda e acessórios, beleza e estética (Shutterstock/Reprodução)

Fome de empreender: maioria dos novos negócios estão no ramo da alimentação

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De março até setembro até setembro desse ano, foram formalizados 51.857 pequenos negócios na Bahia, sendo destes 46.114 (89%) são microempreendedores individuais (MEI). A maior parte das formalizações do MEI referem-se aos serviços de alimentação e são empresários que estão atentos às novas necessidades e perfil de consumo do cliente. 
Empreender é o terceiro maior sonho do brasileiro e a atividade – que pode ser motivada por necessidade ou oportunidade -  permeia todas as classes sociais, segmentos e todas as faixas etárias. O CORREIO reuniu dicas importantes para quem quer transformar o sonho em realidade. 

De acordo com a gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Bahia Fernanda Gretz, muitos dos empreendedores que começaram a atuar esse ano já iniciaram suas empresas atuando com o marketing digital para divulgação e venda online de seus produtos e com a atuação de entregas delivery, ações que foram potencializadas no período da pandemia. 

Fernanda Gretz, do Sebrae-Ba, ressalta a importância de um bom planejamento antes de começar um negócio, além da annálise de mercado e viabilidade econômica (Foto: Divulgação/Dario G)

“Antes de começar a empreender, é importante saber se a ideia de negócio, que se pretende iniciar, é uma oportunidade de mercado e se possui viabilidade financeira”, explica, reforçando que realizar um planejamento da futura empresa será muito importante para o futuro do negócio, pois possibilita sanar problemas no planejamento.

A co fundadora do projeto Tamo Junto na Aliança Empreendedora, Luísa Bonin atesta que para começar a empreender o mais importante é se conhecer. “Mesmo quem empreende por necessidade precisa saber o que gosta e sabe fazer, quais são suas competências e seus limites, seus conhecimentos em gestão, saber quem são as organizações e pessoas próximas que podem dar suporte, e também quais recursos, equipamentos e dinheiro que já possui e está disposto a usar”, ensina.
Ela cita a Teoria do Fazer (Effectuation theory em inglês), que foi desenvolvida pela pesquisadora Saras Saravathy, nos Estados Unidos, que rompe com a visão tradicional do empreendedorismo ensinada, onde é necessário planejar os primeiros anos do empreendimento e investir valores de 6 dígitos. 

Cara do BRasil

“O Brasil apresenta uma variedade muito rica de perfis empreendedores. Por causa disso, lidamos não com uma e sim várias realidades do empreendedorismo. Uma lente de recorte possível é o empreendedorismo por oportunidade e o empreendedorismo por necessidade. O segundo caso é o mais crítico e vulnerável pois se estrutura a partir de uma escassez de empregos”, analisa.

Luísa ressalta que quem empreende por necessidade, geralmente, apresenta negócios menores, mais frágeis e com um potencial de desenvolvimento limitado. “Isso se dá porque muitas vezes, além da falta de acesso a mercado de trabalho, esses empreendedores se encontram em um contexto de falta de acesso em educação, financiamento, tecnologia, dentre outros recursos necessários para crescer”, completa. 

Luísa Bonin lembra que mesmo os empreendedores por necessidade precisam conhecer a si próprios antes de começar  qualquer negócio (Fotos: Divulgação/Patrícia Monteiro)

Na pesquisa “Jornada do microempreendedor de comunidade” (Aliança Empreendedora - Empreender 360, 2018), a Aliança ressalta quatro personas representativas: o “empreendedor meio-período”, para quem o negócio é uma fonte de renda complementar; o “profissional independente”, que empreende mais por vocação; o “jovem empreendedor”, que tem o desejo de impactar localmente; e o “empreendedor por consequência” que foi levado ao empreendedorismo por algum fator externo.
O perfil apresenta algumas variações entre quem inicia hoje um negócio e quem já empreende a mais de 3 anos e meio. De maneira geral, observa-se um equilíbrio entre homens e mulheres. Aproximadamente 73% dos empreendedores têm entre 25 e 54 anos. Cerca de 87% têm até o médio completo ou superior incompleto. Por fim, um pouco mais de 60% possuem uma renda familiar de até 3 salários mínimos. “Na Aliança Empreendedora por exemplo, os projetos que desenhamos em 2019 permitiram atingir um perfil empreendedor feminino (78% dos nossos beneficiados eram mulheres), negro (61% dos beneficiados) e jovem (50% tinham até 35 anos)”, completa.

Jeito local

Fernanda Gretz salienta que os principais segmentos das empresas na Bahia estão relacionados com alimentação, minimercado, moda e acessórios, beleza e estética; sendo essas atividades as mais investidas por novos empreendedores. “Vale ressaltar que, mesmo sendo segmentos de atuação já percebida nos últimos anos, em 2020 diversos desses segmentos estão atuando de maneira diferenciada ou personalizado, com um novo modelo de negócios para atender ao novo perfil de consumo que a pandemia trouxe ao mercado”, completa.

A gerente do Sebrae explica que o que nunca pode acontecer para quem deseja empreender é iniciar o empreendimento sem uma análise de mercado e planejamento. “Muitas dificuldades identificadas na prática da empresa já poderiam ter sido observadas e solucionadas previamente, evitando retrabalhos ou ampliação de despesas”, esclarece, reforçando a importância que o empresário separe os recursos da empresa e o pessoal, fato que dificulta o gerenciamento financeiro da empresa.

Retrato 3 x 4
54% dos MEI são homens
46% mulheres
22% dos MEI possuem faixa etária até 30 anos 
57% possuem de 31 a 50 anos
Acima de 51 anos são 21% dos MEI na Bahia.

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